Será a primeira vez que a etapa brasileira deixará de ser disputada desde 1972, quando Interlagos recebeu a categoria para uma prova extra-oficial, ainda sem contagem de pontos para o Mundial

Por Américo Teixeira Junior

Há mais de 30 dias o cancelamento do GP do Brasil de Fórmula 1 já é fato consumado e do conhecimento de alguns dos principais envolvidos no Mundial, pode afirmar o Diário Motorsport. Tanto é verdade que licitações não foram publicadas, ingressos não estão disponíveis e contratações não aconteceram. No âmbito das corporações com interesse na categoria, simplesmente desapareceu do calendário de eventos a prova marcada para o dia 15 de novembro no Autódromo Municipal José Carlos Pace. Portanto, o momento atual é apenas o de definir quando tal decisão será tornada pública pelo grupo diretor da Fórmula 1, o Liberty Media.

Some-se isso o fato de o Brasil ser, atualmente, um pária global em razão de instabilidades econômicas, políticas, jurídicas e de saúde pública. Esse último item, visto a inépcia federal para lidar com o mais grave momento da humanidade desde a Segunda Guerra Mundial, encaixa-se como uma luva no chamado “motivo de força maior”, que levará o Liberty Media a anunciar oficialmente o cancelamento.

Apesar da óbvia situação de impedimento, nenhuma declaração nesse sentido partirá qualquer ente local por razões contratuais. O cancelamento tem de ser feito pelo dono da Fórmula 1, o Liberty Media. Do contrário, o grupo norte-americano teria argumentação legal para pleitear reparação na justiça. Assim, o ônus do “não” está transferido para a organização substituta de Bernie Ecclestone no comando da categoria.

Vale dizer, também, que está descartada qualquer possibilidade de adiamento, que implicaria na realização do GP em qualquer momento futuro. Na opinião de especialistas consultados, por “cancelar” entenda-se “matar dois coelhos com uma cajadada só”. Isso porque a alegada “força maior” desobrigaria o Liberty Media de repor a data e, portanto, daria por encerrado o contrato em vigor, assinado em 2014 pelo então prefeito Fernando Haddad e a empresa promotora, capitaneada por Tamas Rohonyi.

Dessa forma, estariam livres os atuais detentores daquilo que poderia ser classificado como “herança maldita”, que é o GP do Brasil livre de taxas e sem participação dos controladores em receita de bilheteria, publicidade local e áreas de hospitalidade. Apesar do quadro, seria prematuro afirmar que a Fórmula 1 estaria deixando o Brasil definitivamente. O prefeito Bruno Covas e o governador João Dória já negociavam a renovação do contrato antes da pandemia e há a expectativa de haver a retomada nas conversas em algum momento.

Por intermédio de sua assessoria de imprensa, a organização do GP do Brasil informou que não houve qualquer comunicação da Formula One Management e, por conseguinte, nada tem a declarar sobre o tema. A administração do Autódromo de Interlagos mantém em seu calendário as datas relativas à prova de Fórmula 1. O governo do estado e a prefeitura de São Paulo reafirmam a existência de contrato que garante a competição.


Capa/Destaque: Festa do pós-corrida em Interlagos – Foto Rodrigo Berton/Grande Prêmio


Atualização: Nesta sexta-feira (24), o Liberty Media confirmou o cancelamento dos GPs do Brasil, México, Estados Unidos e Canadá, além da inclusão no calendário das etapas de Algarve (Portugal), Nurburgring (Alemanha) e Imola (Itália).

11 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns, Américo, por mais este “furo”. Como jornalista, vc foi preciso ao descrever os motivos do cancelamento. Quanto aos comentários estapafúrdios do pelotão da cloroquina, é apenas uma demonstração de como alguns setores do automobilismo brasileiro são dignos representantes do pensamento atrasado. Na corrida da civilização estão uns sete séculos atrasados, são retardatários tomando voltas do iluminismo e comendo poeira do bom senso. Quando pararem de brigar com o jornalista e passarem a brigar com as causas da notícia, provocarão menos risos da arquibancada.

  2. O autor do texto introduziu posição ideológica pessoal, totalmente inoportuna e dissociada da verdade, como muito bem pontuou o Walter Soldan! Por ser jornalista, é um traidor da Pátria, visivelmente engajado no boicote às iniciativas do governo federal para a cura da sindrome e fim da epidemia (entre nós).

  3. Não disse nada sobre o país. Disse sobre o governo federal. E expressou o óbvio, algo que qualquer pessoa não fanatizada consegue constatar: a resposta do governo federal à crise é de uma incompetência sem precedentes.

  4. Comunista de araque!!
    Inépcia Federal ou exdrúxula decisão do STF?
    Apenas para lembrar: o STF em cafajeste decisão retirou do Governo Federal o poder de decidir os rumos do ataque à pandemia!
    Apenas para lembrar: O Governo Federal, antes do carnaval decretou estado de emergência, solenemente ignorado pelos prefeitos e governadores o que gerou, isto sim, um contágio desenfreado notadamente nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Manaus.
    Apenas para lembrar: O governador paulista, estado que sedia o GP, tentou e não conseguiu instalar um governo paralelo, com o apoio de outros governadores cafajestes e mal intencionados.
    Apenas para lembrar: o governador paulista e o prefeito tentaram lotear o autódromo de Interlagos.
    Tem mais, muito mais.

  5. “inépcia federal para lidar com o mais grave momento da humanidade desde a Segunda Guerra Mundial”, QUE VERGONHA, um jornalista dizer isto e muito mais sobre seu país! Eu me considero mais bem informado e muito mais NEUTRO, que este Mané que fez a matéria!

    • O papel do jornalista é informar e ele foi absolutamente preciso e correto. Se há algo errado no país devemos nos calar? Foi assim durante os governos do PT ou você ficou fazendo barulho? Ficou fazendo barulho, né? Aí o papo de “não falar mal do país” convenientemente não existia, né?

    • Não disse nada sobre o país. Disse sobre o governo federal. E expressou o óbvio, algo que qualquer pessoa não fanatizada consegue constatar: a resposta do governo federal à crise é de uma incompetência sem precedentes.

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