dm18012009_aurelio2_foto1_osAfeito ao compartilhamento de idéias e ações, Aurélio não se recusava a fornecer o caminho. Sua receita era simples e vinha chancelada, como que marcada por um carimbo ou brasão, onde uma única palavra aparecia: Respeito. Respeito aos pilotos, respeito ao público – que carinhosamente chamava de “meu público” – e, principalmente, respeito ao retorno a seus patrocinadores. Tal postura fez com que angariasse destes a mais profunda confiança, o que justifica o ingresso de diversas empresas ao longo dos anos, sem que tivesse havido qualquer desistência por parte de seus parceiros. Resumindo. Pregava sempre o respeito para com todos os envolvidos em seu evento e impunha preços mínimos para venda de produtos para o público que lotava as praças esportivas por onde passava. Zeloso, tratava pessoalmente – e com carinho – da exposição das imagens de seus patrocinadores, da mesma forma que chegava muito tempo antes no circuito para fazer as reformas necessárias.

Formado na boléia de um caminhão e conhecedor profundo da paixão do brasileiro pelos “brutos” – resultado da inacreditável rede rodoviária que corta o País – Aurélio se empenhou ao máximo em oferecer um show para seu público. Emocional ao extremo, ele chorava – e fazia chorar – a cada evento. Provavelmente, em meio aos sorrisos vibrantes e olhares extasiados que observava em suas provas, identificasse o menino que ele foi. Pobre, carente, sem estudos, mas intensamente determinado a vencer na vida e superar obstáculos.

Quem o conheceu de perto sabe que ele investia pesado em estruturas para fazer o povo chegar e não se prendia a mesquinharias. Era comum ver, em alguns pontos do Brasil, caminhões estacionados do lado de fora dos circuitos e os caminhoneiros e suas famílias, equilibrando-se sobre a carga, vendo o show. Quem disse que se preocupava em levantar tapumes ou impedir a visão com placas publicitárias? Não, aquele era seu público e, se não estivesse do lado de dentro, era bem-vindo do mesmo modo.

Aurélio se justificava, às vezes, pelo fato de falar um português com falhas. Mas isso, entretanto, não impediu que a obra fosse construída e grandes multinacionais se juntassem ao redor do seu projeto. Arquiteto de uma quase inimaginável engenharia para equiparar as diversas potências e estruturas dos caminhões, Aurélio conseguiu colocar, em uma mesma arena, engenharia e marketing de cada empresa montadora para a reedição de um duelo que já existe no gigantesco mercado brasileiro de veículos pesados. E põe pesado nisso!

Capitão de um evento fortemente sustentado, Aurélio deixou um formato pronto, agora sob o comando de sua esposa, Neusa Navarro Félix, a quem está cabendo a dura tarefa de, ao lado dos filhos (Aurélio Jr., Gabrielle e Danielle) e colaboradores, manter funcionando uma complexa engrenagem de tecnologia e entretenimento, ao mesmo tempo em que, como chefe de família, enfrenta as marcas de uma ausência sentida. Nesse esforço, a chamada Família Truck está coesa, focada no objetivo comum de manter a obra de pé, afinal, o patrão, atento como sempre o foi, sem dúvida alguma está de olhos bem atentos.

Ponto máximo do famoso show que Aurélio Batista Felix apresentava antes de cada etapa da Fórmula Truck
Foto Orlei Silva

Matéria editada e atualizada a partir da matéria original, de Américo Teixeira Jr., publicada na Motorsport Brasil nº 29 (Março/Maio de 2008)

4 COMENTÁRIOS

  1. Sou português e já tinha ouvido falar do Fórmula Truck do Brasil, mas sinceramente desconhecia como surgira e pensava: no Brasil tudo é possível, com os States ali tão perto!… Mas como tudo na vida, também o FT tem a sua história e, não fosse um vídeo publicado pela Sapo sobre um acidente ocorrido este fds em Entrelagos, continuaria nesta minha santa ignorância!
    Já no final da notícia, o jornalista fez uma alusão a um tal Aurélio Batista Félix o que me aguçou a curiosidade.
    Fiz pesquisa e acabei por conhecer a vida de um grande homem, de um grande brasileiro que subiu a vida a pulso e que lutou pelos seus ideais.
    Jamais me esquecerei do seu nome: AURÉLIO BATISTA FÉLIX e a partir de hoje sou fã do Fórmula Truck, pois até tenho grande admiração pelos camionistas, tendo já trabalhado com alguns em outros tempos e outras terras (África): tal como as máquinas que conduzem, são fortes, rijos e fiáveis!

  2. Hola: estamos desarrollando unos potenciadores de motores y economizadores de combustibles, los hemos probado con exito rotundo en camiones y maquinarias en general, pero nos interesaria hacerlos chequear si es que el reglamento lo permite en algun camion de competiicion, el hecho es que al ser del interior, no sabemos con quien hablar. ¿nos pueden ayudar?
    Nuestro blog: http://www.turboecogreen.blogspot.com
    [email protected]
    Muchas gracias
    Rodolfo Bruno

  3. CORREÇÃO DO POST ANTERIOR:
    Um dia, em viagem de serviço, passei pela “comitiva” da Fórmula Truck e parei para ver os carros estacionados em um posto de gasolina, próximo a Sete Lagoas, MG. Curioso me aproximei dos caminhões, lamentando que meu filho- então com oito anos de idade e fã dos caminhões do Aurélio, inclusive do próprio – não estivesse ali comigo. Da borracharia do posto veio um senhor e puxou prosa, perguntou se eu gostava de corridas e conversamos por uns minutos. Falei do meu filho e aquele senhor simpaticíssimo entrou no baú da “comitiva” e e me deu um poster autografado ali na hora e eu, agradecido trouxe de presente para o meu garoto, que logo percebeu a minha mancada: quem me deu e autografou o poster foi o próprio Aurélio!
    Uma pessoa, mesmo que em um contato rápido, deixou uma imagem de simpatia e – concordo com você – de respeito por quem gosta de esporte a motor! Grande Aurélio!!!
    Nota: o poster continua como um troféu no quarto do garoto, que hoje já está na faculdade.

  4. Um dia, em viagem de serviço, passei pela “comitiva” da Fórmula Truck e parei para ver os carros estacionados em um posto de gasolina, próximo a Sete Lagoas, MG, e, curioso me aproximei dos caminhões, lamentando meu filho- então com oito anos de idade e fã dos caminhões do Aurélio, inclusive do próprio – não estivesse ali comigo. Da borracharia do posto veio um senhor e puxou prosa, perguntou se eu gostava de corridas e conersamos por uns minutos. Falei do meu filho e aquele senhor simpaticíssimo entrou no baú da “comitiva” e eu, agradecido trouxe de presente para o meu garoto, que logo percebeu a minha mancada: que me deu e autografou o poster foi o próprio Aurélio!
    Uma pessoa, mesmo que em um contato rápido, deixou uma imagem de simpatia e – concordo com você – de respeito por quem gosta de esporte a motor! Grande Aurélio!!!

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