Escrever nunca foi tão revolucionário

Ainda que para poucos leitores, é resistência com reflexos permanentes

Por Américo Teixeira Jr. – Ilustração gerada por Inteligência Artificial CoPilot

Marcado até aqui, entre outras mazelas, pela dedicada função de aniquilar letras e mentes, o Século 21 tem se destacado por inversões de valores por demais comprometedoras. O planeta não deixará de existir, pois essa coisa redonda continuará girando em torno do sol, a despeito do ser humano, esse sim, um “produto com defeito de fabricação” que, cedo ou tarde, vai ser retirado das “prateleiras”. Mas enquanto isso não acontece, a revolução da internet e inteligência artificial, a depender do uso, vai do céu ao inferno na velocidade de um click.

Nos dois casos, são ferramentas importantes, talvez até fundamentais, principalmente pela democratização do acesso, da produção e da disseminação da informação e do conhecimento. É impressionante o alto nível de qualidade, quantidade e diversidade do conteúdo disponível a partir de um mero celular. Contudo, essa bendita e maravilhosa revolução, desregulada que é, também dá voz ao “esgoto” descivilizatório e gera a cruel ilusão de que X, Instagram, Facebook, TikTok & Cia são veículos jornalísticos. Obviamente que não são.

De imediato, vem a pergunta previsível: é possível fazer jornalismo nas redes sociais? A resposta é sim, é possível, tem quem faça e bem, embora trabalhoso de achar. Mas entretenimento – esse sim, principal vocação das redes – não é e nunca foi jornalismo. A resultante é a multiplicação de inutilidades. É verdade que, nessa carreira, a jornalística, todo mundo tem de começar de alguma forma e buscar oportunidades é necessidade primária, mesmo nas redes sociais, mas como primeiro passo e não como o fim em si mesma.

Enquanto isso, extremistas digitais são impulsionados por uma nova ordem, a da estupidez, que se sustenta no analfabetismo de conveniência e promove o fenômeno de desinformação e manipulação. Assim, a ação de escrever com verdade e responsabilidade, mesmo que ignorada por milhões, ganha ares de resistência e compromisso com quem vem por aí. Afinal, onde será que a vida presente, vista como passado por gerações futuras, poderá ser resgatada e estudada? Nas redes sociais não será, obviamente, ainda que estejam, sob critérios discutíveis, “bombando”.


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