Recebo comunicado em que o piloto Tarso Marques dá esclarecimentos sobre o caso de dopping denunciado pela revista WarmUp e somente depois disso confirmado pela Confederação Brasileira de Automobilismo, por intermédio de comunicado.
Lamento profundamente que esse caso tenha tomado essas proporções, resultado da falta de experiência e tato dos envolvidos para lidar com a situação em sua origem. Não vale aqui criticar a CBA, a Vicar, Dr. Dino ou mesmo o Tarso Marques. Trata-se de algo delicado e realmente qualquer pessoa teria dificuldades em lidar com isso, a começar por mim.
O comunicado, porém, comete alguns pecados enormes, que gostaria de enumerar:
1 – Nele, o advogado Marcelo Aiquel e Tarso Marques endereçam ataques à revista, ao site Grande Prêmio e a seus profissionais. Nada mais errado, posto ter sido uma das reportagens mais completas publicadas nos últimos tempos. Tão completa e valiosa que eu, mesmo já tendo 30 anos de jornalismo, teria orgulho de tê-la conduzido da forma que foi, séria, ouvindo todos os lados, sem acusações, apenas apresentação de fatos. A imprensa não é intocável, não é Quarto Poder, não está Acima do Bem e do Mal, tem de ser atacada quando faz merda. Tudo isso é verdade, mas Flavio Gomes, Victor Martins e seus comandados fizeram um trabalho digno de elogio;
2 – Eu acho que Tarso Marques demorou para se defender e, fazendo só agora, nada mais fez do que requentar um assunto que já estava em processo de “perda de temperatura”;
3 – O mesmo comunicado, da maneira como foi enviado, dá todo o direito para que a comunidade automobilística pense o pior sob vários aspectos. Ou a CBA e seu tribunal são uma bagunça ou há algo fabricado nessa história. Não se trata de uma acusação, mas de uma impressão sólida que foi lançada de haver algo muito estranho no ar. Afinal, se não havia uma recurso impetrado, informação oficializada pelo comunicado da CBA, como é que agora aparece um recurso julgado? Ou é uma prova de descompasso total – para não dizer de incompetência – ou uma brincadeira com a inteligência dessa mesma comunidade automobilística.
Sou de opinião de que a atitude do ex-presidente Paulo Scaglione, quando do caso de Paulo Salustiano, foi correta e serviu de amparo para o esportista e sua família. Poderia ter servido de modelo, mas cada direção tem o direito de conduzir qualquer situação a seu modo e o presidente Cleyton Pinteiro fez o que achou ser o correto.
Reitero o que disse e o que escrevi: sou um grande admirador do piloto e da pessoa de Tarso Marques e de toda sua família. Tenho certeza que foi algo isolado. Mas a matéria da revista Warm Up foi correta, séria, uma contribuição e lição de jornalismo.
Que tudo isso, esse estrago todo, seja suficiente para moldar um padrão de atitude daqui para frente. Omissão não é sinônimo de respeito ou defesa, mas de falta de atitude e autoridade, ocorrências que, infelizmente, têm acontecido com frequência na atual gestão do presidente Cleyton Pinteiro na CBA. Esse comunicado só serviu para levantar mais suspeitas, dar cores mais graves para um quadro já grave o bastante. E agora?
Creio que o Tarso e sua assessoria foi muito “inocente” em sua defesa em Nota de Esclarecimento de ontem pois serviu para mostrar que em provas anteriores competiu com maior quantidade de traços da substância pondo em risco a si próprio e aos demais competidores. Serviu também para mostrar como é fácil burlar o regulamento ou…..
Prova de tudo isso vem no trecho da nota que consta no blog do FG:
“Mesmo que a data da utilização desta medicação tenha ocorrido meses antes da referida competição, restaram traços da substância em seu organismo, como o rigoroso exame apontou.”