Quando Mark Webber nasceu na Austrália em 27 de agosto de 1976, o piloto argentino Carlos Reutemann, então com 34 anos, estava quase na metade de uma carreira que somaria 146 Grandes Prêmios, 12 vitórias e um vice-título mundial. Mas apesar da grande distância no tempo e guardadas as devidas proporções, os acontecimentos deste final de semana, em Silverstone, podem fazer do piloto da Red Bull Racing uma versão moderna de “El Lole”, como era conhecido por sua torcida. Afinal, ele sentiu na pele o que é uma briga interna raivosa.
Depois de passar por Brabham, Ferrari e Lotus, Reutemann foi contratado em 1980 por Frank Williams para ser companheiro de equipe de Alan Jones, o australiano que seria campeão mundial naquela temporada com o FW07B. Nesta disputa interna, Nelson Piquet se meteu no meio dos dois com seu Brabham BT49 e se sagrou “o primeiro perdedor”, como ele próprio define. Reutemann fechou o campeonato em 3º e, para ele, seu momento de ser campeão chegava com o início da temporada de 1981.
ENGANO ARGENTINO
Só que percebeu claramente que os pensamentos de Williams e Patrick Head eram outros já na segunda corrida do ano, sob chuva no Rio de Janeiro. A dobradinha Jones/Reutemann havia acontecido na primeira etapa em Long Beach (USA). Líder no Brasil, Reutemann considerou absurda a ordem da equipe para que deixasse Jones ultrapassá-lo. Negou-se e acelerou fundo o Williams FW07C para a vitória. Jones nem apareceu no pódio para receber seu troféu de 2º, tamanha a sua ira.
A partir disso, os anseios de Reutemann não se esbarravam apenas na vontade de o companheiro de equipe ser bicampeão e na ânsia de Piquet atrapalhar a festa de ambos com o BT49C. O elemento extra foi o ambiente dentro da equipe azedado por completo para o seu lado. Num ano em que Piquet venceu três provas, contra duas de Reutemann e Jones, o brasileiro conquistou o primeiro de seus três títulos mundiais com 50 pontos, contra 49 do argentino e 46 do australiano, nessa ordem. Ainda na Williams, Reutemann cumpriu apenas as duas primeiras corridas de 1982 e abandonou a carreira.

1981, segundo Grande Prêmio Brasil no Rio de Janeiro. O de 78 foi efetivamente o primeiro.
Todo mundo achou estranho a falta de alguém no podium. Carlos não era o que podemos chamar de “cara legal”. Antipático e inacessível, só era solícito com seus iguais.
Webber pode ter causado com seu desabafo, o fim de suas chances de ser campeão do mundo, porém a Red Bull dependendo das atitudes a serem tomadas, também pode estar dando adeus ao mundial de construtores e pilotos.
Abraços.