Confusões criadas pela Direção de Prova da FIA definiram o título da temporada da Fórmula 1

Por Américo Teixeira Junior

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A despeito de ser superado na última volta e ver escapar um título certo, Lewis Hamilton não é o símbolo da derrota do Mundial 2021. Esse “laurel” é inteiramente da FIA. É verdade que, como figura pública de um sistema, o australiano Michael Masi é o principal algo, mas nada mais errado do que responsabilizar uma pessoa física quando ela é tão somente partícipe de todo um processo.

Fosse uma partida de futebol, a FIA estaria amargando uma goleada de 10 a 0, pois vejamos:

1 – O falecimento de Charlie Whiting no dia 14 de março de 2019, na semana do Grande Prêmio da Austrália daquele ano, deixou descoberta uma área de fundamental importância e revelou a inexistência de uma espécie de “plano de sucessão”, um adjunto que pudesse cumprir o papel na ausência do titular;

2 – A escalação de Michael Masi, então direto de provas do V8 SuperCars australiano, foi uma alternativa emergencial, que se transformou em permanente;

3 – Apesar da abrupta transição entre Whiting e Mais, não foi ouvido o alarme que denunciava a necessidade de investir na formação de pessoal gabaritado para uma posição tão sensível;

4 – Mesmo não se envolvendo em análise e aplicação de pena durante uma prova, tarefa compartilha por quatro comissários desportivos, foi uma temeridade deixar tanta responsabilidade nas mãos de um profissional, em que pese de alto gabarito, sem a necessária experiência;

5 – A FIA ignorou o fato de Masi ter dificuldade para lidar com a pressão gigantesca dos chefes de equipe, em ruidosas comunicações, no decorrer da disputa;

6 – Ficou evidente que a forte disputa entre Max Verstappen e Lewis Hamilton, mais do que nunca, exigiria uma arbitragem impecável, sem erros. No entanto, bem antes de Abu Dhabi, já era visível uma atuação repleta de questionamentos;

7 – Um regulamento dúbio gerou confusão inclusive na cabeça do diretor de provas, que não diferenciou um artigo, que estabelece responsabilidade, de outro, mais abrangente, que detalha procedimentos;

8 – Dentre todos os vexames de Abu Dhabi, a indecisão entre realinhar ou não os carros, durante o Safety Car provocado por Nicholas Latifi, sob berros de Christian Horner e Toto Wolff, foi o ápice da ausência de autoridade;

9 – Por obra da Direção de Prova, mesmo que involuntariamente, a épica disputa entre Hamilton e Verstappen perdeu seu papel de destaque para um juiz errático;

10 – Por fim, Max Verstappen é o legítimo e merecido campeão mundial, para sempre haverá essa caraterística a ser lembrada, a de ter sido favorecido por uma decisão equivocada da Direção da Prova da FIA.

Foto STEVE ETHERINGTON/MERCEDES-AMG (Yas Island, Abu Dhabi, 12.12.2021)

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