Rodrigo Rollemberg, governador do Distrito Federal (Foto Pedro Ventura/Agência Brasília)
Rodrigo Rollemberg, governador do Distrito Federal (Foto Pedro Ventura/Agência Brasília)

Por Americo Teixeira Jr. – Foi de extrema conveniência para as autoridades do Distrito Federal a Recomendação 01/2015. Caiu como uma luva nas mãos do governador Rodrigo Rollemberg, que dessa forma tentou se livrar do ônus do “não”, transferindo a justificativa para o cancelamento da Brasília Indy 300 para o Ministério Público. Seria leviano e irresponsável sequer imaginar que a Recomendação tenha sido resultado de um acordo político entre o Governo Distrital e o Ministério Público para livrar a Gestão Rollemberg desse compromisso assumido pelo ex-governador Agnelo Queiroz. Mas que a conveniência é tanta, não há dúvida.

Desde o dia 26 de outubro do ano passado, quando foi eleito governador em segundo turno, o então senador Rollemberg poderia ter tomado uma decisão política e veemente. Fosse caucada na demagogia e rasteiro confronto político ou na coerência administrativa e comprometimento social, de pronto poderia ter se negado a realizar a corrida. Teria sido mais honesto. Mas talvez ocupado demais em formar seu governo e tomar ciência da real situação do Distrito Federal, Rollemberg assim não agiu. Pelo contrário, embora este Diário Motorsport não tenha obtido respostas às questões enviadas sobre a Brasília Indy 300, executivos da etapa brasileira se mostraram tranquilizados com a posição do novo governador. Passaram-se, dessa forma, três meses até a assinatura da Resolução, período no qual, avidentemente, todas as operações relativas ao evento estiveram acelaradas.

Eis que chega 22 de janeiro de 2015. exatos 45 dias do domingo 8 de março, de abertura do Verizon IndyCar Series com a prova Brasília Indy 300. Oriunda da PRODEP (Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social), a Recomendação foi assinada pelos promotores de justiça Cláudio João Medeiros Miyagawa Freire, Cesar Augusto Nardelli Costa e Fábio Macedo Nascimento, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Basearam-se, os promotores, “especialmente” no Artigo 6º, Inciso XX, da Lei Complementar 75/93, assinada pelo então presidente Itamar Franco,  em 20 de maio de 1993. Está escrito exatamente isso:

XX – expedir recomendações, visando à melhoria dos serviços públicos e de relevância pública, bem como ao respeito, aos interesses, direitos e bens cuja defesa lhe cabe promover, fixando prazo razoável para a adoção das providências cabíveis.

§ 1º Será assegurada a participação do Ministério Público da União, como instituição observadora, na forma e nas condições estabelecidas em ato do Procurador-Geral da República, em qualquer órgão da administração pública direta, indireta ou fundacional da União, que tenha atribuições correlatas às funções da Instituição.

§ 2º A lei assegurará a participação do Ministério Público da União nos órgãos colegiados estatais, federais ou do Distrito Federal, constituídos para defesa de direitos e interesses relacionados com as funções da Instituição.

 É difícil saber exatamente o que aconteceu nos bastidores de Brasília, São Paulo e Indianapolis entre os dias 22 e 29 de janeiro, período compreendido entre a assinatura da Recomendação e o anúncio do cancelamento da prova. Sabe-se, porém, que a demonização do ex-governador Agnelo Queiroz, proveniente dos entes políticos de Brasília e protagonistas do cancelamento em questão, esteve presente em todos os momentos. Achou-se um culpado para a quebra do acordo e a situação atual do distrito que abriga a capital do Brasil.

Os leitores do Diário Motorsport sabem que este jornalista é petista por convicção política, admirador de Lula por considerá-lo o melhor presidente da história brasileira e apoiador/eleitor da presidenta Dilma Rousseff, a grande dama da democracia brasileira. Mas não é por causa disso que não defende, com veemência, a punição de Agnelo ou de qualquer outro membro do partido cujos malfeitos sejam comprovados. O governador Rodrigo Rollemberg tem a autoridade do voto democrático e popular para todas as decisões que achar melhor para o seu Distrito Federal. Não é um mês de mandato que vai permitir o julgamento de sua gestão e, nessa fase do calendário, só ele mesmo sabe onde o calo lhe aperta.

Isso não impede que acumule ônus em tão pouco tempo. Tem mais é que priorizar a saúde, a educação, a segurança, a governabilidade e, principalmente, o pagamento dos servidores. Sim, porque não há vergonha maior para um administrador público do que não pagar os salários do funcionalismo. Tal qual o direito de IR e VIR, o salário é SAGRADO! Mexer com isso significa roubar a honra do cidadão e, como disse Gonzaguinha, “sem a sua honra, se morre, se mata“. Tem mais é que rever os contratos com a Band ou quem quer que seja, caso os considere inadequados para a realidade do Distrito Federal. Tem de fazer tudo isso e muito mais.

Agora, agir como agiu, foi amplamente lesivo. Preferiu esperar. Era direito seu, mas que tenha em mente que causou prejuízos. financeiros e de imagem, como também acumulou ônus. Este jornalista confessa a incapacidade de classificar a atitude de Rodrigo Rollemberg, se corajosa ou covarde. Mas é, no mínimo, inocente. Sim, pois é inocência achar que o signatário de um contato – no caso, o Distrito Federal – possa sair dele livre, leve e solto, como se nada tivesse acontecido. Não sou advogado, mas acho que não é por aí.

 

4 COMENTÁRIOS

  1. Não jogue no lixo o respeito que esse site tem no mundo automobilístico por defender partido que vive de corrupção. Perdeu a mão completamente. Se tal partido fosse realmente bom, o governo federal asseguraria a realização do evento, pois não deixa de ser uma questão referente a imagem do país.
    A credibilidade desse site está cada vez pior, já basta a notícia sem fundamento sobre o Geraldo Piquet que foi dessa essa semana.

  2. CAUCADA?
    Por favor, pode explicar que palavra é esta?
    Procurei em vários dicionários e nada encontrei.
    Seria caLcada?
    Mas o Escriba deve estar certo após a reforma ortográfica (e talvez moral) do seu ídolo Lula, pode e vale tudo…
    Parabéns!

  3. Não sei porque, mas onde o PT põe a mão fede. Taí o maior exemplo que é a Petrobras que alem de todo escandâlo recente, nem gasolina para a William´s está conseguindo produzir! Competencia para roubar tem muita… Mas muito pouca para trabalhar!!!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here