Os dirigentes estaduais alegaram ser inelegível Luiz Henrique Lima Caland, candidato a 1º vice-presidente, por condenação na justiça

Por Américo Teixeira Junior

Luiz Caland é o pivô do pedido de impugnação da chapa liderada por Milton Sperafico – Foto CBA

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Onze presidentes de federação protocolaram pedido de impugnação da chapa do ex-piloto paranaense Milton Sperafico, de oposição, à presidência da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA). O motivo alegado é uma condenação contra o candidato à 1ª vice-presidência, Luiz Henrique Lima Caland, que o tornaria inelegível até 2022. Há também menção a outro processo, deste ano, que inclui prisão em flagrante.

Os signatários são ligados à chapa de situação liderada pelo dirigente maranhense Giovanni Guerra, da situação. O pleito em questão escolherá a nova diretoria para o quadriênio Janeiro 2021/Janeiro 2025, em eleição marcada para o dia 15 de janeiro de 2021.

Segundo documentação protocolada, datada de 09.12.2020, em 2012 Caland “foi condenado, em sentença definitiva, por crime doloso de interceptação qualificada … na qualidade de empresário do ramo de produtos e equipamentos médicos, … adquiriu um aparelho de ultrassom, avaliado em R$ 50 mil, por R$ 2 mil, oferecendo-o, posteriormente, à venda“.

O artigo 23 da Lei Pelé impõe “inelegibilidade, por 10 anos, de seus dirigentes para desempenho de cargos e funções eletivas ou de livre nomeação de condenados por crime doloso em sentença definitiva“. De fato, Caland tentou se candidatar a deputado federal por Goiás nas eleições de 2018, mas foi impedido pela justiça eleitoral.

Sobre caso que se passou em 25 de março de 2020, o documento informa que “Sr. Caland foi preso, em flagrante delito, por fabricar e comercializar, sem autorização do poder público, álcool em gel“. É, ainda, acusado de adulteração, pois em lugar de 70% de teor alcoólico, “não tinha sequer 40% do referido teor, em média“.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios ofereceu denúncia em 2 de setembro deste ano e o acolhimento se deu pela 2ª Vara Criminal de Brasília. Intimado, Caland apresentou defesa em 24 de setembro, mas o juiz não vislumbrou aplicação de absolvição sumária. “Posto isso, designe-se data para audiência de instrução e julgamento“, determinou.

Milton Sperafico: “vamos até as últimas consequências”

O candidato Milton Sperafico manifestou indignação e disse que sua chapa continua coesa. Apesar de reconhecer que precisará conversar com seus advogados, já antecipou que a chapa partirá para a defesa. Relembrou que “na outra eleição [2017] perdi, sai bem quieto, dei os parabéns para o Dadai [Waldner Bernardo, o eleito], mas agora eles [chapa de situação] passaram dos limites“. E prometeu: “vamos até as últimas consequências“.

Já Luiz Caland, atual presidente da Federação de Automobilismo do Distrito Federal, confirmou que, de fato, as ocorrências citadas aconteceram. Entretanto, alegou que ambas envolveram sua empresa e acabou respondendo por ser o proprietário.

Sobre a condenação, explicou que “um funcionário que fazia manutenção em equipamentos, comprou um aparelho para retirar peças, mas [havia] uma restrição de roubo; fui responsabilizado por ser o proprietário da empresa“. Após decisão em última instância e sem haver mais chance de recorrer (o chamado trânsito em julgado), Caland foi condenado a três anos de prisão, mas o cumprimento da pena foi revertido em horas de prestação de serviço à comunidade. “Tive um indulto pleno do caso“, explicou.

No outro caso, Caland aguarda a audiência ser marcada para apresentar nava defesa, segundo ele, já toda documentada. “Tentamos realizar um projeto de fabricar no Distrito Federal álcool em gel, [pois] tenho uma empresa, funcionários especializados, responsável técnico, farmacêutica e adquirimos os equipamentos necessários para tal“. Acrescentou que foram pagas as taxas da Anvisa, “conforme orientação que passaram à farmacêutica e, mesmo assim, a vigilância sanitária local achou no direito de nos responsabilizar, mais uma vez por eu ser o dono da empresa“.

