Pandemia descontrolada no território brasileiro impede que CBA, Federações e promotores tenham controle sobre seus próprios calendários

Por Américo Teixeira Junior

Em homenagem às vítimas do coronavírus, Rubens Barrichello e Ricardo Zonta, assim como os demais presentes ao pódio, não comemoraram com champagne na abertura tardia do Brasileiro de Stock Car – Foto Duda Bairros/Vicar (Goiânia, GO, 26.07.2020)

Depois de quase quatro meses de espera, o Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia (GO), pôde enfim sediar a abertura do Brasileiro de Stock Car. Mas se Ricardo Zonta e Rubens Barrichello foram os vencedores na pista de 3.835 metros neste domingo (26), representaram no pódio não apenas a si mesmos e suas equipes. Simbolicamente, foi também ao pódio a vitoriosa multidão, liderada pelo promotor Carlos Col, que fez acontecer uma prova que parecia, dias atrás, impossível de ser realizada. Não que tudo tenha voltado ao normal, mas foi uma vitória importante numa “guerra” que parece não ter “fim”.

Com a abertura do Autódromo Municipal José Carlos Pace e a segunda etapa do campeonato agendada para o dia 23 de agosto no circuito paulistano, talvez Carlos Col consiga alguns dias menos acelerados nas próximas semanas. Não seria nada mal para esse engenheiro mecânico de 66 anos, que viveu tempo enorme entre a “cruz e a espada”.

De um lado, a tragédia do Covid-19, que já havia matado 649.965 pessoas em todo mundo até às 15:00 desta segunda-feira (27), segundo dados da Johns Hopkins University (números certamente maiores quando o Leitor estiver lendo este texto). De outro, milhares de famílias dependendo direta ou indiretamente das corridas para sobreviver.

Nesse sentido, a pressão sobre Carlos Col foi seguramente gigantesca, pois responde pelos principais eventos do automobilismo brasileiro. Além de presidente da Vicar, empresa promotora da Stock Car, e CEO da Mais Brasil, responsável pela Copa Truck, tem a competição monomarca HB20 sob seu “guarda-chuva” na parte operacional.

Mas para além de aspirações esportivas das equipes e competidores, Coube ao empresário negociar com autódromos e autoridades públicas, sempre sujeito aos decretos de última hora. Foi o que aconteceu em Cascavel (PR). Depois de realizar a etapa da Copa Truck com êxito, colocando em prática pela primeira vez os protocolos da Confederação Brasileira de Automobilismo e dos órgãos de controle sanitário, a Stock Car já estava pronta para seguir o mesmo caminho na semana seguinte, mas um decreto do governo estadual fechou o autódromo dias antes daquela que seria a primeira corrida do ano.

Os próximos passos, a partir de agora, serão no sentido de promover mais 11 etapas. Se em tempos normais já seria difícil, nos atuais toda hora é hora para um novo susto, como o de Cascavel. Só como exemplo, enquanto as corridas aconteciam no domingo, diante de arquibancadas vazias, o estado de São Paulo registrava mais 89 mortos, perfazendo um total de 21.606.

Pensando bem, Carlos Col não terá chance para desacelerar.


Capa/Destaque

Carlos Col começou como piloto de Opala e hoje é o homem forte da categoria – Foto Duda Bairros/Vicar (São Paulo, SP, 25.08.2019)

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