Guerra de comunicados cumpriu apenas função protocolar, sem ir direto ao ponto

Por Américo Teixeira Junior

Na apresentação da “6 Horas de São Paulo”, em março de 2018, o diretor do WEC Gérard Neveu, o embaixador da prova Bruno Senna e o promotor Nicholas Duduch (Fotos N/Duduch Motorsport)

Marcada para ser realizada em Interlagos entre os dias 30 de janeiro e 1º de fevereiro, a prova “6 Horas de São Paulo” foi cancelada hoje pela direção do Campeonato Mundial de Endurance (WEC, na sigla em inglês). A alegação foi a de que “o promotor local brasileiro não conseguiu cumprir suas obrigações contratuais”. Já a N/Duduch Motorsport, promotor da etapa, acusou “ato unilateral do WEC, a despeito de todos os investimentos realizados até a presente data, que montam a mais de R$ 8 milhões …”. Os informes oficiais, porém, ocultaram os reais motivos: falta de recursos financeiros.

O desfecho revelado nesse segunda-feira não por acaso. Para a última reunião do Conselho Mundial de Esporte a Motor da FIA, que acontece nessa quinta-feira, 5, Gerárd Neveu se recusava a chegar na sede da entidade, em Paris, sem uma solução para a etapa 6 do Mundial. Para tanto, o diretor do Mundial havia estabelecido o mês de novembro como prazo final para obter da N/Duduch posições definitivas.

O Diário Motorsport apurou que a oficialização da data na FIA estava prejudicada por ausência de contratos e pagamentos, da mesma forma que o ponto central para a derrocada do projeto foi a dificuldade para obtenção de recursos na ordem de 2,5 milhões de Euros, montante necessário para a realização da prova. Tudo isso apesar de o promotor alegar já ter investido 65% de um total de R$ 12 milhões.

Embora tenha denunciado a unilateralidade da medida, ressaltando consequentes prejuízos para a empresa promotora e patrocinadores, em nenhum momento a N/Duduch revelou patrocinadores da etapa e nem agora, ao ser perguntada pela reportagem. No próprio site do evento há uma relação de “Apoio”, “Fornecedores Oficiais” e “Agências Oficiais”, mas não “Patrocinadores”.

É bastante simples a tramitação para que uma prova seja incluída no calendário oficial da FIA. Ao promotor local cabe assinar contratos, pagar taxas e custear despesas. O resultado financeiro, positivo ou negativo, vem da comercialização ou não de espaços publicitários. Independentemente de existirem patrocinadores, o promotor local tem obrigatoriamente de arcar com seus compromissos. Agora, se não há recursos para tal empreitada, simplesmente o evento é cancelado. Foi assim com a Fórmula Indy, Fórmula E e, agora, com o WEC. Por fim, a questão dos ingressos será resolvida, segundo o promotor. Com a devolução dos valores pagos. Também nesse item a empresa preferiu não informar quantos ingressos já estavam de posse dos fãs.

Procuradas, as empresas envolvidas adotaram o mesmo discurso: nada a acrescentar além do que está nos comunicados.

1 COMENTÁRIO

  1. Eu comprei o ingresso no primeiro dia d venda e por 2 vezes foi alterada a data d entrega do mesmo, sendo a última, foi alegado problemas com o fabricante da credencial q era da China e q era uma credencial padrão da fia e q teria um recurso pra cadastrar um cartão crédito e realizar pagamentos nas lojas do evento com a credencial. Já recebi um email da empresa q estava vendendo os ingressos informando do cancelamento do evento e q nos próximos dias entrarão em contato com os procedimentos de reembolso

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