Não é só no meio político brasileiro que as reputações são destruídas

Por Américo Teixeira Junior

É inconcebível um tetracampeão do mundo passar por momentos tão humilhantes como os que Sebastian Vettel vive atualmente na Ferrari. Dispensado antecipadamente sem uma proposta sequer, relegado ao posto de segundo piloto, ficando apenas com os restos e sabendo que ao final da temporada estará cuidando da vida em outras praças, não é possível que toda uma reputação – construída ao longo de 244 Grandes Prêmios, 52 vitórias, 57 poles, 120 pódios, quatro títulos mundiais e três vices – esteja nessa máquina italiana de triturar currículos e sentimentos.

O contrato entre Ferrari e Vettel deve ser suspenso desde já, de modo que o alemão possa respirar novos ares e iniciar a trajetória rumo À nova equipe – a Aston Martin a partir de 2021 – de uma maneira mais tranquila, sem ter de vivenciar essa situação.

Que Charles Leclerc é o primeiro piloto da Ferrari, já está claro. Na medida em que Vettel não renovou contrato e o monegasco teve o seu ampliado até 2024, é lógico que a opção preferencial da Ferrari neste momento é por Leclerc. E está perfeito, pois a Ferrari trabalha assim, muitas equipes trabalham assim. Só que o modus operandi da Ferrari é jogar todas suas fichas num piloto e deixar o outro, digamos, com o pires na mão.

Em momentos importantes, quando a Ferrari dominou completamente (espécie de Mercedes na época de Michael Schumacher), evidentemente as coisas estavam num nível tão bom que a assistência ao segundo piloto não era tão discrepante, embora fosse. Só que, em comparação com o que está acontecendo agora, é absurdamente descomunal essa diferença. A Ferrari vive em desespero por resultados. De um jeito ou de outro, Leclerc já foi ao pódio duas vezes esse ano e Vettel está nessa situação vexatória.

Não existe necessidade nem contratual, nem financeira, nem de logística ou de organização esportiva para que um piloto desse gabarito posse por uma fase tão ruim.

A gente não pode esquecer que Vettel tinha 19 anos e 11 meses quando estreou no Grande Prêmio de Indianapolis, em 2007, pela BMW Sauber, substituindo o polonês Robert Kubica, que havia sofrido um grave acidente na prova anterior, em Montreal. E nesse primeiro, no histórico Indianapolis Motor Speedway, marcou seu primeiro ponto ao chegar em 8º. Venceu o Grande Prêmio da Itália, em Monza, em 2008. Foi vice-campeão mundial no primeiro ano de Red Bull, em 2009, e depois conseguiu quatro títulos mundiais consecutivamente.

É um histórico brilhante, é alguém que merece respeito e que não pode, de jeito nenhum, ser exposto à execração pública, como a Ferrari está fazendo. Se eu pudesse falar diretamente a Sebastian Vettel, eu falaria: Tiãozinho, pegue sua malinha e cai fora daí, não está lhe fazendo bem. Prepare-se legal para o ano que vem.

E você, o que acha?

Clique aqui e veja o vídeo completo na conta do Grande Prêmio no Dailymotion

Capa/Destaque: Foto Ferrari Media

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here