Contratos milionários de esportistas serão incompatíveis com a depressão econômica que bate às portas da principais economias

Por Américo Teixeira Junior

Lewis Hamilton no 2020 Laureus World Sports Awards – Foto Laureus Media (Berlim, Alemanha, 17.02.2020)

São eloquentes os sinais de que, em tempos de pandemia, os salários dos pilotos de Fórmula 1 sofrerão drásticas reduções. A Ferrari já anunciou ter proposto renovação de contrato com redução de valores para Sebastian Vettel. Na McLaren, Carlos Sainz e Lando Norris perderam parte não revelada de seus vencimentos. Já os pilotos da Williams, George Russell e Nicholas Latifi, receberão pagamentos 20% menores.

Embora esses cortes sejam decorrentes da crise atual, tendem a se transformar em regra e não mais exceção. Diante da necessidade de diminuir despesas, ante a queda vertiginosa de receitas, as equipes de F1 têm muita “gordura para queimar”. Não está em discussão se os ganhos individuais são merecidos ou não. É, sim, uma questão de sobrevivência.

No automobilismo, como um todo, não é novidade a redução salarial de pilotos. Após o estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, em 2008, quando as bolsas do mundo todo perderam US$ 4 trilhões somente entre os dias 15 e 18 de setembro daquele ano, os salários dos pilotos da IndyCar, por exemplo, já eram outros em 2009. Se os principais competidores estavam numa faixa entre US$ 3 milhões e US$ 5 milhões por ano, o que se viu foi uma queda percentual de aproximadamente 50%, mantida a partir de então.

Agora, nem o grupo liderado por Lewis Hamilton consegue escapar do caos econômico. Antes de eclodir a crise atual, os “holerites” dos 20 titulares atingiam a cifra de US$ 212 milhões anuais. Como são diversos os contratos que venceriam ao final desta temporada, caso fosse realizada, a redução tende a ser intensificada já nas eventuais prorrogações. Quaisquer que sejam as particularidades de cada negociação, fato é que a pandemia do coronavírus também mudará a política salarial da F1.

Pilotos de F1 – Salários Estimados para 2020*

PilotoSalários**Fim de contrato
Lewis HamiltonUS$ 60 milhões2020
Sebastian VettelUS$ 40 milhões2020
Daniel RicciardoUS$ 34 milhões2020
Charles LeclercUS$ 30 milhões2024
Max VerstappenUS$ 12.5 milhões2023
Kimi RaikkonenUS$ 8.5 milhões2020
Valtteri BottasUS$ 8 milhões2020
Romain Grosjean US$ 2.5 milhões2020
Kevin MagnussenUS$ 1.5 milhão2020
Sérgio Pérez US$ 1.5 milhão 2022
Pierre GaslyUS$ 1.2 milhão2020
Lance Stroll US$ 750 mil ?
Alexander Albon US$ 650 mil 2020
Nicholas Latifi US$ 500 mil 2020
Lando Norris US$ 500 mil 2022
Carlos Sainz Jr US$ 500 mil 2021
Daniil KvyatUS$ 500 mil2020
Antonio GiovinazziUS$ 350 mil2020
George Russell US$ 350 mil 2020
Esteban Ocon US$ 350 mil 2020
*Fontes: Forbes e Fórmula Money
**Não inclusos ganhos adicionais como publicidade e prêmios

Capa/Destaque: Lewis Hamilton é líder também em pagamentos anuais – Foto LAT Images/Mercedes F1 (Valência, Espanha, 12.12.2019)

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