O que dizer para Sebastian e Oliver Wheldon?

Por Americo Teixeira Jr. – Eu estava no pit do Team Penske na Indy 500 de 2011 e, na abertura da última volta, já me preparava para devolver o fone de ouvido que utilizara durante toda a prova, atento às conversas entre Helio Castroneves, o estrategista Tim Cindric e o spotter Rick Mears. Mas ao invés de ver J. R. Hildebrand cruzar soberano como vencedor, eis que ouço um barulho forte, uma manifestação ruidosa da torcida nas arquibancadas e não acreditei quando vi o Dallara Honda nº 4, com as cores da National Guard, cruzando a linha de chegada aos pedaços.

A festa no pit da equipe Bryan Herta Autosport era o sinal de que o inacreditável acontecera. Hildebrand batera na última curva da última volta da Indy 500 de 100º aniversário e o campeão da prova história era Dan Wheldon, que fazia a sua primeira corrida da temporada justamente no Indianapolis Motor Speedway.

Tudo isso foi muito marcante e emocionante, mas teve uma imagem que definitivamente me tocou, corroborando um sentimento que eu já vinha cultivando nos últimos tempos na Indy. A categoria, como um todo, e a Indy 500, em particular, são pontos de encontro para as famílias. Sim, porque há uma criançada animada e numerosa, sob  atenção dos papais e mamães Helio Castroneves, Tony Kanaan, Justin Wilson, Scott Dixon, Ed Carpenter, Sarah Fisher e outros.

A gente tem uma dimensão exata de como tem criança na Indy quando entra no ônibus que leva os pilotos para a Indy Parade, em Indianapolis. É uma festa. E fazendo coro nessa overdose de alegria proporcionada por essa garotada, na edição de 2011 estavam o Sebastian, um garotinho de quase dois anos, e um bebê de colo, recém-nascido chamado Oliver, filhos de Susie e Dan Wheldon.

Pois foi o Sebastian se divertindo no brickyard de Indianapolis, após a vitória história do pai naquele dia 29 de maio de 2011, a grande imagem daquele domingo, ao lado da mamãe Susie com o irmãozinho Oliver no colo. E ver os quatro juntos me deixou com a sensação gostosa de uma família feliz e curtindo um momento único de sucesso.

E lá seguimos todos nós, cada um para o seu canto, até que chegou o dia 16 de outubro de 2011. Pela segunda vez no ano, Dan Wheldon estava participando de uma corrida da Indy. Talvez na cabecinha do Sebastian, fosse outra ocasião de festa. Não foi. Como explicar para aquele garotinho loirinho de dois anos de idade que a festa acabou, que a morte chegou, que o pai partir, que o obscuro se fez? O que dizer para Sebastian e Oliver Wheldon?

Fotos IndyCar

6 Comments

  1. Flavio Perillo 19 de outubro de 2011 at 8:22

    Que chato quando essas coisas acontecem. Não existe nada a ser falado a não ser palavras de grande pesar e um sentimento de vazio.
    Tivemos o prazer de conhecer Wheldon, nas suas vindas para as 500 Milhas da Granja Viana e ele se mostrou uma pessoa alegre e sempre disposto a atender os fãs.
    Sentiremos a sua falta. Infelizmente quando lembrarmos dele daqui para a frente, será sempre para falar do terrível acidente que tirou sua vida.

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  2. Vitor 18 de outubro de 2011 at 22:20

    Não sei se acredito ou não em destino,mais depois de vencer em Indianapolis e acontecer este acidente domingo fiquei com “muitas” duvidas.
    Esperamos que esta família tenha força p/ que no futuro relembre as grandes conquistas e alegrias de Dan Wheldon.

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  3. Marcos 18 de outubro de 2011 at 9:53

    dificil saber o que dizer nessa hora. texto espetacular.

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  4. pezzolo 18 de outubro de 2011 at 0:06

    dizer que o papai foi correr no céu e esperar o curso da vida. Talvez daqui a 20 anos nos emocionemos com um deles ganhando a Indy 500… enfim..

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  5. Edevar vilela Martins Junior 17 de outubro de 2011 at 21:47

    Esses seres humanos diferenciados que colocam a vida em risco para entreter nós amantes da velocidade são dignos de heróis e quando um desses heróis nos deixam dessa forma rápida e trágica nos colocam para refletir qual é o limite deles bom neste ultimo domingo acompanhamos que o limite chegou e deve ser respeitados e parabéns a organização que soube respeitar esse limite.

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  6. tony moura 17 de outubro de 2011 at 20:49

    O que dizer para Sebastian e Oliver Wheldon?….Mais um texto maravilhoso do Americo…valeu amigo abracos

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