Não há quem conheça mais a tarefa de organizar um evento desta magnitude do que Tamas Rohonyi, mais de 30 anos como promotor do GP do Brasil

Por Américo Teixeira Junior

Tamas Rohonyi (esq.) e Chase Carey com o governador de São Paulo João Doria (de costas) – Fotos RODRIGO BERTON/GRANDE PRÊMIO (São Paulo, Brasil, 17.11.2019)

O Grande Prêmio do Brasil está no centro de uma discussão econômica, mas também política. A primeira é até aceitável, afinal, o atrito faz parte da natureza humana quando se confrontam pagador e cobrador. Já a outra é mesquinha. Como resultado, o único verbo conjugável é o “perder”, mesmo que a prioridade seja “ganhar”. E, dentre as perdas, está Tamas Rohonyi.

Aos 81 anos, o publicitário nascido em Budapeste (Hungria) e naturalizado brasileiro é a pessoa que mais entende de Fórmula 1 no Brasil. Tal afirmação pode até parecer elogio, mas não é. Goste-se ou não de Tamas Rohonyi, trata-se apenas de um fato.

Quando o material da Fórmula 1 começa a ser descarregado em Interlagos, o faz diante de um cenário que consumiu um ano de trabalho para ser concluído, envolveu mais de 6 mil profissionais e cumpriu um extenso caderno de encargos.

Por “Caderno de Encargos” entenda-se todas as providências que o promotor deve tomar antes, durante e depois da etapa da Fórmula 1 sob sua responsabilidade. Para critério de comparação, cabiam em duas folhas datilografadas as exigências da FIA para o Grande Prêmio do Brasil de 1974, marcado pela vitória de Emerson Fittipaldi com McLaren M23.

Exatos 45 anos depois, visando a etapa do ano passado, o tal caderno cresceu. Passou a ser um calhamaço com centenas de páginas e milhares de itens.

Tamas talvez não saiba dirigir uma empilhadeira. Os geradores que a organização contrata para não faltar energia no autódromo, se apresentarem algum defeito, ele certamente não sabe como arrumar. Se cair a internet, também não é com ele.

Em compensação, coube a ele e sua equipe providenciar as empilhadeiras, os geradores, a internet e tudo mais o que se possa imaginar – e outras que a gente nem faz ideia – dentre as necessidades de um evento desse porte.

Esse know-how ultrapassou fronteiras e chegou a Portugal e Hungria, cujos Grandes Prêmios foram organizados por Tamas em algumas edições.

Como o Liberty Media é o dono do campeonato, pode assinar com o promotor que quiser e não haveria problema algum, não fosse o motivo que afasta a Fórmula 1 do real autódromo de Interlagos e a aproxima do imaginário Deodoro.

Riscando do mapa

A Formula One Management, que dirige a Fórmula 1 na pessoa do CEO Chase Carey, quer apagar vestígios de Bernie Ecclestone da categoria, o que torna alvo certo a etapa de São Paulo.

Tirar a prova do Autódromo Municipal José Carlos Pace significa a quebra de laços sólidos com o empresário inglês, a ponto de ser apontado muitas vezes como o dono do Grande Prêmio do Brasil.

Há ainda a questão das taxas, mas que na prática é coadjuvante diante do elemento principal, que é o político. Em nome disso, o Liberty Media parece disposto a excluir do calendário o único autódromo brasileiro capaz de abrigar um Grande Prêmio, cortar relações com uma equipe eficientíssima e chefiada pelo homem que mais entende de Fórmula 1 no Brasil, ignorar uma das torcidas mais fiéis do planeta e rejeitar um autódromo com elevado grau de excelência.

Enquanto isso, aposta no autódromo que não existe e que depende da derrubada de uma floresta para sua construção, no promotor que ainda precisa se familiarizar com o setor e no estado desconstruído econômica e institucionalmente.

No fundo, quem aparentemente nada entende de Fórmula 1 é Chase Carey.


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17 COMENTÁRIOS

  1. Na formula um atual um dos circuitos mais competitivos e Interlagos… nao sei o que eles querem outro tilketodromo sem graça

  2. Uma pista de rua ?!?!?!? Deixa em Interlagos que lá existe corrida de verdade e não um desfile ou prosissão que estes circuitos sem sal promovem.

  3. F-1 no Rio além de devaneio é imoral além de artificialmente viável esportivamente. Provavelmente será um GP da Rússia da vida. Interlagos é tradicional, old school e esportivamente emocionante. Potencializar suas virtudes e estancar suas falhas é mais lúcido do que embarcar nesta “onda” da F-1 no Rio. Bolsonaro, Crivella e Carey além dessa tal de Rio Motorsports vão conseguir arruinar aquilo que tínhamos de melhor: Qualifying de F-1 em Interlagos além de um GP com chuva também.

  4. Esses patriotas alienados… Parecem aqueles moleques que se alistaram doidos para embarcarem para o Vietnã achando que vão ganhar uma guerra que nem sua era… Simplesmente ignoram empresa incapaz, inexistência de quem banque e destruição ambiental. No fim, pessoas criadas de forma errada ou até abusadas na infância, ainda que psicologicamente, dão nesse tipo de patriota .

