Meu amigo Clóvis morreu e nem sei direito o que escrever

O jornalista Clóvis Grelak faleceu nesta quinta-feira, 10, aos 67 anos

Por Américo Teixeira Junior

Embora inusual neste Diário Motorsport, peço licença para me manifestar em primeira pessoa.

Vamos lá …

Sempre abominei a expressão “não tenho palavras para …”, principalmente quando saída da boca de um jornalista. Todo jornalista que se preze tem obrigação de “ter palavras”, afinal, é esse seu ofício. Mas há casos cujas palavras, embora as tendo, se manifestam com enormes dificuldades. Esse é um desses casos e o motivo tem nome e sobrenome: Clóvis Grelak.

Se o jornalismo esportivo acordou ontem, 10, impactado com o falecimento de Claudio Carsughi, horas depois veio a notícia do falecimento de Clóvis. Não foi uma surpresa. Infelizmente, seu estado de saúde era grave o bastante para que o desfecho já fosse aguardado.

Para mim o que fica é a lembrança de um Clovis amável, gentil, colaborador. Um Clovis muito divertido e que me dispensava uma atenção para além do meu merecimento. O texto abaixo, assinado por Luc Monteiro e Silvana Grezzana, mostra muito bem quem foi ele.

De minha parte, fico feliz por tantos momentos, com destaque para um deles. Por um curto período, este Diário Motorsport promoveu um concurso para enaltecer os melhores do jornalismo de automobilismo e, num dos anos, Clovis foi distinguido com o título de melhor assessor de imprensa. Sem dúvida, aquele momento foi uma das alegres lembranças, dentre tantas, que Clovis deixou em mim e, certamente, em todos os que o cercavam.

Beeeijos, meu amigo!”

A imprensa paranaense despediu-se nesta quinta-feira de Clóvis Grelak. Aos 67 anos, o jornalista estava internado na UTI do Hospital São Lucas, em Cascavel, havia mais de dois meses, período em que lutou contra complicações decorrentes de infecções que sucederam uma cirurgia para extração de cálculos glandulares, agravadas a partir da detecção de um fungo na corrente sanguínea, que levaram à falência múltipla de órgãos.

Gaúcho de Nonoai, onde nasceu em 10 de fevereiro de 1959, José Clovis Grelak estava estabelecido desde a década de 80 em Cascavel, onde direcionou sua atividade profissional à cobertura do esporte automotor. Foi sócio-fundador da Grelak Comunicação, agência que desde 1996 dá cobertura à ação de pilotos e equipes e a eventos de uma série de competições de automobilismo e motovelocidade.

Formado em Jornalismo pela Univel, Clovis Grelak era dono de reconhecida veia humorística, retratada ao longo de anos de participação na seção “Salada Mixta” do extinto diário cascavelense “A Cidade”, um dos vários veículos de comunicação pelos quais passou em sua trajetória na imprensa. Escreveu, ainda, um livro de crônicas ambientadas em contextos históricos do Corinthians, seu clube do coração – a obra não chegou a ser publicada.

Em 2016, ano de sua homenagem pela Câmara Municipal de Cascavel com o certificado Honra ao Mérito pela atuação no jornalismo e contribuição à projeção do nome da cidade no cenário nacional, Grelak lançou a biografia “Muffatão: história & histórias de Pedro Muffato”. A família, atendendo a desejo manifestado pelo jornalista, confirmou que não haverá velório. O corpo será cremado nesta sexta-feira (11) em Cascavel.

Luc Monteiro / Silvana Grezzana

Leave A Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *