O piloto italiano venceu do GP da Itália do último domingo (5) e quebrou um tabu de 60 anos e dois dias, desde o último conterrâneo a subir o degrau mais alto do pódio em casa
Por Américo Teixeira Jr.
A vitória de Kimi Antonelli no GP da Itália, conquistada neste domingo (6), foi a mais importante da sua carreira e se soma às seis anteriores, todas com o F1 W17 da Mercedes AMG Petronas F1 Team, nesta temporada. Tal resultado o credencia, mais do que nunca, à condição de principal favorito ao título de 2026. Entretanto, o feito do piloto italiano não pode ganhar ares divinais e está longe de ter sido heróico.
Sim, foi uma vitória importante diante de um público que, embora torcedor aparentemente majoritário da Ferrari, viu no conterrâneo uma manifestação de competência que interrompeu um hiato de 60 anos. Desde 1966, quando Ludovico Scarfiotti faturou o 37º GP da Itália no dia 4 de setembro com Ferrari 312, um piloto italiano não vencia essa prova em Monza.
É verdade que o piloto de 20 anos largou em 19º, punido que foi pela troca de elementos do motor. Em 18 voltas, de 53, já ocupava a liderança pela primeira vez, num duelo com seu teammate George Russell. Estatisticamente, só perde para John Watson, irlandês que venceu o GP de Long Beach, em 1983, depois de largar em 22ºcom McLaren MP4/1C.
Entretanto, há elementos que precisam estar postos para dar moldes reais à sétima vitória de Antonelli na Fórmula 1. Para começar, falar em “excelente corrida de recuperação” é um exagero. O correto é substituir o verbo ‘RECUPERAR’ pelo “ALINHAR”. O que ele fez foi simplesmente uma corrida de realinhamento até encontrar os seus. Em sete voltas já estava 6º.
A partir do momento em que se postou no grupo da frente, passou a travar embates que levantaram a torcida, mas até mesmo esse avanço, com inúmeras ultrapassagens, foi supervalorizada. Em que pese elemento importante para o espetáculo, o processo de recuperação de energia, diferente em cada carro, foi determinante.
Feitas essas ponderações, o que se constata é que Kimi Antonelli é um piloto fora do comum. Verdadeiramente, só mesmo uma situação extremada impedirá que Antonelli se torne o campeão do mundo mais jovem da história da Fórmula 1.

Fotos Jiri Krenek/Mercedes F1 Team.