Por Americo Teixeira Jr. – Nesses primeiros minutos dessa terça-feira, 16 de julho, não tenho condições de escrever nada. Talvez mais tarde. Agora, só a tristeza porque o meu Zampinha se foi … que merda!
Foto capa: Vinícius Nunes
Por agora, algumas linhas minhas traçadas tempos atrás sobre Marcus Zamponi … http://www.diariomotorsport.com.br/2009/11/revista-da-fasp-homenageia-o-jornalista-marcus-zamponi/
E mais, muito mais …
Flávio Gomes http://flaviogomes.warmup.com.br/2013/07/zampa/
Rodrigo Mattar http://amilporhora.com/2013/07/15/ao-mestre-com-carinho-2/
Eduardo Abbas http://www.ytools.com.br/site/?p=9&ac=1&id=201&n=2520
Milton Alves https://www.facebook.com/milton.alves.50?hc_location=stream
Tiago Mendonça https://www.facebook.com/photo.php?fbid=685222521493084&set=a.516886234993381.136386.100000160266005&type=1
Wagner Gonzalez https://www.facebook.com/wagner.gonzalez.37
Ricardo Berlitz https://www.facebook.com/rickberlitz?hc_location=stream

Bom…acho que com o dia passando agora dá para eu escrever sobre o Zamponi e um pouco da minha história de vida.
Quando eu tinha meus 10,11 anos chegado da Paraíba já tinha meus heróis no esporte á motor (Senna e Emerson, depois vieram Gil de Ferran, Zanardi, Bernd Schineider, Valentino Rossi, Ingo Hoffman, Sergio Jimenez, Bill Elliot e Troy Bayliss), mas como eu queria ocupar minha cabeça para não endoidar na solidão de São Paulo, afinal não arranjei amigos na escola, comecei a ler e acompanhar tudo o que passava na TV ou em revistas sobre automobilismo, foi nessa que ganhei mais 3 heróis; Você Américo, o Mestre Edgar de Mello Filho e o Marcos Zamponi, aquilo foi a descoberta do Ouro.
Com você Américo, tanto nas páginas da Racing como quando comentava Stock Car na Manchete (ou era Bandeirantes?) aprendi que quando se escreve ou comenta algo deve se ter sensibilidade e bom senso, com o Edgar aprendi que o esporte á motor não era só F-1 e F-Indy, e que a DTM quanto a Nascar eram demais, amava e ria das narrações dele.
Em 1997, procurando algo para ler e saber sobre automobilismo começei a comprar a Racing, e foi assim até 2005 quando eu tive que vendê-las para poder estudar, doeu, mas valeu a pena pois hoje sou um Técnico eletrônico formado e ainda estou terminando a Faculdade de Tecnologia (Fatec).
Bem, voltando a 1997, achava a Racing do cacete, as dicas do Otazu sobre patrocínio, suas matérias que eram incríveis, afinal nunca vou esquecer do teste que fez com Formula Truck em Cascavel, sua cobertura em Sebring, além da homenagem á outro puta Jornalista, o Cecílio Favoretto em 2000 (que ganhou um puta elogio do Zampa e um beijo diga-se), no final da revista tinha a coluna do Zamponi…putz quantas eu li, ri e me emocionei.
