foto-04Por Eng. Carlos Funes, de Barcelona (Espanha)*

Como toda tecnologia nova, o KERS terá um profundo efeito em tudo aquilo que circunda um evento típico de Fórmula 1. Isso ocorrerá desde a forma das vistorias técnicas, até os procedimentos de resgate dos carros. E, logicamente, um novo treinamento que será necessário para todos aqueles que tenham contato direto com os carros, de Comissários Técnicos locais até o próprio pessoal de resgate, de extração, bombeiros, equipe médica, etc.

Embora muito divulgado no final do ano passado em todos os meios de comunicação, com foto incluída de um coque elétrico que tomou um mecânico da equipe BMW Sauber durante um treino no autódromo de Jerez, na Espanha, o sistema KERS é ultra-seguro e todas as conotações que se teceram em torno de uma eventual falta de segurança são totalmente infundadas.

Apesar disso, a FIA, sempre atenta a tudo aquilo que seja relativo a segurança, já está trabalhando em um protocolo de segurança para instruir os grupos locais, de comissários técnicos até pessoal de box, resgate, extração, bombeiros e médicos. É importante destacar que, embora estes sistemas híbridos lidem (na sua maioria) com eletricidade, as partes que diretamente funcionam com voltagens altas estão todas totalmente isoladas e ficam longe do alcance das pessoas.

kers-01Outro ponto importante é que, diferentemente de um carro híbrido de rua, no qual existem baterias que sempre estão carregadas de energia, no KERS as partes que acumulam energia simplesmente o fazem em forma momentânea, ficando totalmente vazias e, assim, utiliza-se a energia recuperada. Ou, ainda, aperta-se um interruptor especifico que descarrega em forma instantânea qualquer energia residual nos supercapacitores.

Assim sendo, e como já pode ser observado nos testes que estão sendo feitos pelas diferentes equipes de Formula 1, os carros 2009 possuem um outro comando externo, além dos já conhecidos:

A) Disparador dos Extintores em conjunto com a Chave Geral de Corte (que disparam os extintores de incêndio e cortam todos os sistemas elétricos do carro, que se encontram localizados na base do Santo Antônio no lado direito);


B) Chave do Neutro (que deixa o carro em ponto morto, que se encontra localizada na frente do cockpit).


foto-01Agora, também existirá um terceiro interruptor (C) que, por em quanto denominaremos Chave de Descarga do Sistema, embora seja um sistema muito conhecido na indústria elétrica. Tem um símbolo particular, na forma de um triangulo amarelo, e cuja função é a de extinguir qualquer energia residual que por ventura ainda esteja no sistema.

Nos carros híbridos de rua, trata-se de um sistema totalmente automático, que funciona no próprio momento em que se desliga o carro. Porém, como já explicado anteriormente, os sistema híbridos “de rua” nada tem a ver com os sistemas híbridos “de competição”.

No referido aos Comissários Técnicos locais, e tendo em vista a existência dos denominados Parques Fechados Controlados – que se estendem entre o início do Treino Classificatório até o momento em que se acende o farol verde que dá início à Volta de Apresentação prévia à Largada -, seus integrantes terão, sem dúvida, de conhecer, através de um treinamento especifico, os princípios fundamentais do sistema KERS para saber detectar se está sendo feito algum trabalho nele ou não.

foto-02Para se ter uma idéia, até 2008 todo o ultra reduzido espaço que fica atrás do piloto até a asa traseira (aproximadamente 1,5 m de comprimento x 0,50 m de largura, variável de carro a carro), delimitava um espaço no qual “conviviam” motor completo com escapamento e o sistema de admissão, transmissão completa, toda a eletrônica do motor, suspensão traseira completa e estrutura de segurança traseira.

Este espaço, em 2009, receberá tudo isso e mais o KERS, seu sistema de gerenciamento eletrônico e o de armazenagem da energia recuperada pelo KERS. São equipamentos dos mais variados e que deverão ser compreendidos pelos comissários locais. Não na sua engenharia em si, mas em definitivo significará um novo tipo de desafio e treinamento, além do que tradicionalmente já é exigido.

Pode parecer ser a quinta essência da complexidade, mais é o formato de automobilismo do Século XXI e todos deveremos nos adaptar, pois o KERS é simplesmente a “ponta do iceberg” de outras tecnologias tão complexas – como fascinantes – que estão chegando para todas as categorias do automobilismo desportivo.

* O engenheiro argentino Carlos Funes é secretário da Comissão de Energias Alternativas da FIA e Delegado Técnico FIA do Campeonato Europeu de Rali Cross, além de Comissário Técnico Chefe do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 pela Confederação Brasileira de Automobilismo.

Fotos fornecidas pelos engenheiro Carlos Funes

2 COMENTÁRIOS

  1. Carlos. parabens pela materia. Estou buscando informações para poder ter o que existe de atualizações dos F1 para treinamento das equipes de pista.
    Vc poderia me informar se esse botão de “C” ja estara funcinando para o GP do Brasil.
    Qualquer outra informação util por favor gostaria de saber.

    Atenciosamente

    Alexis

  2. Parabéns pela adesão do Carlos Funes. Além de simpático e sempre prestativo ele é ótimo para desatar nós quando se imagina que algumas questões só podem ser entendidas por gênios. E, afinal, há inteligência abaixo do Equador. Valeu!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here