Mesmo do alto de 52 vitórias e o tetracampeonato, Ferrari relegou Vettel ao posto de coadjuvante, mas o piloto permitiu que isso acontecesse

Por Américo Teixeira Junior

Sebastian Vettel numa fase em que foi feliz na Ferrari – Foto Studio Colombo/Ferrari Media (Jerez, Espanha, 15.02.2015)

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Sebastian Vettel cumpre deprimente temporada de despedida na Ferrari, algo tão intenso que o frágil argumento do “contrato a cumprir” perde o sentido. Para além dos resultados fracos e da surra impiedosa que leva de Charles Leclerc, incorpora irritante passividade.

Só uma análise profunda dos últimos anos permitirá supor como – e quando – a “alma” de Vettel foi sugada pela Ferrari. Sim, concordo, falar em “alma” pode ser exagero, mas essa hipótese é pertinente, pois havia alma ali. E mesmo assim, quaisquer que sejam as conclusões, nada será o bastante sem conhecer a intimidade da Ferrari e do próprio piloto. Mesmo agora, quando Vettel passa a reclamar em público da situação, é reação tardia.

Como dizem os poetas, “depois da madrugada mais escura vem o amanhecer”. Dessa forma, coube a Lawrence Stroll o papel de “faroleiro” para guiar os caminhos de Vettel à luz. Mas ao iniciar a nova fase na Aston Martin Racing, Vettel tem de fazer muito mais do que ser o piloto talentoso que sempre foi e é.

Tem de se gostar um pouco mais, voltar a ser o sujeito de sua história, assumir a condução de seu destino. Tivesse agido assim após ser demitido de forma humilhante, não teria se metido na espiral descendente e destrutiva em que está hoje.

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Capa/Destaque: Sebastian Vettel no GP de Portugal – Foto Ferrari Media (Portimão, Portugal, 25.10.20)

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