(POR RICARDO BERLITZ) – O ocaso de Nelson Piquet Jr. de fato é triste. Lamentável para o esporte como um todo, e para o automobilismo em particular. Pois um grande campeão pode ter encerrado melancolicamente sua carreira.
Até dias atrás, pelo que acompanho pela imprensa, lendo algumas matérias, blogs e twitter de jornalistas especializados, boa parte escreveu com prudência sobre o assunto. Alguns, como Teo José, reiterando que “Se” isto aconteceu… Minha expectativa era esta também, sempre pensando que a história estava dentro do “Se”. Como condição subordinativa (aliás, é o que o “Se” representa na língua portuguesa), perfeito. Todos esperavam que a condição ou hipótese não fosse realidade, ainda que muito transparente nas lentes do jornalista Reginaldo Leme, atento, bem informado e com uma fonte segura nas mãos quando informou o caso na telinha dominical da TV Globo.

Mas tudo o que envolvia e dependia de condição e circunstância se materializou com as declarações oficiais do piloto. O resto é e sempre será a história, que agora todos conhecemos. O grande legado de tudo isto, penso, é outra questão, que embora necessite de condições, não pode ser descartada. E pelo que li (não li tudo, claro), não encontrei uma dura análise sobre o acidente ou a provocação dele. E aí está o grande enigma e alerta se a gente pensar no futuro.
Provocar um acidente é degradante para o esporte a motor. Tão execrável quanto tentar burlar deliberadamente o dopping em uma Olimpíada para superar adversários ou arrumar subterfúgios para vencer descaradamente um jogo de futebol. Então, mesmo que elucubrando, vejamos a situação: se naquela volta, naquele trecho da pista, alguma peça de um carro tivesse se soltado instantes antes e isto provocasse um furo no pneu do carro de Piquet Jr., ou se algo desse errado na ‘trama’? Será que poderia ter acontecido um acidente fatal? Se isto acontecesse, quem seria o responsável? O piloto? A equipe? Os diretores, engenheiros, etc? Quem?
Este ponto eu acho fundamental. Até porque pode servir de alerta para atuais e futuros pilotos: pensem que, se algo der errado, o piloto, e ninguém mais, será o grande prejudicado. E ninguém será responsabilizado por isto. Ou será que (caso tivesse acontecido) Briatore e companhia se auto-incriminariam? Acidentes fatais no automobilismo estão cheios. Nós, brasileiros, temos como exemplo clássico a morte de Ayrton Senna em Ímola. Mas ali foi o que alguns chamam de fatalidade, outros, destino. Enfim, um acidente não intencional.
Que o erro de Piquet Jr. possa servir de exemplo, para que não se repita, que não se pense na hipótese. Como disse, uma vez que o “planejado” e premeditado pode dar errado e as conseqüências serem mais que desastrosas: fatais. Que pais pensem na perda irreparável de um filho. Que equipes e dirigentes pensem nesta perda para o esporte. E que nós, entusiastas deste esporte pensemos na perda de grandes talentos e ídolos.
Vamos ver como isso acabará. Nelsinho não arrumará mais “emprego”. Isso é óbvio. Porém, mereceria uma punição formal. O pai era/é chato, mas não era mal-carater…
Falou bem a Cristina, faltou orientação paterna ao jovem.
Mas, o quê falar dos velhos da Renaut?!
Bem, o quê dizer? Quando li a notícia lembrei do clássico Wilde: “hoje em dia, todo mundo sabe o preço de tudo e não sabe o valor de nada”. Quando somos jovens, é natural que cometamos erros porque não somos capazes de colocar em prática critérios que norteiem nossas escolhas. Mas o fato é que alguns erros podem ser irreparáveis. Eis aqui a razão por que precisamos ensinar bem cedo aos nossos filhos o que realmente é importante nesta vida. É uma pena que tendo vivido no mundo da Fórmula 1, o Piquet-pai, sempre tão empenhado em projetar o filho, não tenha conseguido explicar a ele como é a “mecânica” da vida.
Eh! o caso é realmente assustador, imaginar que alguem corra risco de morte para garantir seu emprego, porque foi o que ele fez. Não é de hoje que o esporte em geral está muito longe do dito popular “que o que vale e competir”, e quanto mais dinheiro está envolvido na competição, mas se esquece os valores verdadeiros do esporte. Na Formula 1 este é so mais um caso…. já tivemos piloto deixando o outro passar para ganhar na ultima curva, espionagem e sabe se lá o que mais que não chegou até o nosso conhecimento.
Concordo em número, genero e grau, só acrescentando o que de ruim isso representa em relação ao caratér de todos os envolvidos e o exemplo para as futuras gerações.
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Essa trama na minha opinião foi estúpida, estapafúrdia, execrável. Este tipo de procedimento denigre a imagem do esporte, da escuderia e do piloto. Além de ignorar qualquer princípio de segurança, como bem citou o Ricardo Berlitz. Lamentável.