Muito tempo antes de Rubens Barrichello ingressar na Ferrari, em 2000, e anos após as participações de Chico Landi com seus carros nos anos 40 e 50, coube a José Carlos Pace uma passagem de importância história na equipe de Maranello. Numa época em que não havia intermináveis negociações com empresários, José Carlos Pace chegou na sede da equipe simplesmente como convidado para um almoço, mas saiu de lá contratado para correr o Mundial de Marcas. Isso depois de participar de um teste naquele mesmo dia, que não estava programado, sob os olhares do próprio Enzo Ferrari. Outros tempos!
Diferentemente de hoje, os pilotos de Fórmula 1 nos anos 70 corriam também em outras categorias, principalmente a Fórmula 2 e Mundial de Marcas, na Europa, e a Can-Am, nos Estados Unidos. Pace não fugia à regra e corria em qualquer lugar, mesmo após sua estréia na Fórmula 1, em 1972, pela equipe de Frank Williams.
Enquanto enfrentava as dificuldades com o March 711 Ford Cosworth, limitado tecnicamente por ser um carro do ano anterior e pelo budget reduzido do mesmo chefe de equipe que se tornaria campeão mundial anos depois, o brasileiro recebeu o convite de um senhor italiano chamado Enzo para almoçar com ele em sua fábrica, em Maranello, em cuja fachada estava estampado o nome “Ferrari”.
Esse almoço aconteceu em 1972, no início do segundo semestre, logo após o Grande Prêmio da Bélgica. Prova marcante na carreira do brasileiro, foi em Nivelles onde obteve o melhor resultado daquele ano na Fórmula 1, um 5º lugar. Mas não foi exatamente por causa dessa prova, vencida por Emerson Fittipaldi, que o convite ocorreu. O Comendador já havia descoberto, um ano antes, que havia um brasileiro com sobrenome italiano se destacando pelo talento em pistas européias.
O desafio de Imola
Diz a lenda que Enzo Ferrari tinha uma predileção toda especial pelo circuito de Imola, o mesmo que desde o 1º de maio de 1994 passou a ser sinônimo de tragédia e causar calafrios. Para ele, se um piloto vencesse de forma insofismável no hoje autódromo Enzo e Dino Ferrari, estava apto a repetir a façanha em outros lugares. E foi naquela pista onde Pace faturou uma prova de Fórmula 2, superando nomes como Emerson Wilsinho Fittipaldi, Carlos Reutemann, François Cevert, Vitório Brambilla, Dieter Quester, entre outros.
Venceu uma bateria, foi 4º na outra e a impressão deixada em Enzo Ferrari foi o bastante para que Pace fosse convidado para testar o protótipo 312P, do Mundial de Marcas. A expectativa foi frustrada porque o teste foi cancelado. De todo modo, a imagem de Pace não deve ter saído da cabeça do lendário dono de equipe.
Menos de um ano depois, no histórico almoço que foi testemunhado por Francisco Rosa, atual administrador do Autódromo Municipal José Carlos Pace, Ferrari convidou o piloto para participar de um teste naquele mesmo dia, na pista particular da equipe, ali do lado. Em Fiorano, Pace já fez tempo com o 312P e o chefe o convidou ali mesmo para integrar seu time do Mundial de Marcas. Pace fez algumas provas naquele mesmo ano e, em 1973, sagrou-se vice-campeão mundial de Marcas. Isso prova que nem todo almoço de negócios se transforma em calórica perda de tempo.
Bibliografia
“José Carlos Pace – O Campeão Mundial Sem Título”, de Luiz Carlos Lima, edição do autor, 1985.
Na foto, José Carlos Pace na prova de Fórmula 1 que marçou a inauguração do Autódromo de Brasilia, em 1974 (Foto Arquivo Diário Motorsport, do acervo do pesquisador Napoleão Ribeiro)
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Valeu Américo!
É uma “GRAPETTE” que ele está tomando?
Na foto parece ser uma garrafa do Guaraná Brahma, que o patrocinava na época.
Abração!