Desde a sua fundação, em 14 de julho de 1961, a Federação de Automobilismo de São Paulo (FASP) teve vários presidentes, mas nenhum deles registrou no decorrer desses 48 anos uma permanência tão prolongada e foi alvo de tanto respeito e admiração como é o caso do professor Rubens Antonio Carpinelli, que neste 7 de setembro completa 82 anos. Professor de carreira por quase 50 anos, Carpinelli enfrenta os desafios de comandar a maior federação de automobilismo do Brasil com agilidade e sempre buscando fazer mais ainda.
Sua passagem desde as salas de aula para as pistas de corridas, na verdade, foi resultado de uma “semente plantada” ainda nos anos 30, quando acompanhava o pai, o escultor Humberto Carpinelli, nas provas de rua que aconteciam naquela época. São lembranças vivas, por exemplo, a corrida realizada em 1935 ao redor do Pacaembu e o GP Cidade de São Paulo de 1936, na região do Jardim América, bairro nobre da cidade.
No Colégio Mackenzie, Carpinelli foi professor de então jovens pilotos que, mais a seguir, seriam dos grandes responsáveis pelo sucesso do automobilismo brasileiro, aqui e lá fora. Na hora da chamada, ecoavam nas salas de aula do tradicional estabelecimento de ensino paulistano nomes como Emerson Fittipaldi, Wilson Fittipaldi Jr., Bird Clemente, Marcos Troncon, Fausto Dabour e tantos outros. Motivado pelos alunos, o professor passou a prestigiar as competições das quais participavam os estudantes. O tempo foi passando até que, em 1962, foi convidado por Orlando Troncon, pai de Marcos, para entrar na Federação. O início foi pelo kartismo, chegando a presidente da comissão da modalidade e a chefe da equipe brasileira que participou de campeonatos mundiais na Europa com kartistas como Ayrton Senna da Silva, Carol Figueiredo, René Lofti e Walter Travaglini.
Sua relação com o tricampeão mundial foi, de certa maneira, tempestuosa. Carpinelli lembra que chegou a cortá-lo de uma delegação brasileira que participaria de um mundial de kart. A medida foi revertida pelo professor logo após o pedido de desculpas do piloto, mas mesmo assim a relação posterior, mesmo após a chegada de Ayrton na Fórmula 1, continuava formal. “Até que em 1994, aqui em Interlagos, ele passou pelos boxes em direção ao briefing, me viu e me abraçou emocionado, agradecendo no meu ouvido pelo que eu lhe havia proporcionado. Fiquei muito feliz e, logo depois, ele se foi naquele acidente estúpido”, relembra.
Professor Carpinelli não tem dúvidas ao afirmar que Emerson Fittipaldi foi nosso melhor piloto e a sua relação afetiva com o bicampeão mundial de Fórmula 1, nascida ainda na época de colégio, perdura até hoje. Foi este relacionamento que contribuiu para que Emerson retornasse ao automobilismo, após deixar de pilotar na Fórmula 1, ao final da temporada de 1980, e o fechamento da equipe que levava seu sobrenome, anunciado no início de 1983.
Em razão de seu envolvimento com o kart, Carpinelli sempre teve amizades com dirigentes da América do Sul. Um deles, em particular, ligou para o professor, em 1984, com uma conversa bem interessante. Residindo em Miami, o chileno falava em nome de um promotor cubano que, no ano anterior, havia organizado uma corrida de rua na famosa cidade da Flórida. Era um pedido de ajuda para que o dirigente brasileiro indicasse um piloto de nome, dentre os grandes ídolos do Brasil, pois a primeira empreitada tinha dado prejuízo por causa das chuvas e a chance de recuperação era repetir a dose, mas formando um grid com vários pilotos de projeção internacional. Íntimo do ex-piloto da Lotus, McLaren e Fittipaldi, Carpinelli sabia que as finanças de Emerson são estavam das melhores e viu naquela solicitação vinda dos Estados Unidos uma maneira de ajudar o ex-aluno.
“Ele não quis nem conversa, mas eu insisti. Poderia ser uma alternativa porque ele ainda era jovem. Ele topou conversar, fiz a aproximação entre o cubano, o chileno, o Emerson e eles negociaram. Deu certo e foi o pontapé inicial do retorno dele às pistas”. Anos depois, Emerson deu de presente ao professor a sua carteira de piloto internacional da CBA, emitida em 1972, e cuja assinatura no documento é do próprio Carpinelli. Trata-se de uma das lembranças mais bem guardadas do vasto arquivo que possui, sob os cuidados zelosos de Cecília Carpinelli, sua esposa há 60 anos.
Professor Carpinelli ocupa atualmente o seu oitavo mandato não consecutivo na presidência da Federação de Automobilismo de São Paulo, depois de ter exercido todos os cargos possíveis na entidade paulista. Apesar de sua rotina absolutamente frenética, ele não dá sinais de ter perdido o entusiasmo, muito pelo contrário. Mas já pensa em seu sucessor. Nesse sentido, aponta para o superintendente da Federação e diretor de provas do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, Carlos Roberto Montagner. No planejamento do presidente, trata-se do nome que, no futuro, poderá substituí-lo na cadeira de principal mandatário da FASP. Entretanto, esse é um assunto para ser tratado apenas no futuro. O atual mandato terminará somente em 2012 e, até lá, sua agenda está repleta de compromissos, projetos e, principalmente, preciosas lições para aqueles que querem aprender.
Confederação
Foram diversas as oportunidades em que o nome de Rubens Carpinelli esteve na pauta para a presidência da Confederação Brasileira de Automobilismo. Em todas elas, porém, o dirigente não permitiu que sua candidatura fosse lançada porque seus compromissos no magistério não lhe permitiriam se dedicar da forma devida à CBA. Nem mesmo as ofertas para ser uma espécie de presidente com agenda mais social, sem participação no dia-a-dia da entidade, conseguiram demovê-lo da idéia de não aceitar a presidência. “Eu nunca, jamais, poderia assumir um compromisso desse pela metade“, revela Carpinelli, que recentemente viajou para os Estados Unidos com D. Cecília, numa jornada que permitiu ao casal rever, alheio a compromissos profissionais, o país no qual viveram alguns anos no início da vida em comum.
Foto Silvia Linhares/http://www.retrovisoronline.com.br
MEU professor de matemática e geometria no Mackenzie !
Grande abraço Prof. Rubens .
Querido professor,
Você foi sensacional na minha vida de estudante parabéns pela sua força e determinação, vida longa ao mestre!
Ricardo Arruda Hellmeister
Olá Professor Rubinho:
Parabéns pela sua bela idade, e ainda bastante ativo. Eu vou fazer 79, e continuo ativo. Fui aluno do seu pai, Humberto Carpinelli, durante 4 anos, na Escola Técnica Federal de São Paulo. Formei-me em Cerâmica Artística, especialidade Escultura, em 1946. Seu pai, Humberto, tinha uma personalidade extraordinária. Exerceu uma forte influência na formação de minha personalidade, quando adolescente. Uma escultura, dele, monumento ao marinheiro herói Marcílio Dias, está até hoje em Itajaí, SC.
Parabéns,felicidades & saude
Professor o senhor sempre foi, é, e sera a verdadeira voz do automobilismo paulista.
Vida longa professor Carpinelli
J.E.Avila
O Professor escreveu para sempre no livro do automobilismo nacional…Somos fãs dele de carteirinha…
Silvia e Zezito