O episódio serviu para mostrar que os dirigentes não foram capazes de administrar a crise

Por Américo Teixeira Junior

Sebastian Vettel deixou a Austrália antes mesmo que a decisão oficial de cancelamento fosse tomada – Foto SCUDERIA FERRARI PRESS OFFICE (Melbourne 12.03.2020)

A Fórmula 1 é sinônimo de eficiência nos mais diversos aspectos, mas foi negligente ao subestimar a crise mundial do coronavírus, agora uma pandemia que já matou mais de 5500 pessoas, em números atualizados nesta manhã de sábado, 14. Resultado disso foi um festival de incertezas até o cancelamento do Grande Prêmio da Austrália, poucas horas antes daquilo que seria o início das atividades de pista em Melbourne, no dia 13 de março.

É verdade que o ineditismo dessa situação de descontrole pegou o mundo todo de surpresa – e com o esporte não foi diferente. E quanto maior o evento, mais difícil é o ato de seu cancelamento. Mas é igualmente verdade que já havia um quadro gravíssimo e, falando pontuadamente sobre esporte a motor, os problemas havidos com o Mundial de MotoGP já indicavam que medidas urgentes precisariam ser tomadas.

Por mais que os discursos posteriores tentassem passar uma ideia de planejamento e ações coordenadas, não foi o caminho correto o tomado pela Fórmula 1 desde o início. Sendo assim, aquele mesmo cancelamento, que dias antes poderia parecer ideia de maluco, foi a decisão que prosperou. Em escala menor, a IndyCar também tentou ir até onde deu em St. Pete, na Flórida, mas optou pelo mesmo desfecho do cancelamento, depois de anunciar medidas paliativas.

No fundo, é meio irrelevante discutir tudo isso, diante de uma tragédia de saúde pública mundial, que tem efeito nefasto na saúde mental do cidadão, antes mesmo até do que na integridade física. É uma guerra não convencional, sem bombardeios e escombros, mas com ataque invisível em curso ou iminente.

É fácil falar, estando fora do “olho do furacão”, que F1 e IndyCar erraram ou acertaram. Entretanto, se é que existe um lado positivo em tudo isso, as principais categorias serviram de exemplo para todas as demais. Ainda são incalculáveis os prejuízos financeiros a reboque, da mesma forma que é incerta a perspectiva de retomada das atividades em abril. De todo modo, de uma forma ou outra, o automobilismo se engajou no esforço mundial de combate ao coronavírus.

Kimi Raikkonen não é de falar, mas de agir. Em meio à balbúrdia do corre-não-corre na Austrália, o finlandês pegou as malas e voltou para casa – Foto ALFA ROMEO MEDIA

Capa/Destaque

A equipe McLaren “acendeu” o estopim para o cancelamento do Grande Prêmio da Austrália, quando anunciou sua retirada da prova, ainda no dia 12, em razão de um membro do staff, já em Melbourne, ter sido testado positivo para o coronavírus, o que provocou quarentena para outros 14 integrantes.

Foto STEVE TEE/Motorsport Images/McLaren Media (Montmeló, 24.02.2010)

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