Felipe Nasr durante o primeiro treino livre de sexta-feira (Foto Beto Issa/GP do Brasil/Sexta, 07.11.2014)
Felipe Nasr durante o primeiro treino livre de sexta-feira (Foto Beto Issa/GP do Brasil/Sexta, 07.11.2014)

Por Americo Teixeira Jr., de Interlagos – Em Austin, os emissários de Felipe Nasr foram avisados pela direção da Sauber que, em solo norte-americano, seria anunciado um dos pilotos da próxima temporada. Foi uma forma de reiterar que a avançada negociação, até então em curso, não corria risco. Esse é apenas um dos detalhes dos bastidores sobre a chegada do piloto brasiliense de 22 anos ao time suíço. O tio Amir Nasr garante que a negociação só esteve concluída na quarta-feira, 5 de novembro, quando pôde ser anunciada. Entretanto, em razão da sua complexidade, há tempos que vinha sendo trabalhada.

Mas se há essa história recente que culminou no presente contrato, Felipe Nasr já tinha uma anterior com a equipe que defenderá a partir de 2015. Na verdade, essa espécie de “namoro” começou bem antes, em 2009. “O Felipe sempre teve uma coisa muito boa, que é a qualidade técnica dele. Isso sempre foi levado em conta e não é de agora. Então, esse interesse é antigo, desde a época da BMW. O primeiro ano do Felipe na Europa ficou marcado. Ali não teve maquiagem, não deu tempo para preparar ninguém, ele tinha 16 anos. Nunca tinha pisado na Europa nem a passeio. Ele começou o campeonato fazendo pole, ganhando e terminou assim. Todos os vínculos do Felipe com a Fórmula 1 vêem daquela época”, disse Amir.

Felipe Nasr e Felipe Massa (Foto Beto Issa/GP do Brasil/quinta, 06.11.2014)
Felipe Nasr e Felipe Massa (Foto Beto Issa/GP do Brasil/quinta, 06.11.2014)

Em razão dos resultados obtidos na Fórmula BMW naquele ano de 2009, o jovem piloto ficou muito próximo dos comandantes da então equipe BMW Sauber. Tornaram-se constantes os cumprimentos de Mario Theissen e Peter Sauber, a ponto de o fundador da equipe sediada em Hinwill, na Suíça, manifestar que, em sendo mantida aquela balada, seria bom tê-lo consigo algum dia. Claro que o caminho ainda seria longo, como de fato o foi, mas Felipe quase que teve o gostinho de andar pela primeira vez na Fórmula 1, em 2010, como prêmio pelo título do ano anterior. Mas não aconteceu porque a parceria capitaneada pela montadora alemã terminou e a BMW deixou a Fórmula 1.

Isso, porém, não foi impedimento para que o contato permanecesse, muito pelo contrário, e não apenas com Peter Sauber, que se manteve na categoria, retornando à condição de dono de um time privado. “Uma coisa que admiro muito no Felipe é a cara de pau de conversar, ele mesmo ir trás. Felipe é muito decidido e muito seguro”, disse Samir Nasr, seu pai. “Nesse tempo todo conversamos com praticamente todas as equipes e esses contatos nunca foram encerrados”, destacou o tio, acrescentando que, em sua saída da Williams, todas as portas ficaram “super abertas”.

Ms se o momento agora é de alguma comemoração, o desafio está apenas começando. “Quando o piloto chega a esse nível, tudo o que ele fez antes não vale mais nada. O que vale é a partir de agora“, disse Amir, que em 2009 participou de um decisão que, se tomada de outro modo, poderia terposto tudo a perder ou mudado radicalmente a carreira do menino. “O meu sonho e o do Amir era que ele corresse aqui de Fórmula 3, se preparasse bem e depois pensaríamos numa equipe lá fora. Infelizmente, a gente não conseguiu fazer isso porque ele seguiu em frente muito rápido. A decisão de deixá-lo ir ou mantê-lo com a gente foi muito dura porque ele tinha acabado de completar 16 anos. Era um menino e o Antonio Ferrari na época queria que ele fosse para a Europa. Eu conversei com o Amir que talvez não fosse a hora ainda, mas era a hora e ele foi”, relembra Samir, sem esconder que o coração de pai quase que impediu aquele passo que viria a ser decisivo.

Samir acrescenta que, talvez, o filho já estivesse preparado desde garoto, quando vinha para São Paulo sozinho, com aquela documentação de menor pendurada no pescoço, e recebido no aeroporto somente por pessoal autorizado. Isso sempre acontecia nas tardes de sexta-feira, pois nunca lhe foi permitido perder aulas por causa do kart. “Isso para dizer que ele sempre se virou sozinho e acho que a grande força dele é dele mesmo. Ele se vira com o que tem, nunca teve facilidades e não é agora que vai ter”.

Felipe Nasr durante o primeiro treino livre de sexta-feira (Foto Beto Issa/GP do Brasil/Sexta, 07.11.2014)
Felipe Nasr durante o primeiro treino livre de sexta-feira (Foto Beto Issa/GP do Brasil/Sexta, 07.11.2014)

 

1 COMENTÁRIO

  1. Noto com essa história uma essência de campeão assim como o Fittipaldi, Piquet e Senna que realmente ralaram no inicio da carreira e principalmente foram audaciosos em certos momentos não se limitando mediante a imposições como demais pilotos brasileiros que acabaram por sucumbirem suas carreiras com tempo… espero de verdade que o Felipe Nasr obtenha sucesso nessa nova escalada.

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