Que será que o Felipinho está achando de tudo isso?

Pai e filho na torcida pelo Brasil (Foto Instagram oficial de Felipe Massa)
Pai e filho na torcida pelo Brasil (Foto Instagram oficial de Felipe Massa)

Por Americo Teixeira Jr. – Felipinho é um moleque de quatro anos e exatamente por isso pode até perder algum detalhe mais complexo e não entender as confusões que gente grande costuma aprontar, mas a garotada nessa faixa de idade tem um capacidade surpreendente de absorver tudo o que acontece a seu redor. Possivelmente por isso ele já tenha descoberto que a profissão que o pai dele escolheu é muito louca, ora festejado como um rei, ora criticado como um “idiota”.

Essa coisa de Felipe Massa carregar nas costas uma responsabilidade que não pediu, faz dele alvo para uma munição quase sempre exagerada. No ano passado, depois do Grande Prêmio do Brasil, Felipe andava pelo paddock com o Felipinho no colo e sentia toda aquela onda de amor e carinho gerada por sua despedida da Ferrari. Embora tímido, deve ter se divertido bastante naqueles dias.

Passaram-se algumas semanas e talvez o menino tenha tido alguma dificuldade para entender aquela repentina mudança de cores ao ser redor. “Ué, cadê o vermelho?”, pode ter perguntado para alguém em volta. Mas ele igualmente deve ter curtido tudo aquilo: pai contente, toda hora na televisão e gente falando que “seu pai vai ser campeão!”.

Só que a história não foi bem essa e é provável que, de alguma maneira, o menino tenha sentido um pouco daquele clima negativo gerado por tantas críticas. Não sei se Felipinho viu as cenas do acidente do pai no Canadá. Se sim, está aí uma coisa que não passa despercebida pela cabeça de uma criança, assim como também deve acontecer em caso de chegar a seus ouvidos inocentes alguma crítica maldosa em relação a seu pai.

Aí chega o dia de hoje e ele, no colo da mãe, foi um dos primeiros a beijar o pai que acabara de conquistar a pole position para o Grande Prêmio da Áustria. Arrisco a dizer, sob pena de errar, que ele não sabe o que seja pole position, mas aposto que sabe que é algo legal, para fazer festa. Essa mesma festa pode continuar amanhã, depois da corrida, ou dar lugar para gente de cara emburrada. É do jogo ganhar ou perder.

O que não é do jogo, porém, essa coisa maniqueísta que faz a vida do cara se transformar numa constante gangorra. Num dia é o “idiota” que bateu no Canadá, no outro é o “rei” do pedaço porque fez a pole. Nem lá, nem cá. Se não em nome da análise correta e coerência, que seus críticos radicais e os incansáveis puxa-sacos respeitem o fato de ter criança em casa. E nessa idade criança percebe no ar quando a coisa vai bem ou não.

Festa em família após a pole na Áustria (Foto Getty Images/Grande Prêmio)
Festa em família após a pole na Áustria (Foto Getty Images/Grande Prêmio)

 

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