
Sergio Berti, o diretor de provas da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) para a Stock Car, caiu. Solicitado de forma veemente pelos pilotos da Stock Car, que exigiram a saída do oficial de competição, Nestor Valduga não teve outra alternativa a não ser convocar Mirnei Piroca para assumir a função na etapa de Ribeirão Preto, que acontece amanhã na belíssima cidade do interior paulista. A mudança foi pedida ontem ao presidente do Conselho Técnico Desportivo Nacional (CTDN) em briefing que durou mais de uma hora e que contou também com a presença do diretor da Vicar, Maurício Slaviero. Também foi ratificada por um abaixo-assinado que só não teve a assinatura do piloto Alceu Feldmann, segundo informação do jornalista Victor Martins, do site Grande Prêmio, em seu Twitter (@vitonez).
A reunião dos pilotos com os dirigentes da Vicar e da CBA não se limitou à troca do diretor de provas, mas na apresentação de diversos itens que, embora não revelados, prometem fazer dos pilotos da Stock Car mais presentes nas decisões e com força para debater de igual para igual com as autoridades constituídas as suas reivindicações. Ao deixar no passado uma postura passiva para assumir a condição de sujeito do processo, os pilotos da Stock estão com o “lápis e o papel” na mão para escrever um novo e importante capítulo no automobilismo brasileiro.
Apesar disso tudo, o que pode parecer uma vitória do grupo não passou de um desgaste desnecessário, visto que foi resultado unicamente do bate-boca entre Sergio Berti e os pilotos Cacá Bueno e Thiago Camilo em matérias publicadas com exclusividade do site Grande Prêmio. A saída de Berti não foi motivada por questões técnicas ou de procedimento, mas após o diretor de provas rebater, com clareza e pouco tato político, as declarações anteriomente dadas por Bueno e Camilo.
O problema não está em Sergio Berti enquanto diretor de provas, mas sim no procedimento adotado pelo CTDN em criar um abismo na comunicação entre competidores e a entidade, como tive a oportunidade de falar aqui. Então, não há vitória a comemorar, mas sim desgaste a lamentar. Que os outros 14 itens sejam de fato portadores da evolução, profissionalismo, segurança e moralização, tudo isso e muito mais que o nosso automobilismo precisa.
Então eu estava certo, lá pelos idos de 89/93, quando escutava os pilotos e era alvo de deboche, brincadeiras e gozações, por ouvir os pilotos e muitas das decisões emanaram deles, em reuniões na federação.
Quando ingressei na federação o então diretor jurídico da CBA deu-me dois recados:
1) Desconfie de todo mundo
2) Piloto não é para ser escutado. Piloto é para ser peitado.
Então minha resposta de bate e pronto foi:
Se tenho que agir assim por obrigação, então nem assumo a fau. Pego meu boné e queimo o chão. Tô fora.
Bandeira de Melo era o representante dos pilotos na fau e, mais de 90% das reivindicações foram atendidas. Até filiação do COPA(Club Organizador de Provas Automobilísticas)foi criado por eles e imediatamente filiado.
Assim, vejo um contra senso o piloto não ser escutado. Eles é que fazem a “festa” eles é que correm todos os riscos e o que seriam das faus e da confederação se eles fossem embora?
Antes do público trabalha-se para o piloto e as faus e confederação existem para isto. Desta forma, na minha gestão os pilotos sempre tiveram participação ativa em nossas decisões, a federação é deles, servindo também para dirimir dúvidas que possam existir entre eles. Na minha gestão todos caminhavam juntos, unidos como em uma grande família, sem vaidades na estrutura, com simplicidade mantivemos um grid de largada, regional, com mais de 54 carros, ajudamos até a compor grid no Marca e Pilotos, em São Paulo e, este espirito da grande familia era estendido ao Rally, Auto Cross e Kart onde todas categorias tinham um numero expressivo de competidores. Então, jamais houve o abismo entre a direção e os pilotos. Todos nós que participamos daquela época sentimos saudades… mas muitas saudades pois trabalhamos unidos e com muito dedicação pelo que se fazia. Realmente foi uma grande época para mim, obtive também uma enorme experiência de vida e aprendi muito com os mais antigos no esporte,pois escutar também é importante, se realmente se quer ir para algum “lugar”.