Por Helio Castroneves (Coluna publicada hoje no Jornal Metro) – Oi pessoal, estou aqui me preparando para a corrida do Barber Motorsports Park, que acontece no próximo domingo no Alabama, mas vou pedir licença para falar na próxima coluna sobre o 2014 Verizon IndyCar Series. Hoje eu quero falar do Luciano do Valle. Confesso que estava ainda muito atordoado quando falei com o Datena na tarde de sábado, logo depois do falecimento do nosso amigo. Para falar a verdade, ainda estou. Queria escrever muita coisa sobre ele, mas parece que as palavras faltam quando a gente está emocionado, sei lá. Só sei, por exemplo, que não encontrar o Luciano em Indianapolis no próximo mês vai ser muito, muito estranho.
O profissional Luciano do Valle todo mundo conhece, mas eu tive o privilégio de conhecer a pessoa. Gente, era uma das pessoas mais gentis que conheci. Nunca encontrei com o Luciano sem que ele tivesse uma palavra carinhosa pra mim e para a minha família. Ele realmente torcia pelo meu sucesso e me apoiava o tempo todo.
Eu cheguei a ouvir críticas porque ele manifestava uma torcida muito grande pelos pilotos brasileiros durante as transmissões da Band. Mas o Luciano se tornou “imortal” porque esse era justamente o seu jeito de ser, muito autêntico e verdadeiro. Ele realmente se preocupava com a gente e tinha uma humildade que deixava todo mundo de queixo caído e apaixonado por ele.
Tem uma narração do Luciano que está marcada no meu coração de forma absoluta. Vocês sabem como foram difíceis aqueles momentos na Corte dos Estados Unidos. Graças a Deus minha irmã e eu fomos totalmente absolvidos e a verdade foi provada. Mas são nessas horas que a gente conhece os verdadeiros amigos. Era tanta crítica, notícias falsas e comentários maldosos que, confesso a vocês, eu teria ficado louco se tivesse me deixado levar por tudo aquilo.
Mas algumas pessoas estiveram do meu lado desde o primeiro momento. E quando eu digo “primeiro momento” era aquele em que saíam notícias de que eu ficaria preso por 30 e tantos anos e que minha carreira estava acabada. Num clima tão negativo como aquele, quando na cabeça de muita gente eu era culpado e fim de papo, algumas pessoas foram a público e me defenderam. E o Luciano foi uma dessas pessoas. Em minha defesa, o Luciano chegou a discutir com algumas pessoas, justo ele que era incapaz de dizer uma grosseria.
Então, naquela vitória em Indianapolis em 2009, o Luciano não fez apenas uma narração maravilhosa e cheia de emoção. Ele foi muito mais além. Ele que tinha sofrido comigo nos momentos mais desesperadores, estava chorando comigo de felicidade.
Gente, nunca eu vou esquecer o Luciano do Valle, uma cara tão gigante de alma e de coração que, tenho certeza, numa hora dessas ele está num lugar especialíssimo que Deus, pessoalmente, escolheu para ele. Uma honraria digna apenas dos “imortais”, como o Luciano. Meu amigo, valeu!
conheci bem os dois Helinho quer ver o Luciano feliz la em cima continue subindo nos alambrados !!!!