Somente a pressão econômica pode justificar o giro europeu que começa neste domingo na Áustria

Por Américo Teixeira Jr.

Em lugar da costumeira estrutura suntuosa, a Fórmula 1 na era da pandemia tem áreas padronizadas e reduzidas. Foto Scuderia Ferrari Press Office (Zeltweg, Áustria, Quinta-feira, 02.07.2020)

Só há uma razão de nesta quinta-feira, 2 de junho, estarmos às vésperas do primeiro dia de treinos para o Grande Prêmio da Áustria, prova de abertura do Mundial de 2020: pressão financeira. Na perversidade dos dias atuais, quando o planeta inteiro já reúne 11 milhões de contaminados e 520 mil mortos (clique aqui para ver o quadro deste momento), era de se imaginar que seriam periféricas as demandas não voltadas ao combate da pandemia. Mas se no mundo ideal as asas perenes são as da poesia, nessa espécie de guerra mundial sem bombas só há as momentâneas – e brotadas de uma … latinha.

No mundo real, os credores continuam querendo pagamentos, os contratos parecem ganhar vida a exigir cumprimento e se acumulam as necessidades. É por isso que os aviões cruzam oceanos, o bar da esquina está com as portas abertas, dirigentes de futebol brigam para colocar seus jogadores em campo e a Fórmula 1 está na Áustria.

Por mais que os números da pandemia teimem em esbofetear todo e qualquer planejamento, confrontam-se apavorados e inconsequentes, desesperados e arrogantes, necessitados e irresponsáveis, crédulos e incrédulos. Qualquer que seja a máscara que a Fórmula 1 melhor vestir, fato é que a outrora encastelada resolveu peitar a “Dona Covid”, essa ladra desavergonhada.

Sábio na sua humildade, o sertanejo sabe que não há terceira alternativa quando se decide pegar o “touro pelos chifres”. Ou subjuga o bicho ou leva bela chifrada no meio das fuças. Transportando esse cenário para a Fórmula 1, se o Liberty Media e a FIA conseguirem cumprir a prova inaugural e as demais da fase européia, poderá bater no peito e até expandir o calendário para outras paragens, até mesmo para aquelas não muito letradas em segurança sanitária e saúde pública.

Mas – e a desgraça é que sempre tem um “mas” – nada terá valido a pena se aquela “Dona” se mostrar mais feia do que se pensava e, irada, provocar humilhante debandada. Assim, muito além de mero resultado em pista, o Grande Prêmio da Áustria assume o papel de espelho a refletir superação ou ignorância.

Seja bem-vinda Fórmula 1 e, verdadeiramente, que o pós-corrida seja de júbilo e não de arrependimento.

Engajamento e esperança no Williams FW43 – Foto Williams Racing Media (Zeltweg, Áustria, quinta-feira, 02.07.2020)

Capa/Destaque: Membros da Mercedes fazem teste de pit-stop, no Red Bull Ring, com o carro de Valtteri Bottas – Foto Steve Etherington/Mercedes (Zeltweg, Áustria, quinta-feira, 02.07.2020)

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