Piloto da Haas foi salvo pela segurança objetiva da Fórmula 1 atual, mas também por ter sido capaz de deixar o cockpit por conta própria

Por Américo Teixeira Junior

Romain Grosjean é levado para o centro médico do Bahrain International Circuit – Foto Andy Hone/LAT Images (Sakhir, Bahrain, 29.11.2020)

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Para além do fato principal, que foi Romain Grosjean sair praticamente ileso do pavoroso acidente no Grande Prêmio do Bahrain (29), algumas questões se sobressaem quando se procura entender o que se passou no circuito de Sakhir. Muitas delas, de tão limítrofes entre vida e morte, atormentam o pensamento sobre o que poderia ter acontecido.

A célula de sobrevivência, como um todo, mais o Halo salvaram o suíço radicado na França. Mas não só. Grosjean não foi resgatado, uma vez que saiu sem auxílio do carro. Tivesse ficado preso nos destroços, fraturado as pernas ou perdido os sentidos, o tempo envolto em chamas teria sido muito maior do que os 29s que levou para fugir da bola de fogo.

O primeiro extintor de incêndio acionado foi pelas mãos de um bombeiro, que estava posicionado logo atrás do posto de sinalização, distante poucos metros do local do acidente. Numa ação extremamente ágil, em questão de segundos estava descarregando o conteúdo enquanto caminhava em direção às chamas, mesmo que ainda distante destas. Enquanto isso, outro oficial atravessou a pista, passando pela frente do Medical Car, já estacionado, mas precisou ser ajudado pelo médico oficial da FIA, Dr. Ian Roberts, pois houve alguma demora no acionamento.

Os oficiais, principalmente pela excepcionalidade do acidente, agiram prontamente, mas fato é que alguns segundos poderiam contribuir para uma tragédia, fosse outro que não o estado de alerta máximo de Grosjean.

O outro aspecto expõe a deformidade do guard-rail. O carro partiu-se em dois porque uma parte ficou presa na placa de segurança, gerando uma espécie de torção e a consequente separação. Aparentemente, não houve rompimento do tanque de combustível, mas o fogo surgiu por causa do vazamento que se seguiu à quebra das conexões, tudo consequência da força exercida sobre o guard-rail.

A FIA abriu uma investigação e os resultados poderão constatar que seria impossível o guard-rail não sofrer deformação, tamanha a violência do choque. Entretanto, a análise desse ítem de segurança precisa ser feita, nem que seja para constatar – se for o caso – que os velhos e eficientes guard-rails já não são o bastante para a Fórmula 1. De todo modo, tudo o que tiver de ser feito não terá o peso de uma morte, o que é um gigantesco alívio.


Capa/Destaque: Reprodução de imagem gerada pela FOM

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