Após a conclusão de um ciclo histórico de 41 anos na Rede Globo, o principal comentarista de Fórmula 1 no Brasil tem diante de si uma página em branco para fazer o que quiser – até nada, se for de sua escolha

Por Américo Teixeira Junior

Reginaldo Leme é um dos mais premiados e homenageados jornalistas esportivos do Brasil (Foto Rede Globo)

Reginaldo Leme é um analista privilegiado. Conhecedor profundo da Fórmula 1 desde os anos 70, viu uma reunião de garagistas se transformar num espetáculo verdadeiramente mundial e bilionário. Mais do que isso, observou cada manifestação dessa metamorfose do lado de dentro, desvendando movimentos inimagináveis para quem só acompanhava de longe.

É tipo de cara que chama pelo primeiro nome gente como Bernie Ecclestone, Lewis Hamilton, Frank Williams, Ross Brown, Eddie Jordan, Toto Wolff e tantas outras mentes brilhantes que fizeram e fazem a Fórmula 1 ser o que é.

Furos de reportagem (o Singapuragate é apenas o mais famoso deles), entrevistas históricas (único jornalista a ser recebido por Nelson Piquet para uma entrevista após o acidente em Indianapolis) e reportagens inesquecíveis (aquela na fazenda do Jody Scheckter foi fabulosa) marcaram a carreira desse sul-mato-grossense de Campo Grande.

De fato, a popularidade foi alcançada na emissora carioca, notadamente ao lado de Galvão Bueno. Foi na detentora exclusiva dos direitos de transmissão para o Brasil que Reginaldo acrescentou às suas qualidades, uma outra em especial.

Por exigência da dinâmica própria da televisão e também pelo fato de ter muita gente falando durante as transmissões, o comentarista acabou por desenvolver uma fabulosa capacidade de síntese. Assim, bastavam poucos segundos para que o telespectador fosse brindado com um comentário completo e embasado.

Em que pese eficiente, essa dinâmica privou o público do desejado aprofundamento em razão de amarras agora já não mais existentes. Quem está “chegando agora” pode até pensar que Reginaldo é cria da Rede Globo, quando na verdade só foi contratado porque já era um “monstro” na imprensa escrita.

Nessa nova fase de sua carreira, Reginaldo Leme poderá dar novas demonstrações de sua já famosa generosidade oferecendo aos fãs todo o seu conhecimento de forma mais ampliada ainda, quem sabe até escrever longamente com a maestria que possui ou mesmo na telinha, mas sem as privações impostas pelo cronômetro.

Livro, site, outra emissora de TV, canal no YouTube??? Quem sabe!?!

Isso, claro, se ele quiser, pois se preferir deixar a vida rolar, estará mais do que no seu direito, mérito inegável pelo tanto que já fez.

Mas, cá entre nós, tomara que ele não invente de ficar lá em Paúba o tempo todo.

Beijão Regi!

Foto de Capa/Destaque: DUDA BAIRROS/Stock Car

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