Quiseram as circunstâncias que os atuais finlandeses da Fórmula 1 ocupassem posições de escudeiros em seus times, mas um deles parece ainda alimentar ilusões

Por Américo Teixeira Junior

Kimi Raikkonen e Sebastian Vettel: a dupla com a responsabilidade de faturar os títulos da temporada para a Ferrari, algo que aconteceu pela última vez em 2007 com o próprio Kimi entre os pilotos e em 2008, com o finlandês e Felipe Massa, no Mundial de Construtores (Foto Colombo/Ferrari)

Kimi Raikkonen e Valtteri Bottas são assemelhados não apenas na nacionalidade, mas também nas funções que exercem em suas equipes. Independentemente do discurso interno de cada time, a verdade é que o pai do Robin é escudeiro de Sebastian Vettel na Ferrari, da mesma forma que o companheiro da nadadora olímpica Emilia Pikkarainen (agora Bottas) faz o mesmo na Mercedes em relação a Lewis Hamilton. Simples assim.

Há de se observar que não há nada de “imoral, ilegal ou engorda” em ser segundo piloto, principalmente no caso dos dois finlandeses. Para começar, fazem parte do principal grupo em um esporte de altíssima performance, cuja visibilidade mundial e número limitado de vagas transformam 20 pilotos em expoentes, na acepção da palavra.

Salvo alguma traquitana muito bem escondida, têm ao dispor equipamentos praticamente iguais aos dos “escolhidos” e ganham bem. No quesito “salários”, sem contar eventuais parcerias comerciais de cada um, também estão parelhos. Estima a Forbes que embolsam anualmente algo em torno de € 6 milhões ou algo em torno de R$ 26 milhões. De fato, seus companheiros de equipes ganham muito mais. Bottas, em particular, é um “coitadinho” se comparado ao novo salário do inglês tetracampeão. Mesmo assim, ganha bem, convenhamos.

Mas o campeão mundial de 2007, aos 38 anos, é superior ao conterrâneo por ter maior clareza do papel que exerce, cumprir suas tarefas quase sempre de forma muito competente e se posicionar como elemento fundamental numa complexa “engenharia” que vale milhões. Bottas, mesmo 10 anos mais novo, reúne tantas ou mais qualidades, porém, ainda parece sofre com isso – e nesse sofrimento, às vezes, perde o rumo e pontos.

Talvez ainda lhe reste um pouco de ilusão, algo que Raikkonen, definitivamente, não mais as tem. Seja qual for o motivo de seus infortúnios, caberá ao piloto da Mercedes voltar mais forte do breve intervalo de verão. Seguramente, precisará disso para si, Mercedes e Lewis Hamilton.

Valtteri Bottas: Mercedes não será campeã – nem Lewis Hamilton – sem sua ajuda (Foto Wolfgang Wilhelm/Mercedes)
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1 COMENTÁRIO

Muito obrigado por participar. Forte abraço, Americo Teixeira Jr.