Aquela na qual ele fala de um teste na Inglaterra que viu do Emerson com o amigo Julio Cezar Chateubriand, onde o título era “Emerson, a Estrela Guia”, a história dos bifes na cueca, a coluna onde ele te elogiou sobre o texto do Cecílio, que ele conta as doideras que fez na Argentina em uma cobertura da F-1, a equipe que fez um carro Fake para os Japoneses da Colorado RQ, no qual um Japa bêbado tentou dar partida no carro e fundiu tudo, a conclusão da qual ele chegou que por causa da adrenalina, os pilotos de corrida eram brochas kkkkk, essa foi foda, eu lembro do texto e começo a rir sozinho, a emocionante história da senhora que pediu para o dono de uma loja que era amigo do Senna as sapatilhas que ele usava, que iriam para Leilão, que foram dadas pelo rapaz que ouviu da Senhora: “muito obrigado, esses chulezinhos faziam minha alegria nas manhãs de Domingo”, as história do Roberto Pupo Moreno, o “Baixo” que sem um puto no bolso, correndo de Formula Atlantic, punha tempo no já renomado e endinheirado Michael Andretti…emfim, foram colunas e mais colunas que eu lia mesmo em momentos difíceis da vida, na qual eu aprendi TUDO o que eu sei de automobilismo.
Não esqueço de um editorial em que o Sergio Quintanília chamava o Zampa de “Anjo Pornográfico do Automobilismo”, uma espécie de Nelson Rodrigues de graxa, mas na verdade ele fez o texto para não pagar a aposta que fez com o Zampa, e foi cobrado em sua coluna, de que o Rubens Barrichello ganharia uma corrida em 1998, no caso o Zampa ganhou a aposta e até hoje não sei se pagou. Eu também não esqueço de uma coluna sua Américo na qual se preocupava com o Zampa, pois em 2001 ele quase morreu enfartado e você com aquele carinho de irmão recomendava os remédios rsrs
Cresci, meus ídolos viraram pessoas que eu admirava pelo trabalho, alguns dos heróis das pistas eu conheci, outros não, os três da escrita e fala conheci, tive o prazer Américo de dividir salas de imprensa na Indy e na Stock contigo, no qual como um “piroco” (termo inventado pelo Zampa em uma das suas colunas no qual eu me identifiquei por imediato, que serve para mim e para você) conversamos sobre automobilismo e eu pensava: “Não acredito que tô conversando com o Américo e mais incrível, trabalhando com ele!”. O Mestre Edgar conheci em uma cabine de narração onde conversamos sobre automobilismo, musica e as Gauchas hahaha, esse é gênio, já o Zamponi conversei uma vez só em 2002 na final da F-Renault, na verdade só o cumprimentei tremendo pra cacete falando que adorava suas colunas, ai ele disse: “Valeu merrrrrrmão, manda carta ou e-mail pra RRRacing falando bem de mim!” Puta figura.
Zampa era aquele cara das antigas, que não só ficava em uma sala de imprensa nem em frente de um computador no bom e no melhor, batia perna nos boxes, conversava, fuçava e descobria as coisas, pessoas, cheiros e barulhos do automobilismo, é uma das espécies cada vez mais raras de no automobilismo, onde você Américo e alguns poucos se incluem,aquele cara que ia ver corridas porque gostava, não para ganhar brindes nem ingressos de graça ou mesmo ganhar de maneira desonesta dinheiro no automobilismo, algo que vemos muito hoje em dia.
Em um mundo onde as pessoas querem mudar as coisas com protestos, mas tem a incapacidade de pedir com licença ou de ser solícito para ajudar, um cara alto, gordo, que não pensava em mandar alguém se foder mas era a primeira pessoa a se oferecer em um momento de dificuldade vai fazer uma puta falta.
Não somos preparados para a morte, e nunca seremos, sabemos que é do jogo, mas dói, principalmente por essa doença do século chamado Câncer, são muitas pessoas que eu gosto na qual vejo que já foram, é quando acontece isso vejo que tenho que me cuidar, afinal estava muito mal de saúde, mas agora estou me recuperando e vou fazer algo que o Zampa sempre fez na vida; ficar com os amigos e as pessoas que gosta.
Acho que é isso, não tenho mais o que escrever, afinal meus olhos estão cobertos do dolorido líquido, que ele esteja em Paz e obrigado tanto ao Zampa, quanto ao Edgar e você Américo por tudo que me ensinaram sobre automobilismo, de coração um beijo e Deus os abençoe, caso acreditem nisso.