Frank Williams

16 de abril de 1942 – 28 de novembro de 2021

Por Américo Teixeira Junior

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Nunca entrevistei Frank Williams. Apesar da ligação do Brasil com sua equipe, nunca visitei as instalações em Grove. Na última vez que tentar falar com Claire Williams, não deu certo. Semanas atrás, tentei obter, sem sucesso, informações sobre seu estado de saúde. Apesar dessa distância, sempre me senti muito próximo da Williams e a notícia deste domingo me atingiu fortemente.

Saúde e idade não fazem do falecimento de Frank Williams, aos 79 anos, propriamente uma surpresa. Mas o grande impacto que causa em mim é supor como teriam sido os últimos meses de vida desse homem que viveu desesperadamente uma paixão.

Quando a equipe Williams foi vendida para o fundo de investimento Dorilton e, logo a seguir, a família deixou em definitivo o cenário da Fórmula 1, ocorreu-me algo de uma tristeza profunda. A razão da vida de Frank Williams havia desaparecido. Restavam um corpo debilitado, uma mente repleta de lembranças e um coração batendo. Até a manhã deste domingo.

Essa forte impressão vem do fato de Frank Williams ter dedicado toda sua vida ao automobilismo. E era uma dedicação tão profunda, tão completa, tão destemida que chega a ser inacreditável o nível de desconforto que enfrentou para manter seu time na pista. Sempre ficou claro que estar na Fórmula 1, para Frank Williams, não era um negócio.

Negócio, como o nome já diz, é algo vocacionado a gerar resultados financeiros. Como tal, abre-se hoje, fecha-se amanhã, abre-se novamente lá na frente e assim vai, sempre no sentido de ampliar ou preservar ganhos ou evitar que tudo vire pó. Tudo isso é verdade, mas não no caso de Francis Owen Garbett Williams.

Fosse na fase paupérrima da Frank Williams Racing Cars, fosse na vitoriosa da Williams Grand Prix Engineering, ele nunca admitiu perder o controle de sua obra. E resistiu o quanto foi possível às mudanças da Fórmula 1. A cadeira de rodas que o aprisionou desde 1986, sustentava um corpo frágil, mas a mente lúcida continuava no comando.

Frank Williams experimentou sucesso e fracasso em doses cavalares por mais de 50 anos. Em momentos decisivos, resistiu a firmar parcerias que pareciam perfeitas, salvo pelo fato impensável de torná-lo coadjuvante. Se empresarialmente pode ter sido um grande erro, como condenar alguém por não se desfazer do “oxigênio” vital para sua vida?

Capa/Destaque: Foto GLENN DUNBAR/WILLIAMS (Sochi, Rússia, Sochi, Russia, 11.10.2015)

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