Algumas linhas sobre um furo de reportagem com repercussão internacional, mas que não se confirmou

Por Américo Teixeira Junior

Os dois carros da Sauber no GP dos Estados Unidos – Foto ANTONIN VICENT/DPPI (Austin, Texas, 24.10.2021)
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Quando este Diário Motorsport publicou que Michael Andretti havia comprado a Sauber e teria como piloto Colton Herta, tratava-se de um quadro preciso e apurado daquele 8 de outubro. Embora imperasse o silêncio dos envolvidos, os norte-americanos já se movimentavam para colocar o piloto no primeiro treino em Austin, a operação burocrática já estava em curso e até detalhes do anúncio estavam sendo discutidos. Mesmo que mais omitindo do que revelando, muitos desses aspectos foram confirmados ontem (4) por Michael Andretti, ao falar pela primeira vez sobre o assunto.

O team owner de 58 anos não deu qualquer detalhe sobre o que chamou de “problemas de controle”, mas tampouco tentou disfarçar a surpresa que foi para ele tudo acontecer na “Hora H”. De todo modo, creditou a essa ocorrência o desmoronamento de tudo o que já estava construído. Na verdade, pareceu estar mais interessado em dizer que o motivo não foi financeiro, embora a imprensa alemã tenha detalhado bem esse item.

Andretti deixou claro que os suecos, donos da suíça Sauber, aceitaram a venda, mas se recusaram a ceder o controle. Algo talvez assemelhado à compra de parte da Prost por Pedro Paulo Diniz, quando Alain Prost aceitou o capital do ex-piloto e empresário brasileiro, mas não admitiu sua atuação efetiva na administração do time, em 2001.

O fato concreto, como diria um homem do povo, é que este Diário Motorsport cravou o que não se confirmou. O Leitor, razão de ser destas e de todas as demais linhas, tem duas opções de leitura para esses acontecimentos. Uma é considerar lícita a abordagem, diante da compreensão de que a dinâmica posterior alterou profundamente o quadro. A outra é classificar como erro, barrigada, cagada, irresponsabilidade e por aí vai.

Qualquer que seja ela, a escolha será aceita com humildade, mas este projeto editorial continuará alicerçado, mesmo sob riscos, na busca, apuração, confirmação e publicação, sem sonegar informação correta e precisa ao Leitor. Se mudar, paciência, mudou. Essa estrada, em que pesem seus buracos e pedras, não deixará de ser percorrida.

Capa/Destaque: Foto XAVI BONILLA/DPPI (Istanbul Park, Tuzla, Turquia, 09.10.2021)

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2 COMENTÁRIOS

  1. Sim Américo, foi uma barrigada, e não foi a primeira. A justificativa de “a dinâmica posterior alterou profundamente o quadro” já foi usada antes, no caso envolvendo Robert Kubica na Williams em 2018, em que você também cravou que ele seria titular, desdenhou de quem avisou que ainda NÃO era garantido, mas o fato não se confirmou e depois você veio com “mas já estava tudo certo, só que houve uma reviravolta”. Como seu leitor, sugiro que você use estas experiências para mudar a sua abordagem. Na ânsia de querer cravar furos de reportagem de dois assuntos de proporções globais, você claramente se afobou, deu como certeza algo que não era certeza (até para seu furo ganhar mais repercussão) e depois precisa ficar se justificando do porquê errou. Você foi o único que cravou esta história não porque foi o único jornalista a ficar sabendo das negociações, e sim porque foi o primeiro que quis dar como garantido algo que ainda não era. Publicar as coisas antes da hora, com uma apuração que não é 100% precisa, não condiz com as boas práticas do jornalismo que você diz tanto defender. Sugiro que você repense a sua abordagem, coloque a apuração acima da glória pessoal (porque esse lance de “foi furo do Américo” deve ser uma enorme massagem pro ego do jornalista) e seja menos afobado/imprudente.

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