O mexicano já tinha sido excluído da coletiva de imprensa, na manhã de ontem (30), em razão de resultado inconclusivo; a contaminação foi confirmada horas depois

Por Américo Teixeira Junior

Sergio Perez esteve no México, para visitar a mãe enferma, logo após o GP da Hungria – Fotos Glenn Dunbar/Motorsport Images (Budapest, Hungria, 19.07.2020)

Sergio Pérez testou positivo para Covid-19 nesta quinta-feira, 30, véspera do primeiro dia de treinos para o Grande Prêmio da Inglaterra, marcado para domingo, 2, no autódromo de Silverstone. O alemão Nico Hulkenberg será seu substituto. Fosse catapora, caxumba ou qualquer outra doença, obviamente que seria lamentada sua ausência, mas seria questão particular da Racing Point. Entretanto, trata-se de um episódio central, com reflexos em toda a categoria – e até mesmo para o esporte em geral: a bolha da Fórmula 1 falhou.

Justiça seja feita, pois o Liberty Media e FIA tudo fizeram para criar uma atmosfera segura para seus membros, permitindo inclusive que milhões de dólares se esvaíssem por entre os dedos, dada a constatação de que era impossível abrir as portas para o público. Foram além, até: estabeleceu-se um modelo na elaboração e cumprimento de protocolo.

Foi, sim, um desafio gigante enfrentado à exaustão. Mas não foi suficiente. Por que?

A resposta pode gerar debate, inclusive sobre a conduta do competidor, mas a essência é relativamente simples: não há no mundo um lugar seguro o bastante quando se está em circulação e em níveis diferentes de comprometimento. Não é por outro motivo que a melhor defesa é ficar em casa.

A Fórmula 1 – e qualquer outra categoria – pode criar o mais eficiente ambiente anti-contágio, mas ainda assim os vulneráveis e/ou desavisados estarão ao alcance das garras do vírus. Basta uma única pessoa contaminada num voo local, desses que não costumam lotar, para que seja desencadeado o processo multiplicador impossível de ser bloqueado.

É, sem dúvida, um pesadelo para a Fórmula 1 a constatação de que seu perfeito mundo asséptico não é tão perfeito assim. E se nem a Fórmula 1 conseguiu conter o coronavírus – e eventualmente seus membros-, há de se pensar, de forma mais objetiva, o cada um de nós está fazendo nesses tempos de presente inquietante e futuro preocupante.

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