Dadai e Sperafico montaram as respectivas chapas de acordo com as competências de cada indicado, mas limitados pelo cenário político imposto pelo pequeno colégio eleitoral

Por Américo Teixeira Junior

Dadai (esq.) e Sperafico: Em lados políticos opostos, mas limitados à mesmas circunstâncias eleitorais (Montagem DM a partir de fotos de Arquivo Pessoal e Chapa Bandeira Verde)

Embora a capacidade individual de cada um dos indicados seja inquestionável, não houve ousadia política na formação das chapas à presidência e vice-presidências da CBA, lideradas pelo situacionista Waldner “Dadai” Bernardo e pelo oposicionista Milton Sperafico. Também em razão da disposição dos candidatos, é fato que a presente campanha tem o mérito de ter saído dos gabinetes com ar-condicionado para ganhar as massas de automobilistas nos quatro cantos do país, passar a ser discussão corrente entre esportistas e observada com atenção por parte da imprensa. Entretanto, as escolhas para os postos de vice-presidentes atenderam ao agrupamento de forças políticas necessário para vencer as eleições, sem nada impactante.

Seria totalmente inconcebível desmerecer a capacidade profissional e o histórico de serviços em prol do automobilismo de cada um dos indicados, mas também seria ingenuidade pensar que os candidatos teriam liberdade para designar personalidades de destaque do meio automobilístico para os cargos, ante a necessidade de disputar voto a voto em um colégio eleitoral tão diminuto e heterogêneo.

Atual presidente da Federação Pernambucana de Automobilismo e da Comissão Nacional de Velocidade da CBA, Dadai foi o primeiro a definir os companheiros de chapa, ainda no início de dezembro, recaindo a escolha sobre Selma Morais, Almir Petris e Rogelho Massud Junior. Já Sperafico fechou o trio de apoio às vésperas do prazo final para registro das chapas e vai para o pleito do dia 20 acompanhado por Rudolfo Edmundo Rieth Filho, Clodoaldo Zonta e Cláudio João Pagliosa.

Fora do ambiente federativo

A única exceção é o advogado Rogelho Massud Junior, que é membro do Superior Tribunal de Justiça Desportiva da CBA e escolha pessoal de Waldner Bernardo. Natural do Mato Grosso do Sul e ex-piloto de kart, foi responsável pela criação do tribunal da federação local (FAMS).

Como membro do STJD, constatou em inúmeras oportunidades a necessidade de aprimoramentos dos tribunais das federações. Assim, sua designação tem como objetivo, em caso de vitória da chapa de situação, o de assessorar com seu conhecimento as entidades estatuais que precisarem de ajuda para a implantação ou adequação dos respectivos tribunais.

Unanimidade baiana

Nessa campanha quase tem estabelecido quase que uma polarização entre Norte e Sul, a jornalista Selma Morais foi a única unanimidade. Apesar da aparência jovial e disposição de adolescente, Selma acumula décadas de experiência no automobilismo desportivo e de mercado. Depois que Paulo Scaglione desfiliou a antiga federação local, Selma liderou um grupo e criou, em 2003, a Federação de Automobilismo da Bahia. Lutou dois anos para ter seu trabalho reconhecido pelo próprio Scaglione, que filiou à CBA a nova entidade em meados de 2005.

Todo esse histórico fez com que ambos os candidatos formulassem convites para que ocupasse uma vice-presidência. De início, ficou sem dar respostas. Primeiro, procurou trabalhar pela unificação, temendo que a divisão pudesse ser prejudicial para o automobilismo. Derrotada nesse pleito, optou por engrossar as fileiras apoiadas pelo presidente Cleyton Pinteiro.

Santa e dividida Catarina

Já a apresentação das duas chapas indica uma situação peculiar na Federação de Automobilismo do Estado de Santa Catarina. Enquanto o presidente Almir Petris é candidato a vice na chapa de Dadai, Sperafico conta com Clodoaldo Zonta (que não é parente do ex-piloto de Fórmula 1), primeiro vice-presidente da FAUESC.

Tal situação evidencia uma certeza e uma dúvida. A certeza é a de que existe uma divisão na entidade catarinense. A dúvida é saber quais dos dois candidatos será agraciado com o voto do representante da Bela e Santa Catarina. Parecia óbvio que seria a situação, mas essa obviedade caiu por terra com a apresentação da chapa de oposição.

Rio Grande do Sul em dose dupla

Coerente com o movimento de oposição deflagrado no Rio Grande do Sul, o estado tem representação dupla nas indicações de Sperafico para as vice-presidências. A primeira vice-presidência da Chapa Bandeira Verde está destinada para Rudolfo Edmundo Rieth Filho, que na condição de segundo vice da atual gestão, constituiu-se no crítico mais contundente à presidência exercida por Cleyton Pinteiro.

Inteiramente formada por representantes do Sul do país, diferentemente da chapa da situação que é efetivamente heterogênea, a chapa de Sperafico deu cores e formas à realidade local, que é o fato de a região possuir o mais forte e desenvolvido rali do Brasil. Prova disso é a indicação de Cláudio João Pagliosa, diretor do departamento de rali de velocidade da Federação Gaúcha de Automobilismo, para a terceira vice-presidência.

Cartas de intenções

Certamente, o resultado da eleição do dia 20 seria “empate” se os quesitos necessários fossem unicamente simpatia e boas intenções. Em não o sendo, todo voto será resultado de articulação política direta ou indireta. É assim que funciona em qualquer eleição indireta e não seria diferente na entidade máxima do automobilismo brasileiro.

O que vai contar, mesmo, é se o voto político será honrado com o trabalho necessário para o fortalecimento do automobilismo brasileiro. Qualquer outro caminho que não leve a isso, as bem elaboradas propostas dos candidatos terão sido meras cartas de intenção não cumpridas e, consequentemente, haverá a cobrança ferrenha de toda uma comunidade, independentemente do resultado do dia 20.

A única diferença é que Sperafico provavelmente terá um período de “lua de mel” em caso de vitória, visto ser um ex-piloto e de não ter participado diretamente da administração da qual faz parte. Já Dadai, com cargo diretivo na gestão Pinteiro, carrega na testa o “carimbo” do continuísmo e não terá trégua. Sem “lua de mel”, será cobrado desde o primeiro instante, independentemente de ser justo ou injusto o rótulo. A política é assim.

1 COMENTÁRIO

  1. Américo
    Assisti todo o debate realizado pelo Lino no Globo.com.
    Terminei com a seguinte opinião:
    A pessoa mais preparada para assumir a presidência da CBA é o Carlos Col. Conhece o assunto é inteligente e bem preparado. Com ele o automobilismo brasileiro teria uma chance muito maior de se desenvolver. Pena que não é candidato. Mas deveria existir um esforço de todos envolvidos com o automobilismos para viabilizar a candidatura do Col.
    Achei os dois candidatos fracos e, com qualquer deles, não teremos muitas esperanças …É só politicagem…
    Abc
    Leonardo Ribeiro Martins

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