Por Américo Teixeira Junior – Coube ao engenheiro Waldner Bernardo ser a “voz” oficial da CBA no último fim de semana em Pinhais (5 e 6 de março), na etapa de abertura da Stock Car. Na pauta do presidente da Comissão Nacional de Velocidade, o escândalo dos comissários denunciado pela Folha de S. Paulo na segunda, 1, e as ações da entidade como reação ao episódio. Cumprindo agenda da FIA na Europa, o presidente Cleyton Pinteiro não compareceu ao evento.
O dirigente pernambucano, que é candidato a candidato da situação para as próximas eleições na entidade, começou a sua jornada conversando com Felipe Giaffone e Chico Serra, que ao lado de Robson Duarte (presidente da federação do Espírito Santo) formam a comissão criada pela CBA para investigar o caso.
Essa comissão, por sí só, já gerou controvérsias. Não pegou nada bem, para os críticos da administração Cleyton Pinteiro, a indicação de pilotos porque, numa primeira análise, fizeram supor que a entidade estaria, tão somente, transferindo responsabilidades.
Essa hipótese foi totalmente rechaçada por Dadai, como é mais conhecido. Explicou que a transparência e objetividade solicitadas pelo presidente Cleyton Pinteiro poderiam não ser bem entendidas pela comunidade automobilística se o caso fosse decidido internamente na CBA. A pluralidade que o caso exige está sendo conseguida, segundo o também presidente da Federação Pernambucana de Automobilismo, com os poderes dados para a comissão.
Avaliação técnica
Ficou claro que a comissão não punirá ninguém, apenas realizará um avaliação técnica e recomendará providências. Para o membro da CBA, o aspecto consultivo da comissão e o gabarito dos profissionais da comissão derrubam também outra tese, a de que os vínculos dos convocados com a entidade poderia causar algum desconforto para os mesmos. Numa visão mais radical, entendeu-se que Giaffone poderia ter a sua atuação como piloto da Truck prejudicada por comissários, da mesma forma que Daniel Serra, filho do tricampeão, poderia sofrer algum tipo de represália.
Segundo ele, essa visão é absurda porque o trabalho da comissão será técnico. Seus membros terão acesso a todas as pastas para verificar se houve alguma irregularidade. Reafirma que terão total autonomia para verificar os procedimentos e poderão, a critério exclusivo da comissão, até mesmo sugerir a contratação de uma auditoria externa.
A conversa com os membros da comissão surtiu efeito e impressão que ficou foi a de que a “batata quente” teria “esfriado” um pouco. De todo modo, o afastamento dos comissários e a criação da comissão não foram o bastante para evitar um certo clima de constrangimento e surpresa em Pinhais.
“Ficou muito surpreso com essa revelação e ficarei mais surpreso ainda se a denúncia for comprovada”, disse, para quem é praticamente impossível ser forjado um resultado numa vistoria técnica. Por ser uma “ciência exata”, trata-se de uma ação unicamente com o objetivo de saber se o regulamento está sendo cumprido ou não. Toda a análise do dirigente se baseia na questão objetiva em si, que são os diálogos contidos em um grupo de Whatsapp formado por aproximadamente 20 pessoas ligadas ao corpo técnico a entidade.
O seu entendimento de que o ato foi isolado e não possou de uma molecagem se baseia também em uma certeza pessoal. Afirmar saber quem vazou a diálogo para o jornal e qual foi a motivação. Mas corta qualquer tentativa de fazê-lo revelar: “Não tenho como provar”.
Apesar dessa linha de raciocínio, Dadai não nega que isso tudo pode ser algo maior do que uma mera vingança de uma membro descontente de uma equipe técnica. Embora não acredite, não afasta a hipótese de ter sido parte de uma conspiração, visto o – para usar um termo atual – vazamento seletivo. Afinal, este é um ano eleitoral também nas esferas da CBA.
Seja lá como for, a CBA precisa dar uma resposta convincente para o meio automobilístico brasileiro e rapidamente, com risco de ver mais abalada ainda a sua credibilidade e autoridade. A gestão Cleyton Pinteiro está vivendo um momento de grande pressão e em razão da dimensão que tomou, o episódio tem potencial de causar muito mais estragos do que já causou.
