Max Mosley, atual presidente da FIA, dificilmente deixará de ser candidato à reeleição em outubro próximo (Foto FIA)
Max Mosley, atual presidente da FIA, dificilmente deixará de ser candidato à reeleição em outubro próximo (Foto FIA)

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Por Américo Teixeira Jr.

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Max Mosley será candidato à reeleição para a presidência da Fédération Internationale de L’Automobile (FIA), com pouquíssima chance de perder. Esse quadro só será diferente se ele desejar, como disse recentemente, “estar mais perto da família”. De outro modo, seus desafetos “vão ter de engolir”, sim, o advogado inglês e ex-proprietário da equipe March de Fórmula 1, por mais quatro anos. Embora forte, a Fórmula 1 representa uma parcela menor, bem menor, no seio da FIA. Quem realmente decide, no voto, quem será o presidente, está muito distante dessa discussão que, às vezes, parece somente midiática.

Para começar, não votam chefes de equipes, representantes de montadores, os homens de marketing que assinam os cheques de patrocínio, os executivos de televisão que compram os direitos de transmissão dos Grandes Prêmios e nem os promotores. O estatuto da FIA, em seu Artigo 9, atribui claramente à Assembléia Geral  (que pode ser ordinária, extraordinária ou eletiva) a responsabilidade de eleger o presidente da entidade e os respectivos membros da diretoria. E a Assembléia Geral, de acordo com o Artigo 8, é formado 134 países membros, com votos apresentando pesos diferenciados.

FIA NÃO É SÓ ESPORTE

Quem tiver como referência apenas o mundo das competições, certamente vai se espantar com a falta de tradição desportiva de vários membros da FIA. É bom que ser diga não haver qualquer anomalia nisso, pois a entidade internacional é muito maior na parte de mobilidade do que propriamente na esportiva, embora esta receba de tal maneira as atenções que muitos pensam que é FIA é só esporte ou, pior, só Fórmula 1.

Ações no setor de segurança no trânsito, turismo, sinalização de estradas, leis de trânsito, educação para o uso do automóvel, pesquisa e aplicação de energias alternativas, habilitação do motorista, tecnologia automotiva e tantas outras fazem do presidente da FIA um dirigente com agenda vastíssima, sendo a Fórmula 1 apenas um item dela. A FIA atua no mundo todo e mesmo no caso do escândalo sexual, nem 10% dos presidentes se manifestaram contra ele, tamanho é o apoio angariado nessas ações.

Além disso tudo, há uma questão não mensurável, posto que é subjetiva, mas que reflete a mais cristalina realidade. Ao lutar pela manutenção de Max Mosley na presidência da FIA, por meio do voto ou até mesmo via campanha direta, cada presidente de entidade nacional está, em filosofia, mantendo a sua própria existência. Está em jogo a autoridade dos organismos técnico-desportivos.

Responsáveis que são pelas gestões técnicas e desportivas dos campeonatos em seus países, permitir que Mosley sucumba diante da pressão de meros participantes, no caso, as equipes da Fórmula 1, significa criar problema sério em casa. Afinal, como um presidente de confederação vai peitar um promotor local, caso eventualmente este se considere com poder para invadir uma área que não lhe compete e busque determinar os regulamentos à sua conveniência, se no âmbito internacional esse mesmo dirigente permitiu que essa autoridade se transformasse em pó?

Numa frase, as montadoras cutucaram o leão com vara curta e, com a ousadia do ato, colocou em alerta dirigentes dos cinco continentes. Isso revela que o mundo da FIA não é conduzido pela Fórmula 1, mas sim por Max Mosley e gente de 134 países. Logo, o inglês será reeleito presidente da FIA em outubro, salvo sua vontade ou algum “cataclisma”, que definitivamente não responde pelo nome de Fórmula 1 ou Fota.

1 COMENTÁRIO

  1. Desde que me conheço por gente, pilotos e equipes reclamam de seus dirigentes. Como organizador e promotor de categorias que já fui, senti na pele várias vezes tentativas de boicote, cisão, ameaças de toda sorte. Mas posso afirmar uma coisa: Nunca vi uma ameaça de boicote se concretizar. É fácil meter o pau na FIA, na CBA, na sua Federação, isso parece ser parte do esporte. Equipes e pilotos são importantíssimos em qualquer categoria, mas assim como no condomínio onde moramos, existem regras e estas devem ser cumpridas. Existe hierarquia, existem dirigentes e estes foram eleitos. Não é na “mão grande” que se decide estas coisas. É certo que na F1 há interesses financeiros gigantescos e estes suscitam paixões, dicotomias. Se fizermos uma análise fria, o Max Mosley está certo em suas proposições. Montadoras realmente entram e saem ao Deus dará do automobilismo e o esporte não pode ficar ao Deus dará. Custos têm que ser cortados senão a categoria vai acabar, o grid já vem emagrecendo há tempos, alguém tem que fazer algo. O problema do Max foi a inabilidade política para implementar essas regras, só isso, mas na essência, eles tem lógica. E no fundo, a briga não é técnica ou desportiva, mas essencialmente financeira, as equipes querem mais dinheiro do que já ganham. Esta é a questão, pelo esporte, se lixam, que o digam Honda, Subaru, Suzuki, Audi e Skoda, entre outras.

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