(Matéria atualizada com os depoimentos de Eduardo Berlanda e Renato Russo)

Os pilotos da Copa Vicar preferem o atual formato de largada lançada à parada. Porém, há uma preocupação muito grande a respeito dos pilotos mais afoitos, que tentam decidir a corrida na largada, com risco para todos os alinhados no grid. Essas foram as conclusões da Pesquisa Diário Motorsport, que procurou conhecer as opiniões dos competidores da categoria de acesso à Stock Car.

Antes chamada de Light, a mudança do nome foi providencial porque de light a categoria não tem nada. Ela reúne pilotos experientes e novatos, todos de olho no degrau seguinte da carreira. Competitiva e muito disputada, a Copa Vicar tem sido alvo de diversos acidentes.

O ocorrido na largada da etapa mais recente, em Brasília, gerou grandes discussões e, para conhecer essa realidade, entramos em contato por e-mail com 22 dos 29 pilotos que participaram da etapa no Distrito Federal, por intermédio das respectivas assessorias de imprensa ou diretamente. A pergunta foi a seguinte: Você é contra ou a favor da largada lançada na Copa Vicar? E por que?

Até o fechamento dessa matéria, recebemos 12 respostas, pelas quais agradecemos e reproduzimos na ordem de chegada:

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diogo-pachenkiDIOGO PACHENKI

“Eu prefiro as largadas como são, com os carros em movimento. No fim das contas, ainda é mais seguro para o piloto“.

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renato-rattesRENATO RATTES

“Sou contra (a largada lançada). Os pilotos não estão preparados para largar em alta velocidade. Está faltando ‘cabeça’“.

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wellington-justinoWELLINGTON JUSTINO

“A favor da largada lançada, é melhor na questão de segurança. Apenas acho que os pilotos deveriam ter uma conduta correta, mais organização e cautela no momento da largada. Não querer decidir a corrida na primeira curva. Acho a largada parada mais perigosa. Uns largam, outros por algum problema podem ficar parados no grid. Como em anos anteriores, já ocorreram diversos acidentes dessa maneira”.

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rodrigo-navarroRODRIGO NAVARRO

“Sou a favor da largada lançada porque tem menos chance de batidas. O que tem que acontecer é alguma modificação de não ultrapassar antes da linha de largada. O ideal seria que o 1º e o 2º colocados acelerassem após a linha. Na largada parada, se o 1º não largar, quando o último chegar nele vai estar em quarta marcha numa velocidade que pode causar um acidente grave. Acredito que o que motiva as batidas não é a largada e sim a vontade de ultrapassar todo mundo na primeira curva”.

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gustavo-sondermann1GUSTAVO SONDERMANN

“Sou a favor porque a chance de acidente é bem menor. O problema não é a largada, mas a consciência dos pilotos. Acho que como todos nós estamos na luta para conquistar uma vaga na categoria principal, às vezes a disputa passa dos limites”.

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eduardo-leiteEDUARDO LEITE

“Eu até sou a favor da largada lançada, mas desde que seja cumprida a norma de que não se pode ultrapassar antes da linha de chegada. O problema é que tem gente que larga atrás e ultrapassa erroneamente os pilotos, até algumas vezes por orientação da equipe por rádio.”

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lucas-fingerLUCAS FINGER

“Sou a favor da largada lançada, pois muitos pilotos estão queimando a largada, assim, ocasionando esses perigosos acidentes. Ainda não me envolvi em nenhum, pois estou com sorte… A corrida deve começar depois do sinal verde e não antes, como está acontecendo na categoria Vicar”.

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pedro-boeselPEDRO BOESEL

“Sou a favor da largada lançada. Se não me engano, essa medida passou a vigorar quando meu tio, Raul Boesel, voltou dos Estados Unidos para correr na Stock Car. Como ele veio da Fórmula Indy, onde a largada é lançada, ele sugeriu como medida de segurança. O problema na Copa Vicar é que a grande maioria dos pilotos não respeita o procedimento e a regra. Acho que a decisão da direção de prova de autorizar as ultrapassagens na largada, antes de cruzar a linha de chegada, equivocada”.

