Categoria de monopostos é vitrine de uma “revolução” de tecnologia e costumes que já está em curso

Por Américo Teixeira Junior

A Williams Advanced Engineering desenvolveu a primeira geração de baterias para os carros Gen1 da Fórmula E (Fotos Fórmula E Media)

Muito além de uma categoria global de automobilismo em sua quinta temporada, a Fórmula E também é, por sua própria razão de ser, o palco para sofisticados avanços tecnológicos que surgem na velocidade do futuro que já está batendo na porta. No meio disso tudo, surgem Williams e McLaren, que podem até viver maus momentos na Fórmula 1, mas já são expoentes desses novos tempos.

É verdade que as organizações fundadas por Frank Williams e Bruce McLaren, ainda nos anos 60, nasceram e viveram longos anos exclusivamente como equipes de competição. A McLaren foi fundada em 1963 e a Williams três anos depois; ambas chegaram à Fórmula 1 em 1966 e 1969, respectivamente. Esse status de organização esportiva foi sendo alterado aos poucos, entre os anos 80 e 90, mesmo que ainda no segmento carros. Em pouco tempo, não eram mais meras equipes.

De lá para cá, em que pese a manutenção da atividade original, Williams e McLaren passaram a ser, primordialmente. empresas especializadas em tecnologia de última geração, com atuação destacada na pesquisa, desenvolvimento e construção de componentes sofisticados para os mais diversos setores.

Se hoje faz torcer o nariz a simples menção de ambas enquanto equipes de Fórmula 1 nas temporadas mais recentes, as marcas Williams e McLaren estão presentes em setores como o automotivo, aeroespacial, medicina de ponta, transporte urbano, chassis especiais, eletrificação, sistemas de defesa e muitos outros. Como holdings multimilionárias, têm na Fórmula 1 um braço importante de suas atividades, mas dificilmente equiparada aos demais em termos de rentabilidade.

O “combustível” da Fórmula E tem nome e sobrenome: Bateria de Lítio. Muito mais eficiente que o níquel na capacidade de armazenas energia, o lítio é um metal altamente inflamável. Isso significa dizer que, em seu estado natural, explode ao contato com o ar. Logo, tem de ser misturado a outros metais em forma líquida. A receita secreta está em misturar outros metais (principalmente cobalto e manganês) ao lítio.

No “posto” do Frank …

Quando do lançamento da primeira temporada da Fórmula E, a Williams Advanced Engineering foi escolhida para fornecer a bateria do chassi Gen1. Foi firmado um acordo de quatro anos para o fornecimento das baterias, aquelas mesmas que exigiam troca de carro no meio da corrida, dada a insuficiência de autonomia. Só que, para a temporada 2018/2019, as mudanças foram bastante intensas, amparadas pela velocidade no desenvolvimento eletromecânico.

Tudo o que se conheceu até recentemente sobre baterias esteve relacionado à durabilidade, mas o advento do carro elétrico incorporou à equação um elemento novo, a velocidade. Os técnicos, por conseguinte, passaram a buscar o equilíbrio entre compostos químicos e materiais especiais.

Os esforços tinham como meta um dispositivo que armazenasse energia o bastante para suportar as altas velocidades de uma competição, sem que isso implicasse num “trambolho” super pesado e explosivo.

No “posto” do Bruce …

Na estreia do novo carro da Fórmula E, o Gen2, as novidades não se restringiam à impactante aerodinâmica. Já estava equipado com a nova bateria fornecida pela McLaren Applied Technologies, vencedora da concorrência promovida pela FIA. Em se considerando que a Fórmula E precisou de apenas quatro temporadas para alcançar uma bateria com durabilidade de uma corrida inteira, o feito da McLaren foi revolucionário.

Tal avanço poderia fazer supor supor que essa tecnologia perdurasse por muitos anos na pista, mas “muitos anos” é tempo demais para a Fórmula E. O formato das corridas é ditado pela tecnologia disponível, sem que haja espaço para se imaginar, pelo menos no curto prazo, corridas maiores e em traçados com elevado índice de aceleração plena.

De olho no futuro e evolução, o fornecimento da McLaren foi firmado por dois anos, que vai até 2019/2020. Para além desse tempo, a categoria tenciona poder contar com uma terceira geração de baterias revolucionárias.

No próximo anúncio do fornecimento de baterias, previsto para ainda este ano, será possível entender não apenas o grau de evolução alcançado para 2020/2021 e nas mãos de qual gigante tecnológica estará o coração da Fórmula E. Isso porque a categoria tem se destacado por reunir gigantes da indústria não apenas automotiva, mas de diversos segmentos, algumas com soluções verdadeiramente instigantes em termos de meio ambiente. Afinal, os tratados internacionais estão em curso e as demandas por energia limpa se multiplicam.

Independente dos calendário de produção e utilização dos carros elétricos, a Fórmula E revive aquela máxima, muito repetida na Fórmula 1 do passado, de que o desenvolvido nas ou para as pistas em pouco tempo estaria nas ruas e estradas.

A Fórmula E corre fundamentalmente em apertados e até mesmo questionáveis circuitos de rua (Foto Andrew Ferraro/LAT Images)

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