Assinaram o pedido de impugnação os seguintes dirigentes:

Admir Gelsemino Chiesa – Federação de Automobilismo do Estado de Santa Catarina (FAUESC);

Antonio José Vieira – Federação de Automobilismo do Estado do Tocantins (FAT);

Lutianne Dantas Soares – Federação Cearense de Automobilismo (FCA);

Carlos Antonio Ferraz Teixeira – Federação Pernambucana de Automobilismo (FPEA);

Otávio Ribeiro Coutinho Sobrinho – Federação de Automobilismo do Estado da Paraíba (FAEP);

Michel de Aguiar Cachina – Federação Potiguar de Automobilismo (FPARN);

Giovanni Ramos Guerra – Federação de Automobilismo do Estado do Maranhão (FAEM);

Miguel Jacob Miguel Filho – Federação de Automobilismo da Bahia (FBA);

Jeferson Cavalcante Magalhães – Federação Alagoana de Automobilismo (FAA);

John Kennedy Fonseca – Federação Sergipana de Automobilismo (FSA);

Leonardo Soares Lages Gonçalves – Federação de Automobilismo do Estado do Piauí (FAEPI).

Capa/Destaque: Milton Sperafico – Foto Divulgação

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5 COMENTÁRIOS

  1. EM TEMPO:
    Temos dirigentes com qualificações suficientes para tentar salvar a CBA, apesar das barreiras criadas pelos incompetentes viajantes, tomo a liberdade de nomina-los mesmo sem suas autorizações, são eles:
    GEOVANE atual candidato, que não participa deste tapetão e que desde minha administração se dedicou a divulgação do KARTISMO , berço de nosso Automobilismo e, diferentemente do que se pensa, NUNCA representou o Brasil as custas da CBA, suas viagens e estadias eram pagas por ele.
    O segundo seria o HARODO SCIPIAO um dos dirigentes mais SÉRIO, COERENTE, RESPONSÁVEL e CONHECEDOR A FUNDO DE NOSSO AUTOMOBILISMO TANTO NA PARTE TECNICA,DESPORTIVA e POLITICA.
    Vão pensar que esqueci do Pedro Sereno de Matos , porém, não o cito pois se tirarmos ele do Kart perderemos nosso maior e melhor organizador e promotor dos últimos 20 anos.
    Paulo Scaglione

  2. Desde criança espero que o automobilismo se torne algo viável no Brasil. Incrível como a CBA nunca fez NADA pelo esporte a motor. Só ajuda stock car e categorias dos mesmos de sempre. Clube do Bolinha e tio Patinhas, amadores, incompetentes, responsáveis pela semi morte das categorias de base. Uma das maiores economias do planeta. Formula Ford,Vw, Chevrolet,espron, formula Renault, formula uno, formula 2000, é incontáveis outras,todas mortas, uma vergonha indefensável, estará nos livros do esporte a motor daqui 60 anos como a época mais miserável do nosso autobolismo.Parabens a todos os envolvidos.

  3. Esta situação se arrasta por 11 anos, um bando de incompetentes tomaram o poder com manipulações políticas e apoio de promotores que estariam descontente com a seriedade implantada na CBA. TIVEMOS UM PRESIDENTE QUE SE ORGULHAVA DE ESTAR NO SEU TERCEIRO PASSAPORTE, e rasgou os estatutos da entidade, ditou normas, usou dinheiro público para se ressarcir de crédito junto a promotor. ENFIM NOSSO AUTOMOBILISMO E DIRIGIDO POR ELEITOS POR FEDERAÇÕES QUE CONHECEM DE AUTOMOBILISMO ATRAVES DA SPORTV OU BANDEIRANTES. NOS 3 PASSAPORTES COM VIAGENS DE 1a.CLASSE MAIS O TREM DA ALEGRIA, NUNCA DEIXOU SEU VICE ASSUMIR.
    É O “P U D E R”.
    SEU SUBSTITUTO É IGUALMENTE DESCONHECEDOR DAS NECESSIDADES DE NOSSO AUTOMOBILISMO.
    Paulo Scaglione

  4. Muito Triste, a que ponto chega o jogo de interesses da Repubica do Nordeste, desde que assumiram conseguiram endividar a CBA, a ponto de Penhorar a sede, e Pior com apoio de Federacoes de Tocantis e Santa Catarina,

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