Os novos acordos dependem, porém, da definição de um calendário definitivo, o que está longe de acontecer, pelo menos a curto prazo

Por Américo Teixeira Junior

Dá para imaginar um evento da Stock Car sem público? – Foto FABIO DAVINI/Vicar (Londrina, PR, 10.09.2017)

No cenário atual do Campeonato Brasileiro de Stock Car, que em tempos normais estaria a plenos pulmões no cumprimento de sua 41ª temporada, há uma esperança e uma certeza. A esperança é a de que as disputam possam, enfim, ser iniciadas no dia 28 de junho, no circuito Velo Città, localizado no município paulista de Mogi Guaçu. A certeza é a de que haverá revisão de contratos de patrocínio até então firmados.

Para que a primeira se transforme em realidade, a Stock Car está atrelada umbilicalmente às medidas adotadas pelos governos estaduais de Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo. O fato de ter vários decretos sobre a mesa é resultado da ausência de uma política federal sobre o coronavírus e, para piorar, tudo fica mais confuso com o ingrediente político ocupando um espaço que deveria ser apenas de saúde pública.

Já no âmbito da certeza, é sabido que os contratos precisarão ser revistos. Há nesse particular uma angústia generalizada, quase sempre manifestada no amparo do sigilo da fonte, não propriamente por renegociações em curso ou que se avizinham. O problema está na crise econômica que já desgraça o mundo e só tende a aumentar. É uma bola de neve que caminha para dimensões inimagináveis.

Embora o quadro seja seríssimo, há uma maneira simples de analisar:

  • O cidadão perdeu seu emprego ou – fonte de renda – porque o consumo caiu;
  • Com a queda de consumo, o empresário tem de recorrer ao banco para conseguir se manter;
  • O banco, símbolo maior da escrotidão no sistema capitalista, não empresta justamente porque teme a inadimplência;
  • Sem o setor financeiro a ampará-la, a indústria cortará despesas, demitirá funcionários e, eventualmente, venderá ativos, tudo em nome da sobrevivência;
  • Se encarado como não essencial para o negócio principal da empresa, a diretoria determinará o corte imediato do patrocínio já firmado ou renegociará para o ano em curso, mas já deixando claro sua ausência no ano seguinte;
  • Sem patrocínio, equipe alguma consegue cumprir seus compromissos contratuais e simplesmente não vai para a pista;
  • Sem grid suficiente, o promotor não conseguirá realizar seus eventos e, por conseguinte, receber de patrocinadores do campeonato;
  • Se o promotor não é uma Liberty Media ou Dorna, não conseguirá injetar dinheiro nas equipes para que elas sobrevivam;
  • Sem recursos externos, a engrenagem não anda e gera demissões;
  • Com demissões, o ciclo todo se repete.

Só que, como não poderia deixar de ser, os gestores dos campeonatos estão se movimentando com uma interrogação gigante na cabeça. Ao mesmo tempo em que precisam se esmerar na busca por soluções, nada conseguem sacramentar sem um calendário definido. Mas esse “objeto de desejo” de 10 em cada 10 promotores do autmobilismo, só poderá ser oficializado após o sinal verde das autoridades governamentais – e todos nós sabemos que depender do governo é, com o perdão da palavra, uma merda.

Some-se a tudo isso outra “pedra no caminho”, que todos sabem de antemão que lá estará: eventos com portões fechados. Tal medida de segurança em nada afeta algumas competições, mas é um problemão para Stock Car (Vicar) e Copa Truck (Mais Brasil). E como Carlos Col responde pela presidência de ambos os campeonatos, é possível pelo menos imaginar o nível de preocupação desse ex-piloto que tem seu nome na galeria dos campeões da Stock Car B (1993, ao lado de George Lemonias).

Capa/Destaque: Carlos Col, promotor da Stock Car - DUDA BAIRROS/Vicar (25.08.2019)

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