Ainda que o governo tenha conseguido derrubar os números da pandemia para um estágio que pode ser classificado como “controlado”, há registros diários de novos casos e falecimentos no país que receberá a Fórmula 1 para abrir a temporada 2020

Por Américo Teixeira Junior

Somente as pressões econômicas justificam os esforços para que a temporada 2020 da Fórmula 1 tenha início marcado para 5 de de julho, na Áustria, seguindo-se disputas também na Hungria, Inglaterra, Espanha, Bélgica e Itália. As oito corridas até aqui programadas, todas na Europa, retiram momentaneamente o caráter de campeonato mundial, mas tal fato está longe de ser uma pedra no caminho, pois no meio deste há uma pandemia.

Não que a Áustria seja o maior dos problemas. A terra de Andreas Nikolaus Lauda e Roland Ratzenberger registra 4% de mortalidade ou oito falecimentos por grupo de 100 mil habitantes. Trata-se do menos letal dentre todos os países que compõem o “Europeu de Fórmula 1”. Entretanto, a pandemia ainda é uma realidade nacional. Apesar disso, abrirá suas fronteiras para visitantes de regiões muito mais críticas do que a versão austríaca desta tragédia sanitária global.

Embora o Liberty Media e a FIA vislumbrem transformar o Red Bull Ring numa espécie de casulo asséptico com baixa densidade demográfica, é real a possibilidade de haver a “união explosiva” dos perigos locais com os que virão de fora.

Dos 17.223 casos oficiais contabilizados entre 25 de fevereiro e 18 de junho, surgiram 492 novos registros de contaminação nos 18 primeiros dias do mês atual. Isso significa que as últimas 432 horas representaram 2,5% do total. O estado de Styria, onde está localizado o circuito, é o segundo com mais perdas de vidas. Lamentou-se a ocorrência de 151 falecimentos ou 22% dos 688 óbitos até ontem (20 nos primeiros 18 dias junho) em todo o país. Tendo Graz como capital, Styria perde para Viena, que reza por seus 187 falecidos, até agora.

O perigo que vem de fora

Dos grupos multinacionais que formam a Fórmula 1, os principais contingentes são oriundos da Grã-Bretanha e Itália, respectivamente, 5º e 8º no ranking de países/blocos com mais contaminados. Logo após Estados Unidos (2.305.207), Brasil (978.142), Rússia (568.292) e India (380.532), os britânicos contabilizam 303.291 casos, dos quais 158.401 em território inglês. Os demais 144.890 estão assim espalhados entre Escócia e País de Gales. No conjunto, são 42.546 mortes.

No caso italiano, já morreram 34.561 pessoas em meio aos mais de 238 mil contaminados, ao término desta sexta-feira, 19 de junho. Em oposição à letalidade de 4% na Áustria, esse percentual sobe para 14% nos casos britânicos e italianos.

Resumo da ópera: não tem como fazer campeonato, sequer uma corrida, num cenário como esse. Mas como a Fórmula 1 não entende dessa forma, que ao pós-Austrian Grand Prix não se somem os sentimentos de culpa e arrependimento.

Capa/Destaque: Não haverá pódio no GP da Áustria deste ano - Foto LAT IMAGES/MERCEDES-AMG F1 (Zeltweg, Áustria, 30.06.20219)

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