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daniel-pflaumerDANIEL PFLAUMER

“Eu sou contra a largada lançada da Copa Vicar. A largada parada é mais interessante porque mostra a perícia que o piloto tem e também o risco de acidentes é bem menor. A largada lançada é muito perigosa, pois os carros chegam na curva muito rápido em um bolo que se um cometer um erro pode comprometer a corrida de muitos outros. A largada de Brasília foi uma confusão porque metade do grid que estava lá atrás queimou a largada, enquanto os primeiros estavam em segunda marcha.

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cassio-homem-de-melloCÁSSIO HOMEM DE MELLO

“Eu acho a largada lançada uma boa opção. Se funciona na V8 e em outras categorias do evento, não vejo porque mudar para largada parada. O grande problema, em minha opinião, é poder ultrapassar antes da linha de largada. É isso que incentiva a agressividade dos pilotos que, por conseqüência, causam a maior parte dos acidentes. Se você se classifica em uma posição, é lá que você deve largar e só depois da corrida efetivamente começar (depois de cruzar a linha de largada), tentar melhorar sua colocação”.

Eduardo BerlandaEDUARDO BERLANDA

Sobre a largada, eu sou a favor da lançada desde que: 1 – ao apagar das luzes já esteja valendo ultrapassagens; 2 – o carro de segurança venha numa velocidade de 60 km/h e saia da frente do pelotão pelo menos uns 200 metros antes da largada; 3 – e no mínimo que os ponteiros não fiquem acelerando e freando, ocasionando acidentes como foi em Brasília. Coloco o tópico número 1, pois alguns pilotos levantaram no briefing a hipótese de se fazer largada lançada, porém, as ultrapassagens somente poderiam ser feitas após a passagem na linha de chegada, o que eu acho um absurdo. Sobre a largada lançada, complemento que evita mais acidentes na primeira curva, do que a largada parada”.

Renato RussoRENATO RUSSO

“Em Brasília, tive uma fratura do Trapezóide, um dos ossos da mão que antecede o Escafóide, o qual se tivesse quebrado, estaria 40 dias fora. Como foi o menor, liberaram-me para Santa Cruz e corri com uma tala. Conversei com o Cássio em Santa Cruz e acabou me pedindo desculpas por ter falado tudo aquilo. Não estava certo, mas também não estava totalmente errado. Desviei para direita para não acertar o Boesel e quando voltei para minha posição, o Cássio já estava do meu lado. Mas já conversamos e acertamos os ponteiros!!! Eu nunca gostei da largada em movimento, sempre optei para largada parada. Acostumado com Kart em largada lançada, sim, mas com carros, onde você pode apoiar e é muito mais arriscado, os pilotos não medem as conseqüências. Como em Santa Cruz, uma pista difícil de ultrapassar, todos arriscaram demais na largada para conseguir ganhar algumas posições e houve toques. Eu mesmo fui jogado contra o muro dos boxes, na 6º volta. Por isso seria muito mais segura a largada parada, igual aos monopostos”.

2 COMENTÁRIOS

  1. Largadas são sempre complicadas e exigem uma atenção enorme dos ocupantes do grid. Concordo com a opiniao do Cássio quando ele diz que se o piloto conquistou a 18ª posição no grid, por exemplo, ele deve cruzar a linha de largada em sua posição original e não tentar ganhar posições sem atentar para sua segurança e dos demais.
    Lembro que no ano passado, em Santa Cruz, o Cássio teve um acidente terrível na largada e eu cheguei a imaginar que poderia ter sérias conseqüencias pela semelhança com o acidente que vitimou o Rafael Sperafico.
    Nesta largada a que me refiro, em Santa Cruz, o Cássio largava em 8º e antes do fechamento da primeira volta, a 100 metros da linha, ele foi empurrado para o muro dos boxes com violência pelo Luis Carreira, que largaria originalmente umas 15 posições atrás do Cássio.
    Isso só foi possível justamente por conta desta permissão inconseqüente de permitir ultrapassagens antes da largada ser efetivada. Se o piloto queimou ou não, que não sei, mas com certeza ganhar 15 posições ou mais em menos de uma volta, com certeza, nem o finado Ayrton conseguiria tal façanha.
    Eduardo Homem de Mello

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