Por Americo Teixeira Jr. – Há atitudes que pegam bem. Se espontâneas ou não, isso é outra história. Mas fato é que Sebastian Vettel tem colecionado algumas que dão a ele uma imagem cidadã, positivamente desconstruindo aquele conceito de que piloto é ser especial, quase um deus. Pode ser ainda algum quase imperceptível resquício do “automobilismo romântico” que teima em não me largar, mas continuo achando que Vettel tem um espírito saltitante, alegre, livre. Explico:
Cena 1: A primeira vez que vi Sebastian Vettel foi no Grande Prêmio do Brasil de 2006. Se hoje, aos 27 anos, ele ainda tem uma fisionomia juvenil, imaginem há oito anos atrás! Lá estava ele como piloto reserva da então BMW Sauber, cujos titulares eram Robert Kubica e Nick Heidfeld. Com os cabelos sempre bagunçados e sorriso no rosto, achei graça por ele estar sempre correndo de um lado para o outro. Mas não aquela correria normal de um Grande Prêmio, quando os pilotos quase sempre estão com cara fechada. Com Sebastian Vettel era diferente, estava saltitante. Coisa de moleque feliz.
Cena 2: Poucas coisas são mais impressionantes na Fórmula 1 do que o desmonte das equipes. É surpreendente a capacidade de seus membros para encaixotar tudo rapidamente, sem que um único parafusinho fique perdido pelo chão. Mas apesar de essa ser tarefa dos mecânicos, supreendeu o fato de Vettel, naquele já início de noite de Grande Prêmio da India de 2013, estar ele próprio carregando utensílios e empacotando coisas. Ele havia acabado de vencer a etapa e garantido por antecipação o quarto título mundial. Mas ele estava ali, ajudando a equipe, para que o trabalho terminasse mais rápido e permitisse que todos fossem para a festa do título.
Cena 3: Terça-feira, 25 de novembro de 2014. No primeiro dia dos treinos pós-temporada, apenas dois dias depois de suas últimas voltas com o carro da mesma Red Bull Racing que lhe acolheu na Fórmula 1 desde 2009, o piloto alemão já estava nos boxes da Ferrari. O fato de não ser possível pilotar o F14T, por contrato ainda pendente com a antiga equipe, não foi impedimento para que ele passasse boa parte do dia interagindo com seus novos parceiros de trabalho. Nas roupas, nada que lembrasse sua nova esquadra. No sorriso, um indicativo de que estava saltitante.
Que os deuses do automobilismo mantenham sempre saltitante o espírito desse moleque!


