A Stock Car nem sempre viveu em alta; na hora do aperto ou de mudanças radicais, nomes históricos fizeram a diferença

Por Américo Teixeira Junior

Affonso Giaffone Junior merece receber, em vida, uma grande homenagem por tudo que fez pela Stock Car (Foto Arquivo Vicar)

Às vésperas de realizar a 500ª corrida de sua história, justamente na prova que abre a temporada comemorativa de 40 anos, a Stock Car comandada por Carlos Col tem grid cheio, patrocinadores importantes, parceria com a Rede Globo e passou a ser objetivo de carreira por parte de uma geração que, antes, só tinha olhos para o automobilismo internacional.

Poucas categorias no automobilismo mundial chegaram aos 40 anos com tanta vitalidade e sem paralizações. Mas se a Stock Car é essa espécie de “ilha” de sucesso no nosso esporte que enfrenta tantas dificuldades, há de se reconhecer que não foram poucas as vezes em que esteve próxima de desaparecer ou diante de grandes dilemas.  

Washington Bezerra se empenhou absurdamente para manter a categoria de pé e merece grande reconhecimento (Foto Duda Bairros/Vicar)

Apesar de ser impossível a tarefa de relacionar todos os profissionais que trabalharam para que a Stock Car chegasse ao que é hoje, pelo menos alguns merecem ser lembrados em todos os momentos dessa história.

Como agora, a categoria em 1979 contava forte apoio da Chevrolet, que colocou nas pistas o Opala de duas portas, objeto de desejo de então. Essa parceria também se fazia presente em 1994, quando o mítico Chevrolet Opala foi substituído pelo modelo Omega. Esse pacote esteve nas pistas até 1999, dando espaço para o chassi tubular de Zeca Giaffone, a partir de 2000. Este chassi, inicialmente sob o projeto do argentino Edgardo Fernandez e em seguida com a assinatura da empresa Giaffone, passou por diversas evoluções e caminha para mais um salto, com a introdução com a nova geração de chassis da Giaffone Racing em 2020.

Enquanto promotor, Carlos Col é a principal referência do automobilismo brasileiro (Foto Duda Bairros/Vicar)

Ocorrer que nem sempre foi assim. Ainda nos anos 80, numa fase em que a General Motors do Brasil retirou o apoio, a categoria esteve às portas do desaparecimento, caminho trilhado por outras quando perderam o suporte de montadoras. Mas a Stock Car não sucumbiu porque o empresário e piloto Affonso Giaffone Junior e o chefe de equipe Washington Bezerra se recusaram a ver tanto esforço se perder e investiram do próprio bolso para que os campeonatos continuassem a ser disputados. Nesse período, coube ao promotor Antônio de Souza Filho, exímio mantenedor de categorias em dificuldades e promotor sob as mais difíceis condições, organizar os eventos.

Antônio de Souza Filho foi promotor da Stock na fase final dos Chevrolet Opala (Foto Vinícius Nunes)

Estima-se que tenham sido investidos por Giaffone e Bezerra algo em torno de US$ 2 milhões de dólares da época na sobrevivência da Stock.  

Carlos Col era parceiro de George Lemonias na antiga Stock Car B e ambos conquistaram o título de 1993. Tempos depois, já fora das pistas, passou a se interessar pela parte organizacional.

Inicialmente como diretor executivo da Associação dos Pilotos e Equipes de Stock Car e, posteriormente, como fundador Vicar e promotor, Carlos Col contribuiu decisivamente para elevar o padrão de profissionalismo, sem contar que o tão celebrado acordo com a Globo foi uma conquista de Col e da forte diretoria da associação formada por Ingo Hoffmann, Paulo Gomes e Chico Serra. Obviamente que não seria oportuno esquecer o apoio interno dado por Galvão Bueno.

José Próspero Giaffone, o Zeca, e seu filho Zequinha: presidente e diretor técnico da Giaffone Racing (Foto Duda Bairros/Vicar)

Já a modernidade técnica tem nome e sobrenome: Zeca Giaffone. Se hoje a JL Indústria é responsável pelos carros e motores da categoria sob a marca Giaffone Racing, é porque o campeão de 1987 investiu na ampliação da então fábrica de kart, adquiriu equipamentos de última geração, ampliou a equipe para cerca de 130 funcionários e comprou os motores nos Estados Unidos. Precisou que alguém acreditasse no projeto da “nova stock”, investisse capital próprio e partisse para o trabalho, sabendo que a recuperação do investimento só aconteceria lá na frente.   

Em suma, a Stock Car tem heróis. Dói no coração saber que há centenas de pessoas fundamentais que aqui não são citadas. Entretanto, por justiça histórica, é absolutamente verdadeiro dizer que não haveria 500ª prova a comemorar, muito menos 40 anos a celebrar, não fossem pessoas como Affonso Giaffone Junior, Washington Bezerra, Antonio de Souza Filho, Paulo Gomes, Ingo Hoffmann, Chico Serra Carlos Col e Zeca Giaffone.

Ingo Hoffmann, Paulo Gomes e Chico Serra: Absolutos nas pistas e muito atuantes na Associação (Foto Duda Bairros/Vicar)

Capa/Destaque: Com o Chevrolet Opala 22, Paulo Gomes foi o primeiro campeão da Stock Car, em 1979 (Foto Arquivo Vicar)

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1 COMENTÁRIO

Muito obrigado por participar. Forte abraço, Americo Teixeira Jr.