Em sua estreia na Meyer Shank Racing, piloto brasileiro assumiu a liderança em definitivo na penúltima volta

Por Américo Teixeira Junior – Fotos Marco Carvalho

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Helio Castroneves realizou o sonho de uma carreira. Doze anos após vencer no Indianapolis Motor Speedway pela última vez, no já distante 2009, conquistou a quarta vitória na Indy 500. O triunfo foi dedicado a Sandra Castroneves, sua mãe, acometida de Covid-19.

Durante todos esses dias, mesmo o tempo todo focado na principal prova do calendário, ligava para a mãe e o pai Helio em torno de quatro vezes ao dia, para monitorar a evolução. Neste domingo, antes da largada, ligou para receber sua benção. Sandra está se recuperando e os exames desta segunda-feira, 31, indicam que já está livre do vírus.

Além do drama particular, Helio esteve às voltas com uma nova realidade. Se comparada com a Penske, equipe que defendeu entre 2000 e 2020, a Meyer Shank Racing é uma equipe pequena, com recursos limitados e em processo paulatino de evolução. A corrida do domingo foi a primeira que o time de Mike Shank e Jim Meyer alinhou dois carros na IndyCar e encarou esse desafio justamente em Indianapolis.

Antes do início dos treinos na terça-feira, 18, Helio fizera apenas um treino pela equipe, em Indianapolis, por ocasião do Open Test promovido pela IndyCar, semanas antes. Em razão disso, foram quatro dias de muito trabalho até o final de semana do Pole Day, nos quais piloto e equipe se esforçaram para conhecer um e outro.

Foi um trabalho de formiguinha que não parou de melhorar o carro. Tanto que Helio foi para o Fast Nine e garantiu o 8º posto no grid de 33 carros. Naquele domingo ainda, no treino que fechou a semana de atividades, foram dados os últimos retoques no acerto. Para Helio Castroneves, o chassi tinha atingido um ponto de máxima eficiência, dentro da estratégia do piloto para a disputa.

A satisfação com o setup era suficiente para que dissesse a Mike Shank: “não mexe em nada, deixe o carro como está porque está do jeito que eu gosto”. Esse “gostar” se traduziu nas poucas voltas no Carb Day da sexta-feira, 28, atividade cumprida apenas para as derradeiras checagens. Quando o Dallara Honda #06 voltou para a garagem, no Gasoline Alley, já era um pacote fechado para o tão aguardado 30 de maio.

Essa condição competitiva foi comprovada logo na largada e durante todas as 200 voltas, quando esteve sempre no bloco da frente. No cômputo das voltas lideradas, foi apenas o quarto que mais esteve na frente, com 20. Ficou atrás de Conor Daly (40), Alex Palou (35) e Rinus Veekay (32). Mas, na hora decisiva, depois de alternar posição com Palou, foi para a ponta 199ª e recebeu a bandeira da consagração na 200ª.

“A ficha não caiu ainda. Está caindo aos poucos, melhor dizendo. Eu desejei tanto essa quarta vitória e bati tantas vezes na trave que parece um sonho. Estar ao lado do AJ Foyt, Al Unser e Rick Mears como o maior vencedor da maior prova do mundo é um orgulho muito grande. Sou abençoado e tenho de agradecer muito a Deus, minha família, a equipe … quatro Indy 500 … uauuu!”, disse Helio Castroneves no melhor da forma, aos 46 anos. “Estamos apenas começando”, concluiu, depois de ter falado com os pais e a irmã Kati.


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