Rico, famoso e vitorioso, o alemão da Ferrari é um homem de sucesso, o que torna ainda mais intrigante a sua fase atual de aparente fragilidade

Por Américo Teixeira Junior

Em 212 Grandes Prêmios, incluindo o da Itália deste ano, o alemão de 31 anos soma 52 vitórias e 55 poles (Foto Ferrari)

Há uma interrogação escancarada atualmente na Fórmula 1 com nome e sobrenome: Sebastian Vettel. O tetracampeão mundial vem alternando altos e baixos na Ferrari, notadamente desde o ano passado, de tal modo que suas chances de ser o primeiro alemão a ser campeão pela Ferrari depois de seu conterrâneo Michael Schumacher vai esvaindo por entre os dedos.

Esse quadro ganha contornos mais dramáticos quando se sabe que Vettel é um dos pilotos mais vitoriosos dos últimos anos, conta com um carro que vem em escala ascendente de performance e tem a seu lado Kimi Raikkonen, um segundo piloto quase sempre eficiente na tarefa de roubar pontos da Mercedes.

Apesar disso, o gráfico abaixo mostra que em nenhum momento da temporada houve uma vantagem tão grande entre os dois postulantes ao título, com vantagem de 30 pontos do líder Lewis Hamilton sobre Vettel. Obviamente que 30 pontos são “nada” diante dos 175 ainda em jogo, mas a diferença tende a se tornar intransponível se mantida a ocorrência de erros.

Se pararmos para pensar sem paixões, a parte visível desses erros não é tão grave assim. Ayrton Senna também bateu sozinho no Grande Prêmio de Mônaco de 1988 com ampla vantagem, como fez Vettel correndo em casa no último dia 22 de julho. E ninguém “morreu” por isso. E tem também o acidente de Monza. Independentemente do risco assumido, quando foi demasiada e desnecessariamente agressivo na primeira chicane após a largada, é da competição tentar aproveitar espaços, mesmo que de fato eles não existam.

Desse modo, parece não estar visível o problema que o faz demonstrar uma ansiedade quase juvenil ou mesmo a tendência – quase irritante, diga-se – de reclamar bastante. Vettel tem entrado na pista como se estivesse sob ameaça iminente ou sem ter com quem contar. Em tese, não seria ele o primeiro piloto – e nem seria o último – a ficar descontente com decisões estratégicas da equipe ou desconfiar do teammate. Portanto, não residiria aí uma eventual explicação.

A verdade é que ninguém está livre de se ver fragilizado por acontecimentos da vida privada ou profissional, da mesma forma que é muito particular o modo que cada pessoa reage ao meio que a cerca. De todo modo, quanto antes o “antigo” Vettel voltar, melhor para a Fórmula 1, que oferece ao público um dos embates mais renhidos de sua história de quase 1000 Grandes Prêmios.

Foto Destaque: Clive Mason/Getty Images

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1 COMENTÁRIO

Muito obrigado por participar. Forte abraço, Americo Teixeira Jr.