Celebrar a memória de Ayrton Senna é enaltecer o amor pelo automobilismo

Por Américo Teixeira Junior

Ayrton Senna e o Lotus 97T no Grande Prêmio do Brasil de 1985 (Foto MIGUEL COSTA JR.)

Ayrton Senna não era um piloto acomodado. Pelo contrário, sua dedicação chegava às raias da obsessão. Mergulhava com apetite inesgotável sobre os detalhes técnicos e, na busca daquilo que entendia como perfeição, exercia pressão sobre si e a equipe. Nunca dizia que o carro estava perfeito, nem se o modelo em questão fosse o MP4/4. Havia sempre algo a ser alcançado em termos de eficiência.

Era um competidor duro, embora não fosse desleal. Não era vingativo, salvo com Alain Prost. Não se importava em massacrar o companheiro de equipe, mas se restringia à pista e não alimentava humilhações fora dela. Era uma pessoa reservada, tanto que poucos puderam observar o carinho que dispensava a quem era grato.

Era rápido, muito rápido. Tão rápido que venceu com ou sem o melhor carro. Como piloto de Fórmula 1, fez parte de uma geração verdadeiramente maiúscula em termos de talento, mas levou algum tempo para entender a política, pejorativamente falando, da categoria. Quando amadureceu, transformou-se numa espécie de leão a rugir quando necessário. E, na dúvida, rugia também.

Não era um deus, não era perfeito, não tinha vocação para santo, não era um primor de gentileza. E não há problema nisso, pois não entrou no automobilismo buscando a santidade. Ele queria ser piloto e, como piloto, queria vencer. Em busca desse objetivo, foi um gigante.

Quem teve a oportunidade de ver Ayrton na pista – e mesmo pela TV -, certamente concordará que se tratava de um piloto com uma condução linda, arrojada, técnica e veloz. Impaciente também, às vezes.

Se o transformaram em lenda, mito ou santo, ele não teve nada com isso. Se seu nome passou a ser marca comercial, cobrem dele apenas pelos negócios que criou. De adoração quase religiosa, muito menos. Se tem quem não goste dele ou até o odeie, igualmente não lhe deve ser creditado na medida plena.

Ayrton Senna, enfim, era apenas um piloto. Mas um genial piloto, alguém com tanto talento e tanta entrega pessoal que se destacou entre os melhores. E entre os melhores ficará para sempre, mesmo tendo partido tão cedo.

Sim, adorava esse piloto e tenho muita, mas muita saudade dele.

Capa/Destaque: Foto Instituto Ayrton Senna

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