Se há uma coisa que a Fórmula 1 não pode menosprezar é a capacidade dos engenheiros em descobrir alternativas para driblar as regras, sem que isso incorra em ilegalidades

Por Américo Teixeira Junior

A melhor ultrapassagem na Austrália foi de Max Verstappen (Fotos
Mark Thompson/Getty Images)

Não foi pouca coisa o que mudou o regulamento da Fórmula 1 para esta temporada. Numa era em que o túnel de vento passou a ter papel fundamental na concepção de um carro de corrida, os profissionais especializados em aerodinâmica ganharam status.

Os avanços obtidos na batalha por vencer a resistência do ar, aumentar o grip, proporcionar turbulência para o carro que vem atrás e ampliar ganhos de performance passaram a fazer parte do projeto do carro desde sua base.

O fato de o novo regulamento atacar justamente essa área, deu um trabalhão danado para os projetistas. Mas isso foi assimilado em razão do motivo considerado nobre: aumento de competitividade nos Grandes Prêmios. Só que, aparentemente, “não combinaram com os russos”, pois as engenharias trataram de procurar novas soluções para compensar eventuais perdas.

No campo da teoria, as ultrapassagens seriam facilitadas a partir das novas medidas adotadas, dentre as quais se destacam a simplificação da asa dianteira, novas dimensões da asa traseira e ampliação da área para passagem de ar entre as aletas móveis do aerofólio traseiro.

É possível que a efetividade dessas medidas venha a ser comprovada em poucas corridas, mas não foi esse o caso do Grande Prêmio da Austrália. Mesmo com as limitações impostas, os carros ficaram mais rápidos e as ultrapassagens não brotaram com a força que se esperava.

Em termos de comparação, a pole de Lewis Hamilton, com o Mercedes W10, foi 0s164 mais rápida do que ele próprio fizera no ano passado com o W09. No quesito melhor volta, que agora ganhou status por contar com a bonificação de um ponto, Valtteri Bottas baixou em 0s364 o tempo obtido em 2018 com Red Bull RB14.

Em termos de ultrapassagem, a mais emblemática da corrida, a de Max Verstappen (Red Bull RB15) sobre Sebastian Vettel, ocorreu principalmente por deficiência de potência no Ferrari SF90. Há de se considerar que os agrupamentos possam ter tido influência regulamentar. De todo modo, será necessário esperar um pouco mais para constatar a eficiência ou o fracasso da medida.

2 COMENTÁRIOS

  1. Na verdade a quantidade de variáveis disponíveis num fenômeno aerodinâmico, e não só, é tão grande que os engenheiros da FIA podem regulamentar a aerodinâmica que ainda haverá espaço, ou variáveis, para explorar. Uma alternativa, já muito debatida, é diminuir a dependência aerodinâmica dos carros, mas o grupo que comanda a Formula 1 não tem interesse. Conclusão: a dificuldade em se ultrapassar será sempre assim com essa regulamentação.
    Abraços.

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