A Fédération Internationale de L’Automobile (FIA) realizará no próximo dia 23 um encontro para discutir o tema “automobilismo do futuro”. Questões energéticas, econômicas e climáticas podem interferir na prática do automobilismo muito mais do que ocorre hoje. A parte mais visível dessa ação do presidente Max Mosley (foto) é o embate com os donos das equipes de Fórmula 1, mas há toda uma cadeia de desenvolvimento tecnológico, prestação de serviço, geração de empregos – e os pilotos são uma ínfima parte nesse todo – e manutenção do esporte que pode desmoronar em breve tempo.
A FIA vai tentar antecipar ações para impedir que tudo isso aconteça e, no modo prático, subdividiu a sua comissão de energias alternativas em duas. Uma primeira se dedicará exclusivamente à investigação das alternativas passíveis de utilização. A outra, mais no campo da ação, vai cuidar da aplicação.
Foram convidados os presidentes das diversas comissões da entidade, membros dos grupos técnicos avançados, fornecedores de tecnologia, lideranças do setor esportivo, entre outros grupos. Essa discussão, num primeiro momento, pode resultar, até, em propostas mirabolantes, mas nenhum debate sobre o futuro do automobilismo deve ser considerado desnecessário e a FIA, na vanguarda do movimento mundial do esporte e da mobilidade, tem o dever e também o privilégio de comandar esses estudos.
Foto FIA
Isso é o que falta à nossa CBA. E não precisa ir tão longe, até Paris. O exemplo está aqui do lado, no ACA, Automóvel Clube da Argentina. Esse tipo de organismo deveria se engajar de verdade em questões como a segurança viária, serviços aos motoristas, consultoria de segurança de trânsito, campanhas educativas junto às escolas e trabalho com as montadoras. Por aqui, a Confederação nunca se preocupou com essas questões, limitando-se a se envolver em políticas menores, 100% ligadas ao esporte, enquanto nossos autódromos estão virando pó e o esporte, propriamente dito, está à míngua, em se tratando de um país com nossas dimensões.