A nova Fórmula 3 Brasil já está saindo do papel

Por Americo Teixeira Jr. – A nova Fórmula 3 Brasil já está sendo trabalhada. É verdade que há negociações em curso, mas alguns passos já foram dados. A Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), a Vicar e as equipes tentam colocar em prática um pacote com grid mínimo, eventos menores, preços tabelados, patrocinadores, televisão e muito mais.

O ponto de partida é o preço da temporada. Há uma tabela e dela não se abre mão. A categoria principal tem de custar no máximo R$ 450.000, enquanto a Light não pode passar de R$ 195.000. Há também uma predisposição para colocar pelo menos 12 carros no grid.

Embora os chefes de equipes ouvidos pelo Diário Motorsport considerem essas metas ambiciosas, é um desafio que todos, de maneira geral, estão dispostos a enfrentar. Há níveis diferenciados de entusiasmo, mas a palavra “impossível” sequer foi mencionada. Entretanto, estão interessados em cada detalhe, afinal, é desses senhores a responsabilidade de fechar com o piloto e colocar o carro na pista.

Parcerias e “caronas”

Acabou aquela história de “Sul-americano”. Um dia, realmente o foi e, inclusive, com tanta importância que valia a até a super licença da Fórmula 1. Foi o melhor período da categoria criada em 1987 por Antonio de Souza Filho e Alan Magalhães. Tempos depois, em meados dos anos 90, passou a ser gerenciada por um colegiado entre donos de equipes do Brasil e Argentina. Já nos tempos de baixa, a identificação continental sobreviveu até o ano passado somente como uma espécie de “licença poética”. Isso para não dizer que era um despropósito logístico e financeiro levar a categoria inteira para um solitário evento em solo argentino.

A Fórmula 3 Brasil tem chancela da CBA, que abriu mão de todas as taxas. Se levarmos em consideração o Regimento de Custas e Taxas do Código Desportivo do Automobilismo 2013, a entidade está deixando de arrecadar pelo menos R$ 210.000 com essa atitude.

Parceira de longa data da Vicar, a Pirelli, também “meteu a mão no bolso” e estabeleceu um desconto superior a 10% exclusivamente para a Fórmula 3 Brasil e desde que autorizada pelo promotor. Cada pneu de pista seca passou de R$ 690 (Dianteiro) /R$ 954 para R$ 605/R$ 835. O de chuva, de R$ 812/R$ 982 para R$ 720/R$ 872.

Menos tempo na pista

Há um consenso no sentido de a Light realizar cada evento com um único jogo novo de pneus e os remanescentes dos anteriores. Exceção para a rodada inaugural, quando estarão disponíveis dois jogos. Para a A é o mesmo conceito, mas com quantidade dobrada. A diminuição de uma rodada dupla e o encurtamento dos eventos (agora serão dois treinos, um Qualifying e duas corridas) ajudarão na buscada economia.

Dentre os compromissos da Vicar estão o de fornecer televisão. Já o calendário terá sete eventos em conjunto com o Brasileiro de Marcas e um com a Stock Car. Pode não ser um “mundo ideal”, mas os ventos sopram a favor da Fórmula 3 Brasil, pelo menos nesse momento. Há vontade política, direitos e deveres são conhecidos e nenhuma das partes está parada.

O Open de F3, que acontecerá de 16 a 19 em Interlagos, vem em hora importante. O evento de Roberto Mourão está em seu quinto ano consecutivo, o que chega a ser uma proeza diante da longa fase de dificuldades da categoria não apenas aqui. Além disso, será a última oportunidade, antes da abertura do Brasileiro (4 a 6 de abril em Tarumã), de um olho no olho entre os mantenedores do tripé.  Basta ninguém roer a corda.

Foto Vicar

3 Comments

  1. Julio Cesar (Londrina Pr) 14 de janeiro de 2014 at 7:50

    Acho a ideia valida mas a CBA poderia bancar a categoria vendendo os carros a um preço justo aos pilotos e seus direitos de uso assim evitando os atravessadores(promotores)dando oportunidade ao surgimento de novas equipes(preparadores) e os eventos devem serem realizados em todas as praças esportivas de preferencia com os campeonatos regionais ou metropolitano oportunizando aos pilotos menores chances de não só conhecerem como também poderem (sonhar) participar num futuro proximo também do evento.

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  2. Rogério Raucci 13 de janeiro de 2014 at 21:33

    Como sempre, uma excelente matéria!
    Obrigado GRANDE AMÉRICO TEIXEIRA!

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  3. Edson Gomes 11 de janeiro de 2014 at 9:57

    Boa noticia e texto muito bem elaborado – otimismo com realismo e sem essa febre de criticar tudo que existe hoje no Brasil e não muito preocupado com outra febre fanática, do politicamente correto.

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