  5. Como se vê pouco importa a derrubada de uma floresta para os cariocas, desde que a F1 vá para o RJ falido e violento.
    E como se vê, parece que no Brasil só existem S.Paulo e Rio, os outros 20 estados não existem.
    E como se vê precisa ser muito imbecil para descontinuar as corridas em SP. o mais rico estado da nação, com o melhor Autódromo construído e pronto

  6. As queimadas, algumas criminosas no pantanal e Amazonia já é um fato muito preocupante para a humanidade e agora querem destruir uma floresta para se fazer uma pista de corrida, porra até quando vai essa palhaçada no nosso pais, que os poderosos fazem uma putaria e ninguem faz nada pra proibir,
    cade o Bolsonaro……………..pra acabar com essa putaria.
    Se essas porras desses gringos não querem Interlagos por frescura no rabo, que vão pra puta que pariu.
    Vamos trazer a formula indy que esta crescendo em qualidade.

  7. Quem ama o esporte e o Rio de Janeiro deveria ficar feliz e apoiar a possibilidade de voltar a ter um GP de Formula 1 na cidade de onde nunca deveria ter saido.
    Infelizmente vejo nesse site opiniões sempre muito politizadas. Lamentável.
    Sou a favor e estou vibrando muito com o retorno da F1 a esta cidade maravilhosa……bem diferente da sem sal, São Paulo.

  8. Os caras que querem construir o autódromo e organizar o GP no Rio, são os mesmos que compraram os direitos de transmissão da Moto GP, receberam da Fox e não pagaram a Dorna.
    Outro ponto, até o momento não apresentaram qualquer relatório que garanta a existência de fundos para arcar com os 800 milhões da construção.
    Além disso, tem a questão da extinção da última área plana de Mata Atlântica.
    O fim disso tudo é que vão derrubar a mata, não vão construir o autódromo, ficaremos sem F1 no Brasil e o terreno será vendido para alguma incorporadora com a justificativa que o dinheiro será usado no Renda Brasil.

  9. Zeca meu caro, uma pista de rua sairia milhões mais barato já que não é uma estrutura definitiva.

    O fato é que ou se encontra uma saída ou não teremos gp Brasil mais já que por conta de Bernie Escclestone o gp Brasil tinha um desconto generoso nas taxas para a corrida em São Paulo com o fim do contrato fim do desconto.

  10. Destruiram um ótimo autodromo para construir um complexo que foi usado apenas uma vez e agora esta às moscas.
    Pensando em Soshi, porque não refazer o autodromo (com traçado diferente, óbiviamente) na mesma área, ao redor dos elefantes brancos monumentais que foram utilizados nas Olimpiadas?

    Exite o espaço, não tem floresta, tem infraestrutura, falta v$ontad$, se é que me entendem…

  11. Já escutei várias vezes, de pessoas do meio, que o Tamas não é essa unanimidade toda não.
    Outra coisa, já com 8.1, passa o bastão e segue o jogo.
    Ou quer ser um 2º Bernie Ecclestone, que nem estando mumificado queria largar o osso. . .

  12. Já se havia um descontentamento com o GP do Brasil de F1 em São Paulo, mas essa de construir um autódromo no Rio, destruindo a Mata Atlântica, que pelo que acompanho, só diminui e além disso, um Estado sem condições financeiras de ter um evento desses, e sem contar com o traçado de Interlagos que só nos trás emoções fortes, uma das melhores pistas, com história, é uma pista raiz. Essa pista se for construída, será só mais uma dessas sem sal e sem espírito. Enfim, melhor não ter nada no Brasil ano que vem e ter a chance de retornar em 2022 em Interlagos. GP do Rio, uma piada…

  13. Ao Carlos Neto:

    Não é que tem que ser em São Paulo. São Paulo é o unico local possível no Brasil pra ter uma corrida de F1.

    Se o Rio tivesse condições, ok. Mas não é o caso. Estado e prefeitura falidos. Não vai ter dinheiro privado pra construir autódromo, e nem tempo até 2021.

    O fato é esse. Ou é em SP ou esquece F1no Brasil.

  14. Na verdade o que realmente assusta é a derrubada de uma floresta para construir um autódromo. Isso realmente é inaceitável, uma aberração.

    O resto é apenas interesse financeiro, esse promotor quer se perpetuar na organização do GP Brasil ??? Outras pessoas ou empresas não podem entrar no jogo ??? São Paulo tem que ter a corrida pra sempre ???

    Vamos dizer que o Rio decida por uma pista de rua privilegiando a orla da cidade, seria sensacional. Quantas pistas de rua existem no calendário ????

    Quanta o local vejamos, na Alemanha se correu em varios circuitos, na Espanha tb, Estados Unidos tb, Austrália tb, França, Itália…. Esse papinho de tem que ser em.São Paulo e tem que ser organizado por uma determinada pessoa é ridículo e muito conveniente para algumas pessoas.

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