O Campeão Mundial de Esporte Protótipo obteve a primeira das sete vitórias já conquistadas por brasileiros na histórica prova de 24 horas

Por Américo Teixeira Junior

Com Jaguar XJR-9, Raul Boesel, Martin Brundle e John Nielsen venceram a SunBank 24 at Daytona, de 1988 – Foto Reprodução ISC Images & Archives

Quando cruzaram os portões do Daytona International Speedway, para a edição 2020 da Rolex 24 at Daytona, os sete brasileiros inscritos na 58ª edição da prova de Endurance repetiram, 32 anos depois, a mesma rotina de Raul Boesel. Aliás, em Daytona, tudo começou com Raul.

Mas diferentemente da prova atual, na qual Helio Castroneves (Acura), Felipe Nasr (Cadillac), Pipo Derani (Cadillac), Matheus Leist (Cadillac), Augusto Farfus (BMW), Daniel Serra (Ferrari) e Felipe Fraga (Mercedes) lutam para garantir a oitava vitória brasileira na classificação geral da histórica competição, tudo para o Brasil era novidade naquele 1988.

Coube, então, ao recém-empossado no Hall da Fama de Endurance da FIA colocar o Brasil no mapa de Daytona, inclusive com vitória logo na estreia. Antes, em 1985, Emerson Fittipaldi chegou a figurar na relação dos inscritos ao lado do norte-americano Tony Garcia e do colombiano Mauricio DeNarvaez para a condução do March 856 Buick da equipe Ralf Sanchez Racing, mas o conjunto não participou. Foi Boesel quem abriu esse caminho em 1988.

Com o mesmo Jaguar XJR-9 da conquista do campeonato mundial no ano anterior, o brasileiro dividiu com Martin Brundle (Inglaterra) e John Nielsen (Dinamarca) a condução do protótipo #60. Ao término de 24 horas, o trio venceu a maratona de Daytona Beach com 728 voltas completadas.

Raul voltaria no ano seguinte, também, com Jaguar, em 1990 com Porsche 962C (Dauer Racing), em 1991 com Jaguar XJR-12D (Bud Light Jaguar Racing), em 1998 com Panoz GTR-1 da Panoz Visteon Racing e, por fim, em 2006, com Doran JE4 da Doran Racing. Nada, porém, equiparou-se com 1988.

Só em 1994, com as presenças de Antonio Hermann e Maurizio Sandro Sala, com Porsche 964 Carrera RSR da Konrad Motorsport, é que o Brasil teve pilotos em Daytona que não Raul – e também com resultado significativo, o 6º na geral.

Passaram-se 16 anos para que um brasileiro voltasse a vencer a 24 at Daytona. Foi pelas mãos de Christian Fittipaldi, o recordista do Brasil na prova, com três vitórias (2004, 2014 e 2018). Seguiram-se os feitos históricos de Oswaldo Negri Junior, Tony Kanaan e Pipo Derani. Foram vencedores também, por categoria, Raphael Matos e Augusto Farfus. Mas tudo começou com Raul.

O campeão mundial Raul Boesel recebeu em Paris seu diploma pelo ingresso no Hall da Fama da FIA – Fotos FIA COM

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